“O clima tenso de Bose era conhecido, mas agora é necessário clareza”

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02 Junho 2020

“A Terra se torna uma só família”. No domingo de Pentecostes, a Comunidade de Bose publica em sua página na web palavras cujo significado parece ter uma valência curiosa. O terremoto que abalou a aparente calma do mosteiro de Magnano, com o afastamento de seu fundador, Enzo Bianchi, e alguns de seus companheiros mais fiéis, leva as pessoas a discutir. E como uma pedra no lago, as reflexões do lugar se estenderam a todo o mundo espiritual, católico e ortodoxo, e aos muitos visitantes das cinco sedes espalhadas por toda a Itália.

A entrevista com Paolo Boffa Sandalina e Mario Marchiori é editada por Paola Guabello, publicada por La Stampa (Piemonte), 01-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ontem, durante as orações dos fiéis, o prior que recebeu o legado do irmão Enzo em 2017, Luciano Manicardi, agradeceu "todos os que oraram e apoiaram a comunidade nesses dias difíceis" em um clima de humildade e com poucos fiéis silenciosos. A única e mínima menção ao que aconteceu. "Nesse momento delicado, é necessário respeitar o caminho do discernimento da comunidade de Bose, à qual o Santo Padre manifestou sua preocupação com a Visita Apostólica - comenta o Vigário Geral da diocese de Biella, pe. Paolo Boffa Sandalina -. Por isso, desejamos renovar nosso sentimento de proximidade e oração aos irmãos e irmãs de Bose e também aos muitos amigos que, de muitas maneiras, acompanham a vida da fraternidade e usufruem dos dons espirituais". Enquanto isso, Enzo pediu para dialogar, explicou que está aberto à misericórdia e ao perdão. O que acontecerá com ele e da comunidade após a "intervenção"? Ainda de Biella, chega a reflexão de Dom Mario Marchiori, organizador da paróquia de San Defendente, na revista "Uma igreja de várias vozes" que já publicou textos de Peppino Englaro, Moni Ovadia, Dom Ciotti e Giannino Piana, Vito Mancuso, Emma Bonino e várias vezes também de Monsenhor Bettazzi.

"Eu frequentava Bose, acompanhei seu nascimento e crescimento com as primeiras suspeitas e distanciamentos - ele explica -. Após o Concílio e a reforma litúrgica, o impulso em direção a novas formas de viver a espiritualidade, a oração e a relação com outras religiões, em Bianchi encontrou terreno fértil, um caminho muito fecundo em termos de pesquisa, estudo, debate e proposta vocacional. Ao longo dos anos, Enzo se tornou um ícone, apesar do caráter nada fácil, um centralizador com carisma e sabedoria incomuns. Criticado e ao mesmo tempo apreciado dentro da Conferência Episcopal Italiana e no Vaticano e também pelo Papa Francisco e João Paulo II. Era sabido que havia tensões, conflitos, descontentamento, e saídas da Comunidade. Que a renúncia livre do prior e a nomeação de seu sucessor não fossem indolores, devia ser levado em consideração. Mas que em pouco tempo a situação precipitasse e tivesse que intervir o Vaticano coloca questionamentos que mereceriam respostas claras”. Respostas devidas a todos aqueles que, ao longo dos anos, consideram Magnano como referência, ao escritor monge, palestrante e organizador de eventos culturais e eclesiais aos quais aderiram cardeais, bispos, teólogos, filósofos, artistas e representantes das várias igrejas, especialmente as orientais. Mas o profeta foi silenciado.

“Ele se tornou um ícone - conclui Dom Mario - em um contexto eclesial no qual a difusão de uma religiosidade popular é cada vez mais incentivada; em que o retorno às celebrações triunfalistas, ao latim e à busca de visibilidade pela instituição Igreja está cada vez mais forte. Talvez seja necessário entender de que Igreja Enzo Bianchi e seus colegas mais próximos eram defensores, mesmo após a experiência monástica desses anos”.

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“O clima tenso de Bose era conhecido, mas agora é necessário clareza” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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