Pete Hegseth cria um escritório de assuntos religiosos no Pentágono, subordinado diretamente a ele

Foto: Wikimedia Commons

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03 Outubro 2026

“Pode-se dizer que nosso departamento está vestindo toda a armadura de Deus, porque, embora travemos uma guerra física, todos sabemos que a verdadeira batalha é espiritual”, disse ele.

A reportagem é de Tiffany Stanley, publicada por Crux, 02-10-2026.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, está lançando um escritório de assuntos religiosos, a mais recente de suas reformas relacionadas à fé no Pentágono.

Ele anunciou em um discurso na quarta-feira que o escritório ajudará a oferecer “apoio religioso de primeira classe” e se reportará diretamente a ele.

“Pode-se dizer que nosso departamento está vestindo toda a armadura de Deus, porque, embora travemos uma guerra física, todos sabemos que a verdadeira batalha é espiritual”, disse ele.

Hegseth incorporou seu cristianismo evangélico à sua liderança no Pentágono, promovendo cultos cristãos para os funcionários e frequentemente se referindo aos Estados Unidos como uma nação cristã.

O Escritório de Assuntos Religiosos (ORA, na sigla em inglês) defenderá a presença de capelães militares e o apoio religioso “no mais alto nível do Departamento”, segundo um comunicado do Pentágono. O escritório não “obrigará a participação religiosa, não favorecerá nenhuma fé em particular, nem diminuirá os direitos dos militares, independentemente de sua fé ou da ausência dela”.

Algumas críticas à iniciativa surgiram rapidamente.

O Pentágono “tem a obrigação para com os membros das Forças Armadas do país de defender a liberdade religiosa”, disse Rachel Laser, diretora da organização Americans United for Separation of Church and State (Americanos Unidos pela Separação entre Igreja e Estado), que processou o Pentágono por causa de seus cultos religiosos. “O último anúncio de Hegseth viola essa promessa ao elevar o cristianismo a um papel ainda mais importante na formulação da política militar dos EUA”.

Outras agências federais já possuíam escritórios religiosos ou baseados na fé, criados durante o governo do presidente George W. Bush e mantidos em diferentes formatos nas administrações Obama e Biden. O presidente Donald Trump criou um Escritório de Fé na Casa Branca e teve uma iniciativa semelhante durante seu primeiro mandato.

Shaun Casey, um estudioso da religião, liderou o ORA Global do Departamento de Estado durante o governo Obama. Segundo ele, o escritório não promovia a religião ou o bem-estar espiritual. “Sua função era compreender as implicações políticas da prática religiosa nos diversos pontos críticos ao redor do mundo”.

O chefe do novo escritório ainda não foi nomeado. Um memorando do Pentágono afirma que o diretor de assuntos religiosos coordenará os recursos espirituais, incluindo “apoio ao ensino domiciliar baseado na fé para famílias militares”. Hegseth também pressionou o sistema de escolas militares para introduzir mais currículos com influências conservadoras e cristãs.

O memorando menciona “iniciativas baseadas na fé que apoiam a redução do suicídio em todo o Departamento”. Nos últimos anos, as Forças Armadas têm se tornado cada vez mais dependentes de capelães para ajudar a lidar com o crescente número de militares com problemas de saúde mental. Hegseth afirmou que deseja que os capelães se concentrem mais em Deus e menos em “autoajuda e autocuidado” terapêuticos.

O secretário também promoveu outras mudanças no corpo de capelães das Forças Armadas, responsável pelo apoio espiritual às tropas. Ele ordenou que os capelães, que são oficiais comissionados, deixem de usar sua patente no uniforme e passem a ser identificados por insígnias religiosas.

O Departamento de Defesa também reduziu drasticamente o número de afiliações religiosas oficialmente reconhecidas, de mais de 200 tradições anteriormente reconhecidas para 31. A lista não inclui mais ateus, unitaristas universalistas, pagãos e wiccanos.

Em seu discurso de quarta-feira na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, na Virgínia, Hegseth dirigiu-se diretamente aos capelães. Usando uma linguagem com nuances cristãs, ele disse: “Vivam o seu chamado. Mantenham-se firmes. Preguem a verdade. Ministrem ao rebanho”.

Ele então citou a Bíblia: “O Senhor está ao meu lado; não temerei. O que me podem fazer os homens?”

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