O patriarca de Moscou abençoa a “guerra anti-gay”

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09 Março 2022

 

A missa acabou, não ides em paz. Por quase duas semanas, a igreja russa se perguntou o que seu líder absoluto pensava sobre a guerra. Agora, talvez padres e diáconos ortodoxos se arrependam dos tempos em que ainda não o sabiam. Em seu sermão no Domingo do Perdão, o Arcebispo Kirill, 16º Patriarca de Moscou e de todas as Rússias, descreveu o Orgulho Gay como um divisor de águas entre o bem e o mal. "Estamos falando de algo que vai além das convicções políticas. Estamos falando da salvação humana. Estamos em uma guerra que assumiu um significado metafísico. As paradas gays demonstram que o pecado é uma variável do comportamento humano".

 

A reportagem é de Marco Imarisio, publicada por Corriere della Sera, 08-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

"Esta guerra é contra aqueles que apoiam os homossexuais, como o mundo ocidental, e tentaram destruir o Donbass apenas porque esta terra opõe uma rejeição fundamental aos chamados valores oferecidos por quem reivindica o poder mundial”.

 

Cirilo I, ou Kirill em russo, depois rezou pelo sofrimento dos soldados. Aqueles russos, supõe-se. Ele não proferiu uma palavra sobre os sofrimentos dos civis na Ucrânia e sobre as igrejas destruídas por bombas. Não é uma saída aleatória. E nem mesmo uma esquisitice, por mais vulgar que seja. Estas são palavras que pesam.

 

A Igreja Ortodoxa da Rússia vive o conflito na Ucrânia como o primeiro grande teste desde o fim da URSS. Nos últimos trinta anos tornou-se mais ecumênica, conseguindo colocar-se como consciência nacional, graças também a Kirill, muito querido em sua pátria. Mas seu relacionamento cada vez mais próximo com Vladimir Putin atrapalhou sua missão, como muitos religiosos vêm lastimando já há algum tempo. É como se, atendendo a vontade do Kremlin, a Igreja Russa tivesse aceitado um retorno progressivo de assentimento silencioso e nada mais. Fiel à linha. Em uma única linha, porque as opiniões de Putin sobre homossexualidade, drogas e vacinas são aquelas que ecoam nos discursos do patriarca.

 

A Catedral de Kazan na Praça Vermelha é o símbolo desse entendimento profundo. Foi Boris Yeltsin quem mandou construí-la, mas é Putin que continua a valorizá-la com suas visitas e doações, como se fosse prova de uma proximidade, não só física, do poder temporal ao poder político.

 

Em 2 de março passado, 431 sacerdotes e diáconos da Igreja Ortodoxa assinaram uma carta aberta na qual pediam o fim da operação especial da Rússia na Ucrânia, chamando-a por seu verdadeiro nome, "guerra". Os sacerdotes acrescentavam que sentiam pena "por esta dura prova a que nossos irmãos e irmãs ucranianos foram submetidos, sem nenhuma culpa". "Apelamos às pessoas que podem pôr fim a esta guerra, com um apelo à pacificação e à cessação imediata do fogo." Entre as assinaturas estavam também aquelas de três bispos da igreja de Moscou, considerada a Terceira Roma, a mais importante. Poucos dias depois desta mensagem, chegou outra assinada por numerosos teólogos e religiosos, e dirigida diretamente a Kirill, depois de sua resposta ao apelo do Papa Francisco ter sido uma promessa branda de assumir "uma posição de manutenção da paz, mesmo diante dos conflitos existentes".

 

No domingo, Kirill respondeu a todos. Naquele mesmo dia, na distante região de Kostromà, o sacerdote da igreja na aldeia de Karabanovo concluiu seu sermão dizendo não à guerra e lendo uma passagem do Antigo Testamento: "Não matar". Duas horas depois, a polícia bateu à sua porta. O padre Ioann Burdin tornou-se o primeiro religioso a quem foram aplicadas as novas leis sobre a chamada "operação militar especial". “Sou contra o homicídio, seja de quem for”, disse o jovem religioso, que agora corre o risco de ser preso. "Seja de russos, ucranianos ou qualquer um que derrame o sangue alheio." Não existe uma única Igreja. Nem mesmo na Rússia.

 

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