Haiti vive uma situação limite: cerca de 4 milhões de pessoas com insegurança alimentar severa

Foto: Timothy Barlin | Unsplash

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01 Março 2021

A Conferência Episcopal Haitiana lamenta: “a vida cotidiana do povo haitiano se reduz à morte, ao assassinato, à impunidade e à insegurança O descontentamento está em todas as partes, quase em todas as áreas”.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 28-02-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

No último relatório do secretário-geral das Nações Unidas sobre a situação no Haiti, publicado nos últimos dias, indica, no que diz respeito aos serviços sociais básicos e a resiliência das famílias, que a deterioração da situação econômica, a produção agrícola abaixo da média e a insegurança persistente estancou o avanço do desenvolvimento e agravou a situação humanitária, que já é preocupante no Haiti.

Segundo o Panorama das necessidades humanitárias do Haiti para 2021, programado para março de 2021, 4,4 milhões de pessoas necessitarão assistência humanitária durante o ano. Para satisfazer estas necessidades, o Plano de Respostas Humanitária 2021-2022, que será lançado no início de março, está dirigido a 1,5 milhão de pessoas mais vulneráveis em 65 dos 146 municípios.

Será necessário um montante de 235,6 milhões de dólares para financiar este plano. A maioria das necessidades humanitárias no Haiti são crônicas e se devem a déficits de desenvolvimento. Portanto, é de suma importância concretar os vínculos entre a ação humanitária, o desenvolvimento e a paz para reduzir os fatores de risco e vulnerabilidade que estão na origem das necessidades humanitárias.

Nesta difícil situação humanitária, as taxas de insegurança alimentar e desnutrição aumentaram durante o último ano. A inflação, os baixos rendimentos dos cultivos devido às chuvas abaixo do normal e as restrições vinculadas à pandemia reduziram o poder aquisitivo dos lares mais pobres e sua capacidade para acessar os alimentos, ainda que os preços dos produtos alimentícios diminuíram ligeiramente nos últimos meses, devido à depreciação do dólar frente ao gourde haitiano.

Apesar da queda dos preços, a última análise baseada no Marco de Classificação Integrada de Segurança Alimentar mostra que em torno de 4 milhões de pessoas sofreram insegurança alimentar severa entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021.

No Haiti, a insegurança e os sequestros estiveram presentes cada dia, há algum tempo. Nenhum dos estratos sociais do país se salva, o que gera um temor generalizado entre a população haitiana. Enquanto cai a noite, as ruas ficam praticamente vazias.

A Conferência Episcopal do Haiti lamenta que o país, totalmente inabitável, esteja à beira da explosão: “a vida cotidiana do povo haitiano se reduz à morte, ao assassinato, à impunidade e à insegurança. O descontentamento está em todas as partes, em quase todas as áreas”. Algumas questões são quase impossíveis de gerir, como: como estabelecer um conselho eleitoral provisório, como redigir outra constituição”. Assim não é apenas a devastação que faz com que o país esteja totalmente inabitável, lamentam os bispos, que consideram esta situação inaceitável.

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