O conflito na Ucrânia estende o século breve. Artigo de Mario Giro

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13 Mai 2022

 

"Em trinta anos de globalização, pensava-se poder dispensar inclusive as regras multilaterais: assim nos descobrimos sem rede de proteção. Agora é hora de reconstruir um sistema totalmente novo em um mundo desordenado e instável", escreve o cientista político italiano Mario Giro, professor de Relações Internacionais na Universidade para Estrangeiros de Perugia, na Itália, em artigo publicado por Domani, 12-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A guerra na Ucrânia estende o século XX: de “século breve”, que terminou entre 1989 e 1991, com o fim da URSS e da guerra fria, se estende até este fatídico 2022. Assim se torna o "século longo": o XX que estende suas tramas no XXI.

 

Com ele terminam trinta anos de paz (relativa) e domínio (quase total) da economia sobre a política. Foi a época da globalização que interligou tudo e todos em nome da eficiência e da otimização, um neologismo feio que moldou as relações internacionais.

 

A ideia era que a economia promoveria a paz, a estabilidade e a prosperidade geral porque o comércio odeia as guerras e - se for deixado livre para agir - ajuda todos a enriquecer. Era verdade apenas parcialmente. Nestas três décadas, a pobreza global diminuiu efetivamente, mas as desigualdades se acentuaram: apenas alguns enriqueceram; muitos outros não mudaram em nada ou empobreceram. Em outras palavras: a riqueza aumentou, mas sua distribuição foi péssima o suficiente a ponto de aumentar as tensões e desmentir a promessa de estabilidade e paz.

 

Embora solicitado, o sistema neoliberal não conseguiu se corrigir, apostando nos efeitos quantitativos sem considerar aqueles qualitativos.

 

O resultado está à vista de todos: raiva generalizada, rancor social mesmo nas sociedades ricas, retomada das identidades locais ou nativista-indigenistas, populismos e wokismos, nostalgias soberanistas e retomada dos nacionalismos...

 

Estados que viram escapar as chaves do controle financeiro, monetário e às vezes até econômico tout court.

 

O paradoxo foi que o cidadão continuava a pedir a um Estado enfraquecido o apoio (em casos de fragilidade) e os serviços educacionais, de saúde e sociais (para todos) que não podia mais fornecer, enquanto a privatização não conseguia cobrir essas necessidades.

 

Os efeitos bumerangue de um sistema que não conseguiu se autorreformar se fortaleceram, a ponto de repropor instabilidades que se julgavam ultrapassadas.

 

A fragmentação social somada à fragilidade dos Estados explodiu em várias crises, começando pelas áreas mais frágeis (mundo árabe, África e América Central) para depois contaminar todos.

 

Em trinta anos de globalização, pensava-se poder dispensar inclusive as regras multilaterais: assim nos descobrimos sem rede de proteção. Agora é hora de reconstruir um sistema totalmente novo em um mundo desordenado e instável.

 

A tendência a cometer erros será maior, a concorrência entre as nações será acirrada, o risco de conflitos aumentará.

 

As regras do final do século XX não valem mais: é preciso encontrar um novo consenso ou repropor as velhas regras revisadas e corrigidas.

 

Este é a magnitude da situação que espera aqueles que negociarão entre Rússia e Ucrânia: talvez não seja a guerra entre a OTAN e Moscou, mas certamente terá que se tornar o modelo para a paz de todos.

 

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