Israel e uma incógnita chamada Netanyahu. Artigo de Anna Foa

Foto: Benjamin Netanyahu/ Flickr

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28 Agosto 2026

"É evidente que o peso da oposição dos democratas de Yair Golan e dos partidos árabes será decisivo nas escolhas políticas de um eventual novo governo, seja qual for. Aqui contam o número de assentos, conta quem irá votar e se os mais de dois milhões de palestinos cidadãos de Israel escolherão em massa o caminho da batalha eleitoral ou a considerarão inútil e – infelizmente – preferirão limitar sua participação na votação. Disso tudo deriva a ampla conscientização no país sobre o papel essencial do voto palestino e da necessidade de se chegar a acordos eleitorais entre os partidos judaicos e os partidos árabes."

O artigo é de Anna Foa, historiadora, escritora, intelectual da religião judaica, publicado por La Stampa. A tradução é de Luisa Rabolini

Eis o artigo.

As eleições gerais de Israel estão marcadas para 27 de outubro, o que deixa pouco mais de dois meses, já caracterizados por uma intensa campanha eleitoral. A questão essencial é se Israel conseguirá se livrar ou não de Netanyahu e, com ele, de seu governo de fanáticos racistas e supremacistas. Mas também o tipo de governo que resultará das eleições, caso Bibi seja derrotado, também é significativo.

É evidente que o peso da oposição dos democratas de Yair Golan e dos partidos árabes será decisivo nas escolhas políticas de um eventual novo governo, seja qual for. Aqui contam o número de assentos, conta quem irá votar e se os mais de dois milhões de palestinos cidadãos de Israel escolherão em massa o caminho da batalha eleitoral ou a considerarão inútil e – infelizmente – preferirão limitar sua participação na votação. Disso tudo deriva a ampla conscientização no país sobre o papel essencial do voto palestino e da necessidade de se chegar a acordos eleitorais entre os partidos judaicos e os partidos árabes.

Em Israel, os palestinos cidadãos (portanto, não aqueles dos territórios ocupados e nem mesmo aqueles de Jerusalém Oriental, juridicamente classificados como "residentes"), possuem desde a criação do Estado do direito de votar e de se candidatar a cargos eletivos. Existem quatro principais partidos árabes, apenas dois dos quais têm representação parlamentar, com um total de 10 assentos. Em algumas fases da história política recente, concorreram unidos, em outras separadamente. Há poucos dias, três deles, Hadash, Ta'al e Balad, fecharam um acordo para concorrer em uma chapa conjunta nas eleições.

No entanto, a verdadeira novidade dos últimos dias é a formação de listas conjuntas árabe-judaicas. Por exemplo, Avraham Burg, do Partido Trabalhista, ex-presidente do Knesset e presidente interino do Estado, que chegou na última década a defender posições de oposição radical ao governo, concorre nas listas do novo partido árabe-judaico Maqkom Lekulam ("Um Lugar para Todos"). Fundada por Alon-Lee Green (judeu) e Roula Daoud (palestina com cidadania israelense), líderes do movimento "Standing together", essa chapa, no entanto, corre o risco de não atingir a cláusula de barreira eleitoral de 3,25%.

Outra importante novidade, que poderia potencialmente remodelar as cartas na mesa para as eleições de outubro, legitimando o voto para os partidos árabes, é a possível adesão no partido árabe de Mansour Abbas, Ra'am (um partido que apoiou o governo Bennett-Lapid em 2021 e rompeu todos os laços com a Irmandade Muçulmana), de uma personalidade judaica proeminente como Yoav Segalovitz, ex-vice-ministro da Segurança e deputado pelo partido Yesh Atid de Yair Lapid.

Na eventualidade da derrota de Netanyahu, Segalovitz poderia substituir Ben-Gvir como Ministro da Segurança Nacional. Trata-se de um caminho, essa aliança com os partidos árabes, que enfrenta forte resistências, mesmo dentro dos partidos de oposição a Netanyahu, e não apenas na direita, mas também entre os democratas de Yair Golan e dentro do partido centrista de Gadi Eisenkot. Eisenkot, considerado um dos favoritos no pleito, que recentemente manifestou-se, talvez por razões eleitorais, contra a criação de um Estado palestino e contra a colaboração com os partidos árabes.

Como disse o escritor israelense Assaf Gavron, na excelente entrevista com Fabiana Magrì, publicada ontem neste jornal: "Ele é honesto, não é corrupto; não pensa apenas em si mesmo e realmente quer recosturar a sociedade. Mas não votarei nele porque declarou que não formará um governo com partidos árabes. Para mim, isso é absurdo: continuar a falar como se os árabes não tivessem legitimidade política só reforça justamente tal ideia."

Em um país onde um ministro declara abertamente a intenção de matar trinta ou quarenta palestinos por dia porque eles não merecem viver, a escolha de Segalovitz, se concretizada, representaria a rejeição mais evidente e concreta do racismo antiárabe compartilhado por uma grande parcela da população, embora certamente não por todos.

O início de chapas políticas mistas judaicas-palestinas não muda apenas o cenário eleitoral; atinge o próprio racismo que contribuiu para a destruição de Gaza nos últimos anos e alimentou o apartheid que agora grassa na Cisjordânia. Mudar medos e mentalidades é ainda mais difícil do que mudar governos. A colaboração com os árabes privaria o racismo do álibi do medo. Os verdadeiros racistas poderiam, enfim, ser contabilizados, e poderíamos descobrir não apenas que são menos numerosos do que se pensa, mas também que podem ser derrotados. Por enquanto nas urnas, mas depois também na vida cotidiana, nas escolas, na cultura e no diálogo. Seria uma derrota do ódio e um verdadeiro início do processo de construção da paz.

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