A democracia como chave para debates

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10 Março 2022

 

A pauta sobre a democracia nunca esteve tão em evidência quanto agora, após o crescimento da extrema-direita e conflitos armados pelo mundo.

 

A reportagem é de Vinícius Emmanuelli, estagiário e aluno do curso de jornalismo da Unisinos.

 

O mundo viveu intensas transformações sociopolíticas desde o século XX até os dias atuais. As mudanças trouxeram à tona a fragilidade dos pensamentos da esquerda que haviam se baseado no socialismo raiz de Karl Marx. Hoje, entre todas as pautas da esquerda, a defesa da democracia é central para que as demais sejam aplicadas pela sociedade, disse o historiador e sociólogo José Maurício Domingues no evento promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU no dia 03 de março, “Uma política democrática e emancipatória no século XXI. Possibilidades e limites para o Brasil”.

Analisando o socialismo real a partir de uma perspectiva histórica, aquele aplicado durante a União Soviética no século passado, notou-se um grave ferimento ao se tratar da democracia. Houve, por parte dos soviéticos, atos autoritários para manterem-se no poder em resposta aos Estados Unidos da América e a extensa expansão do capitalismo de livre mercado, além das ameaças militares agravadas pela unidade ocidental contra a atual Rússia e seus territórios anexados durante a URSS.

“A democracia, eu diria, está no centro de tudo. Democracia não é só eleição. Democracia não é só participação. Democracia, se levarmos muito a sério, é também virtude cívica; é uma coisa difícil de se pensar na modernidade, mas é preciso tentar recuperar o que seria esse elemento republicano, o que seria uma modernidade política. Ou seja, nós queremos participar, sermos responsáveis pela coisa pública, mas também as forças políticas que se ocupam disso deveriam estar mais atentas a essa questão”, afirma.

Se a esquerda almeja colocar em prática as pautas essenciais para uma sociedade harmônica, deve manter-se no poder, o que é uma prática perigosa, pois há o “vício” pelo poder e o uso indevido da máquina pública em prol de um projeto de poder. Com o grande crescimento da extrema-direita em todo mundo, é de se pensar e reavaliar os erros cometidos para que o perigo de um sistema autoritário e tirano não volte a assombrar a população.

A América Latina era, até o final do século XX, um palco perfeito para que as ideias esquerdistas e ditas “anti-imperialistas” fossem colocadas em execução de forma democrática. De fato, isso ocorreu. Entretanto, o neoliberalismo liderado pelos Estados Unidos atingiu em cheio as vertentes da esquerda. Com o passar dos anos, o idealismo capitalista de livre mercado e a dependência indireta aos EUA e países europeus trouxeram rupturas à política latino-americana, fazendo que os líderes de extrema-direita preparassem o terreno com discursos anticomunistas e apontassem os erros da esquerda, submergindo as falácias da própria direita.

Em entrevista para o IHU, o historiador e sociólogo José Maurício Domingues relata que a esquerda brasileira se fragmentou nas últimas décadas. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) é um ótimo exemplo de perda de forças políticas da esquerda brasileira, também da desunião contra “o inimigo em comum”. Em resposta a uma das perguntas, Domingues lembra que “o PT manejou mal sua hegemonia e se atrapalhou muito no governo. As razões disso têm tanto a ver com o partido em si — com uma autossuficiência e arrogância espantosas — quanto com uma incapacidade de avançar em inovações que ele próprio havia introduzido”.

Uma utopia rege a mentalidade da esquerda, de modo especial na América Latina. Ao pegar o estilo de governo adotado ao longo do século XX por muitos países, com exemplos da antiga União Soviética, é impossível pô-la em prática. Isso porque a realidade do mundo como sociedade e economia está além das perspectivas do socialismo teórico que se encontra nos livros publicados pelos grandes pensadores e sociólogos adeptos à ideologia. No Brasil, o assunto principal é barrar a reeleição do atual presidente Jair Bolsonaro para um segundo mandato de quatro anos. “Nós podemos fazer uma frente democrática que seja explícita… É importante que tenhamos um projeto comum em que a questão democrática esteja no seu centro. Neste momento, a questão fundamental é derrotar a possibilidade de reeleição de Jair Bolsonaro, porque sem isso ficaremos numa situação tão ruim que todas as outras possibilidades de debates e avanço prático ficarão muito prejudicadas”, explica.

Infelizmente, na atual conjuntura política mundial, os rumores de guerras travam o avanço de debates que promovem o bem-estar social. “Voltou a surgir no cenário mundial uma situação geopolítica com consequências dramáticas e trágicas que é o retorno da guerra. Claro, há guerra no mundo inteiro, mas estamos vendo agora uma relegitimação dos projetos imperiais”, cita Domingues em relação à Rússia.

Finalizando a exposição, Domingues abordou um tema muito delicado para vários setores da esquerda no Brasil, que é justamente a participação (ou culpa) da crise econômica e política instaurada no governo Dilma a partir de seu segundo mandato em 2015. Para ele, o ex-presidente Lula (PT) teve culpa direta no caos promovido no país, mas o Lula sabe lidar com os impasses e consegue obter respostas autênticas contra a falsa moralidade da direita.

 

O evento está disponível no canal do Youtube do IHU.

 

 

 

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