O descaso com que o saneamento básico é tratado no Brasil

Foto: Marianne Ortelli

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Março 2022

 

"A degradação das comunidades onde o esgoto corre a céu aberto é um dos impactos mais chocantes do descaso com que o saneamento básico é tratado no Brasil", escreve Thiago Kern Copetti, jornalista especializado em economia, agronegócio e relações internacionais, em artigo publicado por EcoDebate, 23-03-2022.

 

Eis o artigo.

 

O Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, é uma data também para lembrar que o ciclo deste insumo vital à vida inclui a forma como tratamos o esgoto. É o saneamento adequado que garante o retorno não poluente ao meio ambiente e mais saúde a todos. Serviço básico que, em falta, retira retirada a dignidade especialmente de famílias moradoras de regiões carentes, as maiores vítimas do descaso.

“O gestor público deveria ter entre suas prioridades tratar o esgoto adequadamente. Ofertar água potável e devolvê-la ao ambiente de forma não poluente. Um sistema de saneamento básico abarca tudo isso e atende plenamente a sigla do momento: ESG. É ambiental, social e depende de boa governança”, explica Yves Besse, presidente da Cristalina.

A degradação das comunidades onde o esgoto corre a céu aberto é um dos impactos mais chocantes do descaso com que o saneamento básico é tratado no Brasil. É causa de milhares de mortes de crianças, especialmente, mas também de graves doenças em adolescentes e adultos, de gastos com saúde que não seriam necessários, de prejuízos ao desenvolvimento educacional adequado e para a economia como um todo.

 

 

Até mesmo a produtividade aumentaria e as faltas ao trabalho poderiam ser reduzidas se esse sistema funcionasse minimamente bem. O Brasil teria menos adultos com problemas gastrointestinais e outras doenças oriundas do consumo de água sem tratamento ou da convivência com o esgoto na porta de casa — e menos pais faltando o serviço pela necessidade de cuidar filhos com diarreia e outras moléstias mais graves. A captação, o tratamento e o fornecimento de água potável assim como a coleta, tratamento e devolução ao meio natural do esgoto é um sistema único e deve ser tratado de forma adequada em todas as fases.

“A falta de saneamento básico é um claro exemplo da forma como a água é cuidada no Brasil, já que o sistema de saneamento é como uma sinfonia entre todas as partes relacionadas e basta uma delas estar desafinada para prejudicar todas as demais”, compara Daniela Pinho, diretora de finanças sustentáveis da Cristalina.

Os afetados pelo sistema precário de saneamento e esgoto são muitos. O Instituto Trata Brasil (ITB) aponta que quase 35 milhões de brasileiros vivem em locais sem acesso à água tratada, 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto e somente 49% dos esgotos no país são tratados, segundo dados fornecidos pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) relativos a 2019. Negligência que avança sobre o sistema de saúde.

Ainda de acordo com o ITB, com dados do Datasus, em 2019 foram 273.403 internações por doenças de veiculação hídrica – um aumento de 30 mil hospitalizações comparativamente ao ano anterior. A incidência foi de 13,01 casos por 10 mil habitantes gerando gastos ao país de R$ 108 milhões.

“De um lado estão gestores públicos que deveriam dar atenção a tudo isso, e não o fazem. Do outro, os pró-saneamento, aqueles que são a favor da melhoria da saúde pública, do combate à mortalidade infantil, da produtividade no trabalho e da dignidade de uma vida sem falta de água e sem poluição dos rios, lagos e praias”, compara o presidente da Cristalina.

 

 

Leia mais