Iniciativa de reforma da Igreja alemã e “Sextas-Feiras pelo Futuro” ganham apoio

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10 Junho 2019

Vários bispos da Alemanha e da Áustria e várias organizações eclesiais e religiosas em ambos os países apoiaram fortemente o movimento "Sextas-Feiras pelo Futuro", de Greta Thunberg, para protestar contra a inércia global em relação à crise climática.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por La Croix International, 06-06-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Christoph Schönborn, de Viena, elogiou Thunberg por motivar milhões de crianças e jovens a lutar contra as mudanças climáticas.

Escrevendo no dia 31 de maio em sua coluna semanal para o jornal gratuito Heute, o cardeal disse que a estudante sueca de 16 anos lhe deu esperança para o futuro.

Naquele mesmo dia, Thunberg e o austríaco Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, haviam acabado de liderar milhares de jovens e velhos partidários das “Sextas-Feiras pelo Futuro” em uma marcha de protesto pelas ruas de Viena.

O cardeal de 74 anos observou com aprovação que Thunberg recebeu aplausos de pé por chamar os responsáveis: “Finalmente vamos agir!”.

“Que contraste!”, disse Schönborn. “Por um lado, há tropeções no Parlamento [austríaco] e, por outro, a voz da geração mais jovem que já se encheu da política partidária, porque sabe que só podemos enfrentar juntos os grandes desafios de hoje”, afirmou.

Foi um “sinal encorajador que tantos jovens tenham saído às ruas para a grande causa da proteção climática comum a toda a humanidade”, disse o auxiliar do cardeal, Dom Stephan Turnovszky.

O bispo de 54 anos, que é responsável pela Pastoral Juvenil da Conferência dos Bispos da Áustria, disse à agência Kathpress que havia participado da manifestação de protesto.

Ele disse que apoia totalmente os grupos de jovens católicos que apoiaram as “Sextas-Feiras pelo Futuro” e usaria a sua influência para “reunir esses jovens com os políticos e os tomadores de decisão”.

Dom Turnovsky enfatizou que é de suma importância que os representantes da Igreja ajudem os apoiadores das “Sextas-Feiras pelo Futuro”, para que seu protesto leve a medidas concretas voltadas à proteção climática.

Campanhas juvenis

A Associação Juvenil Católica Austríaca (KJÖ) e a Rede Ecumênica pela Justiça Climática na Alemanha estão entre esses apoiadores.

A KJÖ lançou a campanha #callforchange – Vozes Jovens pela Criação, que está compilando demandas por uma “sociedade sustentável”. Os jovens podem enviar suas demandas por medidas para combater as mudanças climáticas até julho de 2019. A lista de demandas será entregue aos políticos responsáveis pelo ambiente.

“É importante levar a sério a responsabilidade pela criação e promover uma mudança radical à luz do aquecimento global, da pobreza, da crescente desigualdade de renda, do pensamento econômico de curto prazo e da falta de incentivos fiscais apropriados”, disse Magdalena Bachleitner, porta-voz da KJÖ.

Por sua vez, a Rede Ecumênica pela Justiça Climática na Alemanha iniciou a campanha #churchesforfuture, uma iniciativa apoiada pelas Igrejas católica e protestante do país. Entre elas, estão as grandes instituições de caridade católicas Miserior e Adveniat, assim como a Associação da Juventude Católica Alemã (BDKJ).

Apoio episcopal

Vários bispos alemães também estão expressando seu apoio às “Sextas-Feiras pelo Futuro”. Um dos mais notáveis é Dom Heiner Wilmer, bispo de Hildesheim. Durante a Missa Crismal deste ano, o bispo, ex-superior geral da Congregação do Sagrado Coração (Dehonianos), comparou Thunberg a uma jovem profeta.

“Ela apenas fica lá calmamente sem atirar pedras e exige que atendamos às determinações da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”, disse o bispo de 58 anos a 2.500 jovens na missa na Catedral de Hildesheim.

Ele os encorajou a se levantarem como Thunberg, dizendo: “Vocês estão bem acordados. Levantem-se em nome de Deus. Levantem-se!”.

“Estou muito impressionado com esses jovens que saem às ruas semana após semana”, disse Dom Heinrich Timmerevers, bispo de Dresden.

“Devemos levar seus avisos (sobre as mudanças climáticas) muito a sério, e eles devem nos acordar”, disse ele à agência de notícias alemã DPA no dia 16 de abril, um dia antes de Thunberg se encontrar com o Papa Francisco em Roma.

“Tenho certeza de que esses jovens farão uma grande diferença e sacudirão a indiferença das pessoas em favor de um diálogo sobre o desenvolvimento sustentável do planeta, que é a casa de todos nós”, insistiu o bispo de 66 anos.

Crítica às JMJs

Enquanto isso, o abade Beda Maria Sonnenberg, da Abadia Beneditina de Plankenstetten, na Baviera, advertiu que se deve dar mais ênfase à “nossa pegada ecológica” como parte do trabalho pastoral.

“Devemos ser ecopioneiros e questionar a nossa tradição e os nossos hábitos”, disse o abade de 52 anos.

“Quando milhares de pessoas voam pelo mundo para participar da Jornada Mundial da Juventude, isso não é uma catástrofe que deve ser abolida?”, perguntou ele retoricamente em uma entrevista à agência KNA no dia 31 de maio.

Quando o entrevistador observou que abolir a Jornada Mundial da Juventude seria uma grande perda de uma poderosa irradição, o abade respondeu: “Irradiação apenas na forma de manchetes. A verdadeira irradiação da Igreja é quando os fiéis cuidam dos seus vizinhos doentes – mesmo que ninguém noticie isso”.

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