Quando o papa bate na porta de Putin. Artigo de Tonio Dell’Olio

Fonte: Vatican News

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08 Mai 2022

 

A resistência de Moscou a uma proposta de encontro entre o papa e Putin poderia ser lida, por si só, como um sucesso no tabuleiro de xadrez, exceto pelo fato de que o único ponto de observação que nos diz respeito é o das vítimas. Ao seu grito de dor, o Kremlin parece indiferente ou, pior, usa-se dele para alcançar uma vitória militar.

 

A opinião é de Tonio Dell’Olio, padre, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 06-05-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Eis o texto.

 

Houve um tempo em que, para os líderes europeus (e não só), ir falar com Putin representava uma espécie de status symbol. Quase todos já foram ao encontro dele, ou quase todos. Muitas vezes, as pessoas iam ao seu encontro para escapar das críticas da oposição na sua própria nação e para que não se pudesse acusar aquele governo de inoperância.

 

Alguns fizeram isso com maior diligência, e outros com muita visibilidade, alguns – mas não cabe a nós julgar – acreditando até o fim em alguma abertura por parte do líder do Kremlin, e alguns outros para demonstrar, em todo o caso, uma atenção à crise russo-ucraniana.

 

Ficamos sabendo agora que apenas o Papa Francisco não recebeu uma resposta, e é legítimo se perguntar por quê.

 

Talvez a autoridade e a credibilidade do interlocutor-papa sejam tamanhas a ponto de não ser possível se limitar a se sentar ao redor de uma mesa quilométrica para recitar um papel inconclusivo? Ou Putin teme a imprevisibilidade de um papa que outras vezes já se inclinou para beijar os pés de outros antagonistas ou emitiu declarações sem o filtro da diplomacia?

 

A resistência de Moscou a essa proposta de encontro poderia ser lida, por si só, como um sucesso no tabuleiro de xadrez, exceto pelo fato de que o único ponto de observação que nos diz respeito é o das vítimas. Ao seu grito de dor, o Kremlin parece indiferente ou, pior, usa-se dele para alcançar uma vitória militar.

 

Por outro lado, continua-se batendo naquela porta para esperar na paz. Aquela verdadeira, e não a dos cemitérios.

 

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