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18 Outubro 2021

 

Na mensagem de vídeo aos movimentos populares, o convite do Papa Francisco aos poderosos da terra para mudar “um sistema de morte”. O apelo para a renda mínima e para a redução da jornada de trabalho. Sobre as vacinas: as patentes devem ser liberadas. “Em nome de Deus” o alerta para a moratória da dívida nos países pobres, para o banimento das armas, para o fim das agressões e das sanções. Chega de fake news.

A reportagem é de Gianni Cardinale, publicada por Avvenire, 17-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Salário universal” e “redução da jornada de trabalho”. Estas são as duas "medidas concretas" que o Papa Francisco lança para superar a crise econômica e social agravada pela pandemia. Faz isso no final de uma longa mensagem de vídeo em espanhol enviada aos participantes da segunda sessão do IV Encontro Mundial dos Movimentos Populares (Emmp), que aconteceu ontem online.

Para o Pontífice, a pandemia "mostrou as desigualdades sociais que afetam nossos povos e expôs - sem pedir licença nem desculpa - a situação angustiante de tantos irmãos e irmãs, aquela situação que tantos mecanismos de pós-verdade não conseguiram ocultar". E perante esse desafio, não se pode "voltar aos padrões anteriores" porque "seria realmente suicida e, se me permitem forçar um pouco as palavras, ecocida e genocida". O Pontífice recorda que em Fratelli tutti escolheu a parábola do Bom Samaritano como "a representação mais clara" de uma "escolha empenhada com o Evangelho". E revela que neste momento, quando pensa no Bom Samaritano, vem à sua mente os movimentos populares e até "os protestos pela morte de George Floyd".

Francisco lança, "em nome de Deus", um apelo sincero aos "grandes laboratórios" para "liberar as patentes". Aos “grupos financeiros e organizações internacionais de crédito” para “perdoar as dívidas dos países pobres”. As "grandes mineradoras" para parar de "destruir", "poluir" e "intoxicar". Às "grandes empresas de alimentos" para "parar de impor estruturas monopolistas" que deixam os povos famintos. Aos “fabricantes e traficantes de armas” que “cessem completamente a sua atividade”. Aos "gigantes da tecnologia", para "parar de explorar a fragilidade humana" em um mundo onde estão aumentando o "aliciamento", as "fake news" e as "teorias da conspiração".

Aos “gigantes das telecomunicações” para “liberalizar o acesso a conteúdos educacionais”. Aos "meios de comunicação" para "acabar com a lógica da pós-verdade, da desinformação, da difamação, da calúnia e daquela atração doentia pelo escândalo e pelo túrbido". Aos "países poderosos" para repudiar todas as formas de "neocolonialismo" e "cessar as agressões, os embargos e as sanções unilaterais", resolvendo conflitos "em instâncias multilaterais como as Nações Unidas". Em suma, é preciso mudar “um sistema de morte” desejado pelo poder político e econômico.

O Pontífice convida a enfrentar “os discursos populistas de intolerância, xenofobia, aporofobia - que é o ódio pelos pobres”. E explica que se "entristece" quando "é catalogado com uma série de epítetos", com uma "adjetivação desacreditadora" somente porque lembra a Doutrina Social da Igreja. Ataques que fazem parte da “trama da pós-verdade que busca anular qualquer busca humanística alternativa à globalização capitalista”, que fazem parte da “cultura do descarte” e “do paradigma tecnocrático”.

Mas o que fazer de concreto? “Não tenho a resposta - diz o Papa - por isso devemos sonhar juntos e encontrá-la juntos”. No entanto, ele continua, "existem medidas concretas que talvez permitam algumas mudanças significativas”. Em encontros anteriores, lembra Francisco, “falamos de integração urbana, agricultura familiar, economia popular”. “A estas, que ainda pedem para continuar a trabalhar juntos para as concretizar - acrescenta -, gostaria de acrescentar mais duas: o salário universal e a redução da jornada de trabalho”.

No século XIX "os operários trabalhavam doze, catorze, dezesseis horas por dia". Quando conquistaram a jornada de oito horas, “nada desabou, como alguns setores previram”. “Portanto - insiste o Papa - trabalhar menos para que mais pessoas tenham acesso ao mercado de trabalho é um aspecto que devemos explorar com certa urgência”. Porque “não pode existir tantas pessoas que sofrem de excesso de trabalho e muitas outras que sofrem pela falta de trabalho”. Francisco está bem ciente de que as medidas propostas são "necessárias, mas naturalmente não suficientes". No entanto, são "medidas possíveis e marcariam uma mudança positiva de direção".

Por último, o Papa reitera o seu convite a “colocar a economia ao serviço dos povos para construir uma paz duradoura baseada na justiça social e no cuidado da casa comum”. Daí a exortação aos movimentos populares para que não se deixem "manietar" ou "corromper". E continuar “a levar adiante a sua agenda de terra, casa e trabalho”. A agenda, em espanhol, das três T's: tierra, techo y trabajo.

 

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