Em apoio às uniões civis, papa Francisco evita os julgamentos que muitos procuram e deixa para os católicos discernirem

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12 Novembro 2020

O jornalista e biógrafo papal Austen Ivereigh pensa que a maneira de interpretar o comentário de apoio do papa Francisco às uniões civis homossexuais é que o Papa novamente evita julgar e deixa para os fiéis discernirem sobre como proceder.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 12-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Na revista Commonweal, Ivereigh credita ao Papa a tentativa de permitir que o Espírito Santo entre na igreja para que possa discernir o chamado de Deus além de práticas e ensinamentos rígidos. O escritor examina um pouco da história do Papa com a questão das uniões civis:

“Isso foi exatamente o que o cardeal Jorge Mario Bergoglio procurou fazer em 2010, quando era o arcebispo de Buenos Aires que enfrentou a 'primeira lei de casamento igualitário da América Latina'. O presidente Néstor Kirchner nunca tinha mostrado qualquer interesse nos direitos dos homossexuais antes, mas não podia resistir à chance de marcar um ponto na disputa política contra a Igreja. Calculando que os bispos defenderiam, como sempre, a doutrina da Igreja que sustenta unicamente o casamento heterossexual, a instituição procriadora, e condenariam a redefinição da lei, Kirchner viu uma forma fácil de se vestir do manto de progressista, igualitário, políticas pró-justiça enquanto enquadram a Igreja como determinada a impor sua moralidade ao direito civil. Era um manual de política”.

“Mas Bergoglio não foi facilmente enquadrado. Escutando as histórias e conhecendo a situação de muitos homossexuais, ele teve muitos anos para considerar a necessidade do Estado oferecer proteção legal e apoio para casais que moram junto...”

“Isso é porque depois de ser nomeado arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio não levantou objeções à lei de união civil em 2002, enviada pelo governo da cidade que garantia certos direitos – ser tratado como família, por exemplo, em caso de um parceiro ser hospitalizado – para qualquer casal que morasse junto a mais de dois anos. Bergoglio viu isso como uma matéria de justiça que não infringia o matrimônio”.

Mas, nas palavras de Ivereigh, a denúncia do Vaticano de 2003 ao reconhecimento legal para casais do mesmo sexo “reduziu drasticamente” o espaço para uma “resposta matizada” aos esforços de igualdade no casamento. De fato, no Vaticano, “o fato de Bergoglio não condenar a legislação de Buenos Aires de 2002 foi devidamente observada e deplorada”. Ivereigh continua, “a única preocupação da CDF [Congregação para a Doutrina da Fé] era fornecer um arsenal de armas para defender o casamento tradicional”. Mas, afirma Ivereigh, essa insistência em negar quaisquer direitos legais aos casais do mesmo sexo saiu pela culatra e transformou as campanhas de união civil em campanhas de igualdade no casamento total. Depois de toda essa complexidade, a conclusão é que o agora Papa defende sua posição na Argentina, que é o que professa seus comentários mais recentes.

Ivereigh também analisa algumas das controvérsias e supostas confusões com o documentário Francesco, no qual o comentário das uniões civis de Francisco apareceu, e conclui:

“As respostas irão sem dúvida vazar com o tempo. Mas, por enquanto, o que importa é que Francisco disse o que pensa sobre o assunto, fruto de um discernimento de longa data. Como sempre, para muitos, é difícil de engolir...”

“Não é irônico? De todos os lados, o que os católicos parecem querer é que o Papa julgue os gays e seus relacionamentos – condene seu sexo como imoral ou declare-o inocente – enquanto o que o Papa tenta fazer é seguir Jesus em realidades que exigem respostas que são não sobre julgamento, normas e lei. Ele vai até a dor e as necessidades dos gays e de outras pessoas que estão fora da compreensão cristã do casamento. E a partir daí ele pergunta: O que Deus quer? O que exige sua dignidade? Que elementos de bem existem – amor, abnegação – que a lei deve respeitar e encorajar?”

“Não em algum grande documento didático, mas em um diálogo com uma jornalista, ele desenrola sua resposta, que ele alcançou há muito tempo, desde quando era arcebispo em Buenos Aires. Ele chegou a isso depois de perguntar como a Igreja poderia oferecer ‘a experiência da presença viva, bondosa e ativa do Senhor às pessoas necessitadas’. Para um mundo que exige julgamento, é insatisfatório. Mas é o que Jesus pediu a seus seguidores quando os purificou”.

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