“O ódio está aumentando” — Por dentro da campanha de 25 dias do Papa Leão XIV contra a guerra com o Irã

Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • O sequestro do Santíssimo Sacramento. Artigo de Guillermo Jesús Kowalski

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: "Orai e vigiai": a Igreja Católica e a ação da extrema-direita. Artigo de Maurício Abdalla

    LER MAIS
  • O pesquisador e autor do livro Plantas Sapiens nos desafia a pensar com empatia para expandir nossas formas de compreender e perceber o mundo

    O despertar de uma consciência humana que surge da experiência vegetal. Entrevista especial com Paco Calvo

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Março 2026

Desde o primeiro Ângelus horas após o lançamento das bombas até o apelo de hoje em Castel Gandolfo, Leão XIV e o Vaticano se manifestaram contra o conflito uma dúzia de vezes. A resposta de Trump: "Não quero um cessar-fogo."

A reportagem é de Christopher Hale, publicada por Letters from Leo, 23-03-2026.

Na tarde de terça-feira, o Papa Leão XIV fez uma pausa ao sair da Villa Barberini, em Castel Gandolfo, para se dirigir a um grupo de jornalistas. Sua mensagem durou menos de um minuto: "Desejo renovar o apelo por um cessar-fogo, para trabalharmos pela paz, mas não com armas — com diálogo, buscando verdadeiramente uma solução para todos."

Essa foi pelo menos a décima segunda vez em vinte e cinco dias que o papa e o Vaticano pediram publicamente o fim da guerra com o Irã.

Desde 28 de fevereiro — a noite em que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã, matando o Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei e dezenas de altos funcionários — Leão tem usado todas as plataformas disponíveis: discursos do Ângelus, audiências papais, homilias em paróquias romanas, um vídeo de oração mensal, discursos para executivos de companhias aéreas e capelães militares, e mensagens transmitidas por meio de seu Secretário de Estado e do Patriarca Latino de Jerusalém.

“O ódio está aumentando”, disse ele hoje, “e a violência está piorando cada vez mais. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas e há muitos mortos.”

A Casa Branca tratou cada apelo como um incômodo. O presidente Trump disse à EWTN em 20 de março que não tinha interesse em conselhos de paz do Papa. Questionado dois dias depois sobre as últimas declarações de Leão, Trump foi direto: "Eu não quero um cessar-fogo."

Leão, no entanto, prosseguiu. Nenhum papa moderno sustentou uma campanha pública de tal alcance e duração contra uma operação militar americana em andamento. João Paulo II opôs-se à invasão do Iraque em 2003, mas suas principais intervenções ocorreram sobretudo antes do início da guerra. Bento XVI falou de paz em termos mais gerais.

Francisco condenou o comércio de armas e alertou para uma “Terceira Guerra Mundial fragmentada”, mas nunca dirigiu uma série de apelos contínuos, ao longo de semanas, aos arquitetos de um conflito americano em curso.

O papa americano — nascido em Chicago, criado na tradição católica que formou Dorothy Day e Thomas Merton — trava um confronto moral diário com a máquina de guerra de seu próprio país.

Ele disse aos líderes cristãos responsáveis ​​pelos combates que se confessassem. A violência, declarou, constitui um escândalo perante Deus e a humanidade. Ontem, diante de uma sala repleta de executivos de companhias aéreas italianas, ele pediu a abolição permanente dos bombardeios aéreos.

Leia mais