“Sem Putin e sem Kirill”. Foi eleito o Primaz da nova Igreja ortodoxa ucraniana

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18 Dezembro 2018

O Primaz da nova Igreja ortodoxa ucraniana autocéfala, independente do Patriarcado de Moscou, é o Metropolita Epifanio Dumenko, até agora encarregado de Pereaslav e Bila Tserkva. Membro autorizado e candidato apoiado pelos bispos do chamado “Patriarcado de Kiev”, comunidade eclesial criada pelo ancião Metropolita Filarete, que até poucos meses era considerada uma entidade cismática por parte de todas as Igrejas canônicas da Ortodoxia. O novo Primaz foi eleito pelo “Concílio de Unificação”, convocado pelo Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, ocorrido na Catedral de Santa Sofia de Kiev. O anúncio da eleição foi comunicado à multidão de milhares de ucranianos que esperavam fora da catedral pelo Ministro da Cultura ucraniano. Após o anúncio, o novo Primaz saiu da catedral acompanhado pelo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, o presidente do Parlamento ucraniano, Andriy Parubiy, e o Metropolita Emanuel de Francia, representante do Patriarcado de Constantinopla.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada por Vatican Insider, 16-12-2018. A tradução é do Cepat.

Em seu discurso, o presidente Poroshenko anunciou a criação da “Igreja ortodoxa local autocéfala da Ucrânia”, insistindo em que a nova Igreja estará “sem Putin e sem Kirill” (o Patriarca de Moscou), mas com “Deus e com a Ucrânia”. Em sua primeira intervenção, diante da praça cheia, o novo Primaz Epifanio agradeceu ao presidente Poroshenko por sua contribuição na criação da nova realidade eclesial e fez uma homenagem ao Metropolita Filarete, que se proclamou Patriarca de Kiev em 1995, a quem definiu como “pai espiritual de todos os ucranianos”.

Participaram do Concílio de Unificação 192 representantes das realidades eclesiais ortodoxas presentes na Ucrânia, incluindo mais de 40 bispos do autoproclamado “Patriarcado de Kiev” e a dúzia de bispos da chamada Igreja autocéfala ucraniana. Somente dois dos noventa bispos da Igreja ortodoxa ucraniana vinculada ao Patriarcado de Moscou participaram do Concílio para a criação da nova Igreja ucraniana independente da jurisdição moscovita.

Epifanio, de 39 anos, nasceu na região de Odessa, estudou na Academia Eclesiástica de Kiev e na Faculdade de Filosofia de Atenas. Foi ordenado hieromonge em 2008. Depois, tornou-se secretário do Patriarca Filarete (segue o considerando seu braço direito). Foi consagrado bispo em 2009 e se tornou Metropolita em 2013.

A reação do Patriarcado de Moscou, após a eleição de Epifanio, não demorou. O arcipreste Nicolay Balashov, “número dois” do departamento para as relações exteriores do Patriarcado de Moscou, disse que o Concílio de Unificação era um “encontro não canônico de indivíduos, dos quais alguns contam e muitos não contam nem sequer com a legítima ordenação episcopal, sob a guia de um general leigo, o Chefe de Estado, e de um estrangeiro, que não entende nada da língua local, que elegeram um ‘hierarca’ não canônico como ‘Primaz’, nada canônico”. Acrescentou que, “para nós, este evento não significa absolutamente nada”.

O Metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do departamento para as relações exteriores do Patriarcado de Moscou, antes do término do Concílio de Unificação ucraniano, recordou que nenhuma das outras Igrejas ortodoxas havia enviado mensagens a essa cúpula local. Segundo Hilarion, “o plano do Patriarca Bartolomeu de convencer a Igreja canônica na Ucrânia de participar na criação de uma nova estrutura fracassou”, e o episcopado vinculado ao Patriarcado de Moscou, “com exceção de dois traidores, manifestou unanimidade, firmeza e coragem. O destino do “pseudoconcílio” de hoje é o mesmo de outros encontros semelhantes que foram realizados na história. Seus participantes serão apagados da memória histórica da Igreja, serão como a palha que o vento leva”.

O Patriarca ecumênico de Constantinopla, com um comunicado oficial, expressou “louvores a Deus” e “grande alegria e satisfação” pelo “positivo resultado do trabalho do Concílio de Unificação, fundamento da nova Igreja ortodoxa autocéfala da Ucrânia”. E anunciou que o Patriarca ecumênico Bartolomeu “convidou Sua Beatitude Epifanio para concelebrar a Divina Liturgia em Fanar, na grande festa da Teofania” (6 de janeiro), para lhe entregar “o ‘Tomos’ de fundação da nova irmã Igreja autocéfala”.

No dia 6 de janeiro, o presidente ucraniano Poroshenko acompanhará o novo Primaz Epifanio na solene ocasião (quando receberá o ‘Tomos’ das mãos de Bartolomeu). Foi o que ele próprio anunciou durante o discurso que pronunciou fora da Catedral de Santa Sofia.

No dia 15 de dezembro pela manhã, Poroshenko se dirigiu aos que participariam do Concílio de Unificação desta maneira: “Dirijo-me diretamente a cada um de vocês”, para recordar “a colossal responsabilidade que pesa sobre vocês neste momento. O Estado fez tudo o que podia fazer, por sua parte. Agora o futuro da Ucrânia, o futuro de nossa grande nação, de nossa liberdade, de nosso Estado, de nossa independência espiritual depende apenas de vocês”.

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