Caminho sinodal: decidir com coragem evangélica, Apelo de teólogos e teólogas

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30 Setembro 2021

 

Apelo da comunidade teológico-pastoral de língua alemã a todos os participantes do Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha, para que se entre na fase de decisão com coragem evangélica, acolhendo o impulso e a vontade sinodal do Papa Francisco.

O apelo é da Associação para a Teologia Pastoral de Língua Alemã, publicado por Settimana News, 29-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o texto.

 

Atentos e preocupados com a nossa Igreja, apoiamos os esforços do Caminho Sinodal, que visam enfrentar as causas sistémicas da crise devida aos abusos, através de uma autoconversão evangelizadora da Igreja.

Representamos uma comunidade acadêmica científica da qual fazem parte não só a maioria das cátedras de teologia pastoral de língua alemã, junto com os jovens pesquisadores que ali atuam, mas também numerosas pessoas empenhadas em nível eclesial.

Como teólogas e teólogos, que vivem uma relação concreta com o âmbito pastoral, percebemos a esperança que muitas católicas e católicos alemães têm a respeito do Caminho Sinodal. No entanto, também sentimos a sua dor pela ruptura que existe entre a mensagem de Jesus do Evangelho e as estruturas eclesiais. Também entendemos as razões pelas quais a sua paciência está desaparecendo diante de reformas que demoram a aparecer e que já são devidas há tempo.

O que podemos observar é uma enorme perda de credibilidade em nível institucional, que conduz a uma dramática exculturação eclesial do Evangelho: nas paróquias, na pastoral da saúde, no âmbito social, na pastoral dos jovens e no ensino público da religião.

Apoiamos as orientações teológicas básicas do Caminho Sinodal porque aqui a práxis pastoral de todo o povo de Deus é entendida não apenas como âmbito de aplicação de princípios dogmáticos, mas também e sobretudo como lugar para seu ulterior desenvolvimento criativo a partir da força criadora do Espírito de Deus.

Na esteira da Constituição pastoral Gaudium et spes, a vivência dos homens e das mulheres é um lugar teológico; cuja autoridade, no passado, fez com que novas experiências pudessem sempre encontrar de novo um contato e uma conexão com a fé da Igreja. A tradição de hoje era o novo daquela época; e o novo de hoje é a tradição de amanhã. Só assim pode ser bem-sucedida uma evangelização recíproca de Igreja e sociedade.

No final de setembro, o Caminho Sinodal entrará em uma nova fase que terá um caráter vinculante: é precisamente aqui que se decide, para muitas pessoas, a credibilidade pastoral da Igreja. E também para muitos católicos e católicas empenhados na Igreja, neste ponto, surge a questão de permanecer ou não nela.

Por isso, pedimos aos bispos e a todos os que fazem parte do Caminho Sinodal que se empenhem, com determinação e coragem, para uma autoevangelização sinodal da Igreja. Porque é somente por meio dela que uma renovada inculturação eclesial do Evangelho se torna possível hoje em nosso contexto sócio-civil.

Em particular, pedimos:

- a todos os participantes do Caminho Sinodal, que se confrontam com a urgência e a magnitude das decisões a tomar, não só de enfrentar com convicção o que já agora é possível ao nível das Igrejas locais, mas também para se empenhar com coragem ao de uma Igreja universal para iniciar um desenvolvimento orgânico dos conteúdos doutrinais e do direito canônico;

- aos bispos de se vincularem já agora, por sua própria vontade, com aqueles que serão as resultados das decisões tomadas pelo Caminho Sinodal. Desta forma, eles mostrariam que levam a sério o sentido da fé do povo de Deus. A autoridade dos bispos entre o resto do povo de Deus se decide justamente nesta medida: aquela de um crescimento de autoridade por meio de uma renúncia à soberania;

- a todos os envolvidos no Caminho Sinodal, de intensificar a sua comunicação em nível global da Igreja (em particular com a Cúria Romana), a fim de poder mostrar a falta de fundamento da acusação de uma intenção cismática do Caminho Sinodal. De fato, visa antes uma reforma da Igreja que esteja à altura do Evangelho - que se atesta na linha naquele processo sinodal desejado e promovido pelo Papa Francisco.

O Caminho Sinodal poderia ser, para muitas gerações, a última ocasião para a Igreja Católica na Alemanha recuperar a credibilidade perdida.

As estruturas assimétricas de poder, o clericalismo habitual, a injustiça de gênero profundamente ancorada no tecido eclesial e uma moral sexual distante e alheia à vivência cotidiana das pessoas não devem mais ser um obstáculo ao Evangelho.

Redigido, em nome da Assembleia dos Membros e do Conselho, pelo Gabinete da presidência da Associação para a Teologia Pastoral de Língua Alemã e pelos teólogos/teólogas pastorais que participam do Caminho Sinodal.

 

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