Beirute sob as bombas, todos entendem que a guerra retornou

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08 Junho 2026

São 15h de domingo quando apitos e explosões podem ser ouvidos em Dahieh. "Chega, não aguentamos mais."

A informação é de Paolo Breba, publicada por La Repubblica, 08-06-2026

O apito, igualzinho "como nos filmes". O momento em que você percebe que está prestes a morrer, talvez. Não era a hora de Ali. Um, dois, três tiros, "Não contei os mísseis, mas pareciam uma saraivada", diz ele. Ele passou seu aniversário de 18 anos em Beirute, sob bombas israelenses. Dois prédios adiante explodem, atingindo dois apartamentos no térreo de um prédio de sete andares. Quebram janelas e paredes. Gritos, sirenes de carros. Uma fumaça branca e acre toma conta da casa de Ali.

O momento em que você percebe que a história tomou mais um rumo perigoso. A frágil trégua na capital libanesa, que protegeu Beirute por semanas, terminou com um novo ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF). O Irã responderá algumas horas depois, bombardeando Israel. Lá vamos nós de novo. Mais uma vez, estamos à beira de uma guerra aberta. Primeiro, o cessar-fogo foi frustrado pela rejeição do Hezbollah, convencido de que Israel alegava "desarmar a resistência" enquanto continuava a atacar militantes, como vinha fazendo desde o acordo de 2024. Depois veio o assassinato de dois altos funcionários libaneses que participaram da preparação das negociações, mortos a tiros pelas IDF "por engano" nas montanhas do sul. Agora, a escalada com o ataque israelense a Beirute.

São 15h10min de domingo, e o bairro de Dahieh está novamente sob fogo israelense: está repleto de escombros há dois anos. Entre os prédios amontoados em um aglomerado de 800 mil pessoas, está a sede política do Hezbollah e milhares de famílias como a de Ali. A energia elétrica acabou, e eles precisam descer as escadas. A avó não consegue andar, então Ali a carrega nos ombros. As irmãs pegam o que conseguem e enfiam nas malas. O pai delas, Hassan, está voltando para casa para buscá-las: "Levamos um minuto para sair pelas ruas vazias de domingo", as ruas chocadas pelo ataque, "mas levamos uma hora para sair do bairro", diz ele.

Dahieh, que antes fervilhava de otimismo, agora está deserta sob os bombardeios israelenses. "Estou cansada desta vida", diz Fatima Darwish, de 55 anos. "É a quarta vez que fugimos em três meses. Vou para a casa da minha irmã, mas ela só tem um quarto e uma sala: meus três filhos e eu teremos que dormir todos no mesmo quarto." Seu marido permanece em Dahieh. "Preciso pensar no meu minimercado; voltarei a dormir em casa."

Cenas de uma guerra repleta de ameaças e desdobramentos. O ataque israelense ocorre em um momento extremamente delicado. Israel acusou militantes xiitas, aliados a Teerã, de lançar foguetes contra o norte do país. Uma das condições estabelecidas no acordo alcançado por meio de negociações diretas em Washington era que as Forças de Defesa de Israel (IDF) cessariam os ataques a Beirute caso o Hezbollah interrompesse os lançamentos. Mas o avanço das IDF prossegue com extrema determinação e violência. Mais de 3.500 mortes em três meses, o padrão é o mesmo de Gaza: ordens de evacuação, bombardeios, avanços e novas evacuações que reiniciam o ciclo, forçando as mesmas famílias a fugir repetidamente para áreas que já não são seguras. Cada vez mais ao norte: a Linha Amarela, depois a Linha Litani, a Linha Zahrani, e agora nem isso basta.

Bombas caem diariamente no sul. Ontem foi a vez de Tiro. Enquanto mísseis, drones e projéteis de artilharia devastam vilarejos no interior, Israel emitiu ordens de evacuação na cidade fenícia, atingindo mais uma vez prédios a poucos passos das ruínas romanas. O núncio apostólico, Arcebispo Paolo Borgia, esteve na cidade ontem: visitou o antigo bairro cristão "para tranquilizar os moradores", acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior da UNIFIL, General Sanzey. A visita incluiu um "passeio pelo antigo bairro cristão e reuniões com moradores, dos quais ouvimos suas crescentes preocupações" após o aviso de Israel de expulsar os milicianos refugiados. Israel também havia ameaçado realizar "operações militares" na região: "Trago-lhes o amor e a alegria do Papa; vocês são promotores da paz e construtores da coexistência", disse o arcebispo.

Mas foi o ataque em Beirute que mudou tudo. Dois mortos e onze feridos. A multidão, os socorristas, os gritos. Israel afirma que o ataque foi "simbólico" e que avisou Trump antes de lançá-lo. O presidente americano alega estar "a um passo de um acordo" com o Irã e diz que gostaria de ver as Forças de Defesa de Israel realizarem "ataques cirúrgicos" contra o Hezbollah. Foi esse o caso em Dahieh? "Não estou feliz", diz ele. O Irã havia ameaçado retomar os ataques contra Israel caso as Forças de Defesa de Israel atacassem Beirute, e na noite passada lançou seus mísseis. "Tchau, estou arrumando minhas malas", dizem em Dahieh.

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