28 Agosto 2026
"A leitura do Evangelho de hoje contrasta fortemente com a do domingo passado. Naquela leitura, Pedro se destaca pela sua fé, fruto de se deixar guiar por Deus, aceitando a missão de Jesus de ser a rocha da Igreja e de desatar os pecados. Mas aqui, Pedro pensa como os homens e não como Deus, e torna-se uma pedra de tropeço, a ponto de Jesus lhe dizer para se afastar, usando a mesma expressão que usou no relato das tentações (Mt 4,10): 'Afasta-te de mim, Satanás!'".
O artigo é de Consuelo Vélez, teóloga colombiana, publicado por Religión Digital, 25-08-2026.
Eis o artigo.
"A partir daquele dia, Jesus começou a dizer aos seus discípulos que era necessário que ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos mestres da lei, e que fosse morto e ressuscitasse ao terceiro dia. Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: “Nunca, Senhor! Isso jamais lhe acontecerá!” Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens”. Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa a encontrará. Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que o homem poderá dar em troca da sua alma? Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai com os seus anjos, e então recompensará a cada um de acordo com as suas obras” (Mateus 16,21-27).
A leitura do Evangelho de hoje contrasta fortemente com a do domingo passado. Naquela leitura, Pedro se destaca pela sua fé, fruto de se deixar guiar por Deus, aceitando a missão de Jesus de ser a rocha da Igreja e de desatar os pecados. Mas aqui, Pedro pensa como os homens e não como Deus, e torna-se uma pedra de tropeço, a ponto de Jesus lhe dizer para se afastar, usando a mesma expressão que usou no relato das tentações (Mt 4,10): "Afasta-te de mim, Satanás!"
O contexto dessa situação são as declarações de Jesus sobre seu destino. Ele parece já estar ciente da perseguição que enfrentará por parte das autoridades judaicas — sacerdotes e escribas — e começa a interpretar sua missão em termos da Paixão e Ressurreição, como de fato acontecerá. É isso que Pedro não consegue entender, chegando a afirmar que isso não ocorrerá.
Por isso, Jesus lembra aos seus discípulos o que significa segui-lo e ser discípulo para o reino dos céus. Seguir Jesus significa renunciar aos próprios interesses e abraçar o caminho do conflito e da cruz quando isso for necessário para permanecer fiel à missão que lhes foi confiada.
Devemos ter cuidado para não entendermos a cruz como um plano divino, pensando que o sofrimento e a cruz são inerentemente salvíficos. Nem a renúncia, ou perder a própria vida como um gesto estoico, é verdadeiramente salvífica. Em todas essas realidades, o que é definitivo são os valores do Reino.
Por eles, vale a pena perder a própria vida, tomar a cruz e renunciar a tudo. Recordemos algumas parábolas que explicam que o Reino de Deus é como um tesouro pelo qual vale a pena vender tudo para comprar aquele campo, ou uma pérola pela qual também se vende tudo para adquiri-la. É fácil descrever o Reino, mas quando chegar o momento decisivo, será posto à prova se compreendemos o que ele é e se estamos dispostos a deixar tudo para vivê-lo.
Jesus está agora chegando ao fim de sua vida e será coerente com o que pregou. O desafio para nós hoje é manter essa coerência em nossa realidade atual.
Peçamos que não pensemos como homens, mas como Deus, para recebermos a promessa escatológica que é claramente expressa no final do texto com a alusão à vinda do Filho do Homem e à recompensa que todos os que se dedicam ao discipulado receberão.
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