16 Janeiro 2026
A história incomoda a muitos: atitudes antissemitas, segundo a teóloga Regina Polak, podem ser encontradas em ambos os extremos do espectro político. O que a preocupa e quais desafios ela identifica – especialmente entre os cristãos.
A informação é publicada por katolisch.de, 15-01-2026.
A teóloga Regina Polak está preocupada com o aumento do antissemitismo em todo o mundo. Em entrevista aos jornais da igreja austríaca na quarta-feira, a nova presidente do Comitê de Coordenação Austríaco para a Cooperação Cristão-Judaica alertou: "O antissemitismo é como um camaleão e muda sua aparência ao longo da história."
O estudo "No que a Áustria acredita?", conduzido por seu instituto em 2024 em parceria com a ORF, mostrou que o antissemitismo está aumentando em toda a sociedade. Uma cultura de memória, por exemplo, não é bem-vista. Cerca de 40% das pessoas são "contrárias a sempre relembrar o fato de que judeus foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial". Nos extremos esquerdo e direito do espectro político, o antissemitismo é particularmente forte. "À direita ainda mais do que à esquerda, mas também à esquerda", disse a professora de Teologia Prática e Diálogo Inter-religioso da Universidade de Viena.
Crítica a Israel
Um dos maiores desafios é, certamente, o antissemitismo relacionado a Israel. Muitas vezes, estereótipos levam à deslegitimação ou demonização de Israel ou à aplicação de critérios duplos. Polak ressaltou: "A crítica a decisões do governo em Israel deve – como em outros países – abordar problemas de direitos humanos, de direito internacional ou políticos, mas não questionar o direito de existência do Estado de Israel."
Sobre a necessidade contínua de uma cultura de memória, Polak disse: "Desejo que haja na Áustria uma crescente consciência de que a história não acabou. Não para as famílias judaicas, cujas famílias foram exterminadas. E também não para aquelas famílias que lidaram pouco com o papel que seus antepassados desempenharam na época nazista."
Ser cristão precisa do judaísmo
Segundo Polak, ser cristão não faz sentido sem referência ao judaísmo. O diálogo inter-religioso é "não apenas um hobby, mas, na verdade, uma obrigação para os fiéis". É preciso conhecer bem a própria tradição e a dos outros, disse Polak. Isso pode trazer muita alegria: a teóloga lembrou de um evento com um rabino, "no qual interpretamos juntos textos do Antigo Testamento". Foi muito enriquecedor perceber a riqueza de significados nos textos. Na tradição judaica, há um grande apreço pela diversidade de interpretações: "Isso trouxe um enorme aprofundamento da minha própria fé."
Polak admitiu na entrevista que tradições antijudaicas estão profundamente enraizadas na matriz da igreja e da teologia. É importante "estar ciente disso para que teologia e fé possam se desenvolver". O Concílio Vaticano II (1962-1965), com a declaração Nostra aetate sobre a relação com outras religiões, trouxe uma virada na compreensão do judaísmo. Desde então, muitos outros documentos surgiram nessa direção, elogiou Polak: "O magistério católico está, nesse ponto, à frente da teologia encontrada globalmente e muitas vezes é pouco reconhecido." O Papa João Paulo II (1978-2005) não pode ser superestimado nesse aspecto teológico. (KNA)
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