Por que a independência da Igreja da Ucrânia importa para Roma também

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17 Dezembro 2018

De início, deixemos uma coisa clara: é necessário certa ousadia para o Patriarca de Moscou reclamar que seus bispos e padres estão sendo submetidos à pressão, intimidação e até mesmo "perseguição" do estado ucraniano.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 16-12-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Recentemente, o Patriarca Kirill de Moscou fez precisamente essa reclamação em cartas destinadas ao Papa Francisco, ao Arcebispo de Canterbury Justin Welby, ao Conselho Mundial de Igrejas, ao secretário-geral da ONU e aos governos da França e da Alemanha. O conteúdo das cartas foi divulgado através de canais de mídia oficiais da Rússia.

Kirill escreveu que "a interferência dos chefes do estado secular ucraniano em assuntos eclesiásticos recentemente assumiu a forma de pressão excessiva exercida sobre bispos e sacerdotes da Igreja Ortodoxa Ucraniana [que é o que Moscou chama de ramo da Igreja Ortodoxa Russa na Ucrânia, leal a Moscou], o que me permite falar do início de uma perseguição de grande escala."

"Os numerosos atos de discriminação a que a Igreja ucraniana já foi submetida nos faz temer violações ainda mais graves dos direitos humanos e da liberdade dos cristãos ortodoxos, que são culpados apenas de permanecerem leal à ortodoxia canônica", escreveu o Patriarca.

Até agora, não houve reação pública por parte do Papa Francisco ou do Vaticano.

Kirill fez a acusação no sábado, véspera da abertura de um "Concílio de Unificação" na Ucrânia, cujo objetivo é acabar com a divisão entre três ramos distintos da ortodoxia no país e definir o palco para o reconhecimento de uma nova Igreja Ortodoxa Independente da Ucrânia no início de dezembro pelo Patriarca de Constantinopla.

Na realidade, ninguém usou as ferramentas do estado para impor obediência religiosa na Ucrânia de forma mais brutal do que os russos. Durante a era soviética, a lealdade ao Patriarca de Moscou foi imposta, submetendo, entre outras, a Igreja Católica Grega.

Em termos percentuais, nenhuma Igreja no mundo teve mais mártires durante a era soviética do que os católicos gregos, embora os fiéis ortodoxos na Ucrânia que desafiaram o controle russo foram fortemente perseguidos também.

Portanto, fica um pouco difícil levar os russos a sério quando eles se colocam como vítimas, dada a sua história sangrenta.

No entanto, o mero fato de que alguém é hipócrita não torna seus argumentos errados.

É verdade que o Presidente ucraniano Petro Poroshenko apoiou o processo de independência da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, supostamente gastando mais de meio milhão de euros para pagar por campanhas de publicidade e movimentos pró-independência. Ele também enviou os serviços de segurança para igrejas filiadas a Moscou na Ucrânia, submetendo padres a interrogatórios e os acusando de vários tipos de ameaças contra a segurança nacional e de incitar "ódio religioso".

O objetivo de Poroshenko é se alçar politicamente como o homem que projetou uma ruptura religiosa definitiva com Moscou para as eleições nacionais da Ucrânia em 31 de março de 2019.

Esses esforços podem realmente sair pela culatra. Muitos bispos e padres ortodoxos russos já não estavam planejando participar do "Concílio de Unificação", e é improvável que a intimidação do estado vai ganhar simpatizantes e influenciar as pessoas.

O trabalho principal do "Concílio de Unificação" é eleger um líder para uma Igreja Ortodoxa recentemente independente, que viajaria então a Istambul para receber o tomos, documento formal concedido pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, legitimando a independência. A viagem está programada para 6 de Janeiro, véspera de Natal no calendário ortodoxo.

O Vaticano se manteve fora da briga, apesar do fato de que a Igreja Católica Grega é amplamente favorável à campanha de independência e que Francisco claramente prefere Bartolomeu como seu interlocutor no mundo ortodoxo.

Durante décadas, o maior patrimônio que o cristianismo ucraniano possuía era a sua autoridade moral como uma Igreja de mártires, o que foi o suficiente para ganhar simpatia em todo o mundo.

Prestes a se realizar, seria trágico se a independência da Igreja da Ucrânia fosse marcada por percepções de que foi alcançada com a ajuda da força e de conluio político.

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