26 Março 2026
Desde o primeiro Ângelus horas após o lançamento das bombas até o apelo de hoje em Castel Gandolfo, Leão XIV e o Vaticano se manifestaram contra o conflito uma dúzia de vezes. A resposta de Trump: "Não quero um cessar-fogo."
A reportagem é de Christopher Hale, publicada por Letters from Leo, 23-03-2026.
Na tarde de terça-feira, o Papa Leão XIV fez uma pausa ao sair da Villa Barberini, em Castel Gandolfo, para se dirigir a um grupo de jornalistas. Sua mensagem durou menos de um minuto: "Desejo renovar o apelo por um cessar-fogo, para trabalharmos pela paz, mas não com armas — com diálogo, buscando verdadeiramente uma solução para todos."
Essa foi pelo menos a décima segunda vez em vinte e cinco dias que o papa e o Vaticano pediram publicamente o fim da guerra com o Irã.
Desde 28 de fevereiro — a noite em que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã, matando o Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei e dezenas de altos funcionários — Leão tem usado todas as plataformas disponíveis: discursos do Ângelus, audiências papais, homilias em paróquias romanas, um vídeo de oração mensal, discursos para executivos de companhias aéreas e capelães militares, e mensagens transmitidas por meio de seu Secretário de Estado e do Patriarca Latino de Jerusalém.
“O ódio está aumentando”, disse ele hoje, “e a violência está piorando cada vez mais. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e há muitos mortos.”
A Casa Branca tratou cada apelo como um incômodo. O presidente Trump disse à EWTN em 20 de março que não tinha interesse em conselhos de paz do Papa. Questionado dois dias depois sobre as últimas declarações de Leão, Trump foi direto: "Eu não quero um cessar-fogo."
Leão, no entanto, prosseguiu. Nenhum papa moderno sustentou uma campanha pública de tal alcance e duração contra uma operação militar americana em andamento. João Paulo II opôs-se à invasão do Iraque em 2003, mas suas principais intervenções ocorreram sobretudo antes do início da guerra. Bento XVI falou de paz em termos mais gerais.
Francisco condenou o comércio de armas e alertou para uma “Terceira Guerra Mundial fragmentada”, mas nunca dirigiu uma série de apelos contínuos, ao longo de semanas, aos arquitetos de um conflito americano em curso.
O papa americano — nascido em Chicago, criado na tradição católica que formou Dorothy Day e Thomas Merton — trava um confronto moral diário com a máquina de guerra de seu próprio país.
Ele disse aos líderes cristãos responsáveis pelos combates que se confessassem. A violência, declarou, constitui um escândalo perante Deus e a humanidade. Ontem, diante de uma sala repleta de executivos de companhias aéreas italianas, ele pediu a abolição permanente dos bombardeios aéreos.
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