A cada dia sua cruz. E sua luz! Breve reflexão para crentes ou não. Comentário de Chico Alencar

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30 Agosto 2026

"Na sociedade em que ser é ter, em que a ambição individual e a busca da riqueza material parecem insaciáveis, afirmar que "quem quiser salvar sua vida vai perdê-la", pregando o desapego e o despojamento, é revolucionário!", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar o Evangelho desse domingo.

Eis o comentário.

No Evangelho desse domingo (Mateus, 16, 21-27), o Mestre Jesus deixa bem clara sua missão, que ousa ir além do que se vê ou compra.

Ele ensina, na boa tradição da sabedoria oriental, que o sofrimento faz parte da existência. Que a morte, a finitude, compõe o mistério da nossa vida, da nossa impermanência. Que não há amor sem dor.

Jesus denuncia aos seus que sofreria tortura e morte "por parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes, dos doutores da Lei". Dos dominantes de seu tempo.

Mas - suprema rebeldia - anuncia que a morte não teria a última palavra: ressuscitaria! Ressurreição é aposta pascal no triunfo da vida!
Jesus não fez um elogio ao sofrimento, à mortificação, para ganhar uma "recompensa no paraíso".

Ele nos exorta a encarar as inevitáveis dores da caminhada. Elas podem nos amadurecer, equilibrar, aplacar certa arrogância e soberba, ajudar a separar o essencial do supérfluo. Viver é conviver, volta e meia, com o que é infinitamente belo e o que é irremediavelmente efêmero...

No final dessa conversa profunda com os seus amigo/as, Jesus indaga: "de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?".

José Saramago (1922-2010), grande escritor português, ateu confesso, foi na mesma direção: "Chega-se mais facilmente a Marte que ao próprio semelhante".

Na sociedade em que ser é ter, em que a ambição individual e a busca da riqueza material parecem insaciáveis, afirmar que "quem quiser salvar sua vida vai perdê-la", pregando o desapego e o despojamento, é revolucionário!

A proposta cristã não é a das glórias passageiras, do vício corrompido do mando, mas da dignidade de ser e servir (inclusive nos espaços de poder): o desafio é cada um(a) tomar a sua cruz - sempre tem! -, e, apesar e através dela, encontrar a Luz.

Assim seja.

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