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01 Dezembro 2021

 

Após a controvérsia, será reescrito o documento da Comissão Europeia que convida a não utilizar palavras e nomes que não garantiriam "o direito de toda pessoa a ser tratada em pé de igualdade". O cardeal Parolin tinha também expressado a sua oposição: "Não é assim que se combatem as discriminações".

 

A reportagem é de Massimiliano Menichetti, publicada por Vatican News, 30-11-2021.

 

Infelizmente, a tendência é a de padronizar tudo. Não sabendo respeitar as justas diferenças, no final corre-se o risco de destruir a pessoa. Este é o comentário do secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, após a divulgação de um documento interno que teria como objetivo evitar discriminações e convidar à inclusão.

No manual para uma comunicação mais adequada, há o convite a dar preferência a expressão "período de festividades" ao invés de "período de Natal". De fato, para garantir o direito de "cada pessoa a ser tratada com igualdade", eliminam-se palavras como "Senhora" e "Senhor", mas também "Natal" e nomes como "Maria" ou "João". "Não estamos proibindo o uso da palavra Natal", disse um porta-voz da Comissão Europeia.

 

Eminência, qual seu pensamento sobre este assunto? Por que isso acontece?

 

Eu acredito que seja correta a preocupação de eliminar todas as discriminações. É um caminho sobre o qual temos adquirido cada vez mais consciência e que, naturalmente, deve traduzir-se também no campo prático. No entanto, a meu ver, certamente esse não é o caminho para atingir esse objetivo. Porque no final se corre o risco de destruir, aniquilar a pessoa, em duas direções principais. A primeira, aquela da diferenciação que caracteriza o nosso mundo, a tendência infelizmente é de padronizar tudo, não sabendo respeitar nem mesmo as corretas diferenças, que naturalmente não devem se tornar contraposição ou fonte de discriminação, mas devem se integrar justamente para construir uma humanidade plena e integral.

A segunda: o esquecimento daquilo que é uma realidade. E quem vai contra a realidade se coloca em sério perigo. E depois há o cancelamento daquilo que são as raízes, sobretudo no que diz respeito às festas cristãs, à dimensão cristã também da nossa Europa. Claro, nós sabemos que a Europa deve a sua existência e a sua identidade a muitas contribuições, mas certamente não se pode esquecer que uma das contribuições principais, senão a principal, foi precisamente o cristianismo. Portanto, destruir a diferença e destruir as raízes significa destruir a pessoa.

 

O Papa prepara-se para partir para uma viagem na Europa onde certamente a cultura, a tradição e os valores marcam um caminho de acolhimento. No entanto, há quem continue a construir uma Europa que elimina as suas raízes...

 

Sim, parece-me que o Papa, também na mensagem em vídeo que dirigiu à Grécia e a Chipre antes da sua partida há poucos dias, sublinha precisamente esta dimensão europeia: isto é, ir às fontes da Europa, portanto reencontrar aqueles que são os elementos constituintes. Certamente, a cultura grega é um desses elementos. Depois, o Papa também se refere a Chipre como uma das ramificações europeias da Terra Santa. Portanto, me parece que essa viagem chegue justamente na hora certa, é uma viagem que nos remete precisamente a essas dimensões fundamentais que não podem ser canceladas. Devemos redescobrir a capacidade de integrar todas essas realidades sem ignorá-las, sem combatê-las, sem eliminá-las e marginalizá-las.

 

 

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