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15 Novembro 2021

 

Esse Dom Viganò, que, protegido pelo lindo chapeuzinho de bispo, nos explica que alguém “matou deliberadamente os contagiados para nos fazerem aceitar lockdowns, máscaras e toques de recolher”, absolutamente não me faz rir. Porque a loucura não é engraçada, a mentira não é engraçada, a calúnia não é engraçada.

O comentário é de Michele Serra, jornalista e escritor italiano, em artigo publicado em La Repubblica, 11-11-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A liberdade de expressão também não pode ser invocada para proteger qualquer obscenidade que jorra da boca humana, muito menos se quem a produz é um homem de poder como esse cavalheiro.

Quem “matou deliberadamente” os doentes da Covid? Como é que um juiz não convoca Viganò e lhe pede explicações pelas suas palavras, que, sozinhas, valeriam a abertura de um inquérito pelo crime de massacre?

Por que um programa de grande audiência e um apresentador de autoridade (Giovanni Floris) transmitiram esse horrível comício como se fosse a piada de um ambulante, seguida, como única explicação, de um “que Deus o perdoe” pronunciado por um Bruno Vespa particularmente clerical, presente em cerca de 16 programas ao mesmo tempo para promover a sua doação anual?

Não é Deus quem deve perdoar Viganò: são os médicos, os enfermeiros, os voluntários que fizeram muito, muitas vezes arriscando a vida, para salvar os doentes da Covid. E eu realmente espero que eles nunca perdoem Viganò, por ter ousado dizer que, em algum hospital, “alguém” teria decidido matar pessoas entubadas e impotentes por razões políticas, para servir a um complô, para honrar um contrato com a Big Pharma ou outra paranoia negacionista aleatória.

Em um estúdio de televisão, entre homens do mundo, prefere-se sorrir de um Viganò. Eu confesso que fiquei muito irritado: até com quem sorria no estúdio. Vê-se que não sou um homem do mundo.

 

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