Bannon e Viganò contra Francisco, de novo

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16 Novembro 2021

 

Alerta vermelho em Baltimore, nos Estados Unidos. Aos gritos de “Quando demais é demais”, a direita soberanista estadunidense capitaneada pelo ex-conselheiro de Donald Trump, Steve Bannon, se manifesta neste dia 15, ao lado do Baltimore Waterfront Marriott, o hotel que sedia a Conferência dos Bispos dos Estados Unidos - USCCB (que deve decidir sobre a Comunhão ao presidente Biden) e onde a USCCB se reunirá pela primeira vez desde 2019, entre os dias 15 e 18 de novembro.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por L’HuffingtonPost.it, 14-11-2021. A tradução é de Anne Ledur Machado.

A reunião da USCCB é importante porque nela será votado um documento sobre o sacramento da Comunhão. Embora o documento deva ser menos “político” do que inicialmente temido por alguns críticos, a polêmica sobre a sua criação chamou a atenção internacional depois que alguns bispos pressionaram para negar a Eucaristia aos políticos católicos, embora pessoalmente contrários, que defendem o direito legal ao aborto, começando pelo presidente Joe Biden e pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi.

A questão também foi abordada por Biden no seu encontro no Vaticano, no dia 29 de outubro, com o Papa Francisco, que o autorizou a relatar aos jornalistas que ele o considera um “bom católico” e o encorajou a continuar comungando.

Formalmente, o protesto soberanista de Baltimore se autodefine como uma “reunião de oração” planejada pela Church Militant, uma controversa organização midiática católica conservadora já conhecida por defender uma retórica incendiária e que é condenada pelos críticos como provocadora, racista e homofóbica.

O evento, segundo os organizadores, foi planejado para expressar uma série de queixas contra os bispos dos Estados Unidos, começando pela resposta insuficiente à chaga da pedofilia. Mas o verdadeiro objetivo é o de apoiar uma decisão sobre a Eucaristia que vá contra Biden e contra o Papa Francisco, que é a verdadeira “besta negra” dos soberanistas.

Tanto que nesse sábado, 13, o ex-núncio nos Estados Unidos Carlo Maria Viganò (que havia abençoado a manifestação antivacina que levou ao ataque à sede da CGIL em Roma e a manifestação antivacina dos estivadores de Trieste) voltou a se fazer ouvir em uma entrevista online, na qual afirmou: “A subserviência de Bergoglio à ideologia globalista é tão escandalosa que é compreendida até pelos fiéis comuns, que, em virtude do sensus fidei, captam a índole subversiva desse ‘pontificado’ e se refugiam no ideia de que Bento XVI é o verdadeiro papa. Certamente, o inquilino de Santa Marta – continua – se coloca hoje como candidato à presidência da Religião Mundial, como almejado pela Maçonaria e planejado pela Nova Ordem; ou pelo menos como aquele que introduziu no Sacro Colégio o futuro papável para ocupar esse cargo”.

A Church Militant, sediada em Detroit, também conhecida como St. Michael’s Media, organizou protestos semelhantes fora do Marriott durante as últimas reuniões da USCCB. Mas o esforço deste ano chamou mais atenção devido à inclusão entre os oradores de Milo Yiannopoulos, de extrema direita, e Bannon, que, na sexta-feira, 12 de novembro, foi indiciado por desacato ao Congresso por ter desafiado uma intimação do comitê da Câmara que investiga a insurreição do dia 6 de janeiro, com a violação ao Capitólio (todos se lembram da invasão dos manifestantes capitaneados por um deles, vestido de xamã).

Viganò também abençoou o ataque ao Capitólio em uma entrevista concedida precisamente a Bannon, poucos dias antes.

A notícia da participação de Yiannopoulos e de Bannon gerou preocupação entre as autoridades da cidade de Baltimore, que, em setembro, pediram ao tribunal local que proibisse a manifestação. Os advogados da cidade citaram problemas de segurança, observando no seu apelo que, em eventos passados liderados por Yiannopoulos, a violência eclodiu, e que Bannon pediu no passado a decapitação de adversários políticos, como o infectologista Anthony Fauci e o diretor do FBI, Christopher Wray.

Além disso, os advogados da cidade de Baltimore acusaram o fundador da Church Militant, Michael Voris, de elogiar as pessoas que atacaram o Capitólio dos Estados Unidos no dia 6 de janeiro. Durante uma transmissão naquele dia, Voris chamou os insurgentes de “patriotas americanos” que estavam “cansados das eleições fraudulentas” – uma referência às alegações amplamente desmentidas de fraudes eleitorais em massa durante as eleições de 2020.

A Church Militant rejeitou as acusações e reiterou que a sua manifestação era lícita, citando o seu direito à liberdade de expressão segundo a Primeira Emenda. Um juiz federal decidiu a favor deles no mês passado, abrindo caminho, assim, ao protesto desse domingo. “Estamos decepcionados com a decisão do tribunal e continuamos preocupados com a potencial ameaça à segurança pública à propriedade da cidade de Baltimore representada pela manifestação”, declarou Cal Harris, diretor de comunicações do prefeito, em uma nota.

Um porta-voz da Church Militant disse ao Religion News Service que a reunião tem o objetivo de “fornecer um lugar e uma voz para centenas de milhares de vítimas dos abusos dos bispos (físicos, financeiros, espirituais, litúrgicos)”. De acordo com a Associated Press, Yiannopoulos testemunhou que queria falar no evento porque sobreviveu a abusos sexuais de um padre e quer encorajar outros a “enfrentar os facilitadores e os abusadores”.

No front oposto, uma coalizão de grupos católicos de orientação liberal está planejando um protesto separado. Chamando a sua manifestação de “Pão, não pedras”, os organizadores planejam rezar do lado de fora do hotel para expressar a desaprovação daquilo que eles descrevem como esforços dos bispos para politizar a Eucaristia.

As organizações que ajudam a reunir esse segundo protesto incluem Catholics for Choice, Women’s Ordination Conference e DignityUSA.

 

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