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01 Fevereiro 2017

A estratégia pró-Trump de Theresa May ficou submergida no caos do decreto que proíbe o ingresso nos Estados Unidos de passageiros de sete países muçulmanos. Com o apoio de mais de um milhão de assinaturas para que cancele a visita de estado de Donald Trump ao Reino Unido, um amplo arco de deputados trabalhistas, nacionalistas escoceses, liberal-democratas e conservadores exigiram que a primeira-ministra retire o convite oficial formulado na sexta-feira passada, durante sua reunião com o presidente norte-americano, em Washington.

A reportagem é de Marcelo Justo, publicada por Página/12, 31-01-2017. A tradução é do Cepat.

Em um acalorado debate na Câmara dos Comuns, o chanceler Boris Johnson acusou a oposição de “demonizar” Trump e afirmou que May havia obtido garantias que os britânicos de origem muçulmana poderiam viajar sem problemas aos Estados Unidos. Para frisar o mesmo ponto, Downing Street indicou à imprensa britânica que não retrocederia porque a visita era essencial “para o interesse nacional”. Confundindo ainda mais uma situação extremamente volátil, a embaixada estadunidense em Londres desmentiu o chanceler Johnson e destacou que os britânicos que tiverem dupla nacionalidade com os sete países que estão na lista do decreto de Trump – Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen, mas não a Arábia Saudita, berço de boa parte do jihadismo e primeiro produtor petroleiro mundial – terão a entrada proibida nos Estados Unidos. Ao final do dia, o Parlamento britânico aprovou uma moção de emergência condenando a conduta de Trump como “discriminatória”, que divide ao invés de unir.

Em 10 dias de mandato, o novo presidente está provocando o caos que insinuou sua surrealista campanha eleitoral neste mundo que muitos chamam de pós-fático. Os “fatos alternativos” de Trump estão provocando efeitos muito concretos, como mostram os seis muçulmanos mortos e oito feridos no ataque a uma mesquita em Quebec, Canadá, fato que ficou irremediavelmente relacionado à xenofobia global que o discurso incendiário de Trump disparou.

Com quase três milhões de muçulmanos britânicos, dezenas de milhares de pessoas de todas as idades, credos e ideologias (desde trotskistas até monárquicos que querem preservar a Rainha Elizabeth II de um jantar de estado com Trump) desafiaram o gelado inverno britânico nas principais cidades do Reino Unido sob o grito de "shame on May" (May, deveria se envergonhar). Diante do portal gradeado que guarda a entrada da 10 Dowming Street, um casal com mensagens "Fuck Trump", escritas em seus rostos, disseram à televisão britânica que o ambiente de “absoluta negatividade criada por Trump é insuportável” e recordaram que o decreto veio horas após sua reunião com a primeira-ministra, e que o governo britânico reivindicava a influência “positiva” que exercia sobre o presidente estadunidense.

O custo político para o governo de May é muito alto em um país com a memória à flor da pele acerca da última vez que um primeiro-ministro britânico se aliou com um presidente estadunidense, em uma estratégia globalmente rejeitada: a aventura bélica do Iraque. O problema de May é que uma vez movida a ficha de Trump, sua margem política é estreita e requererá uma habilidade diplomática que não parece abundar nestes momentos. A semanas do lançamento das negociações para a separação do Reino Unido da União Europeia, Trump oferece a May algo que a primeira-ministra pode vender como a luz no final do túnel: um tratado bilateral de livre comércio. O governo britânico aposta em que esta luz reforce a posição negociadora de May diante de seus pares europeus, neutralize turbulências nos mercados e desenhe um futuro menos deserto, assim que se chegar a um acordo com a União Europeia (teoricamente em 2019).

Em nível icônico, o governo britânico quer que a dupla Trump-May seja um exitoso “remake” da que formaram, em um contexto histórico bem diferente, Ronald Reagan e Margaret Thatcher. O chanceler Johnson não esmoreceu frente a um parlamento que traçou contínuos paralelos entre Trump, o nazismo e a política de “apaziguamento” que o Reino Unido seguiu até que a guerra e Winston Churchill os tiraram da ilusão. “Concordo em rejeitar o preconceito e o nacionalismo. Mas, não concordo com as comparações que se fizeram continuamente neste parlamento, nesta tarde, entre o governo eleito de nosso mais importante aliado e as tiranias bárbaras dos anos 1930. Estas comparações menosprezam o horror dos anos 1930 e banalizam o diálogo”, disse Johnson.

Um deputado de sua própria bancada conservadora lhe respondeu evocando a frase desse grande totem britânico do século 20, Winston Churchill. “O chanceler é consciente que em um discurso de 1940 Winston Churchill disse, em referência aos países que permaneceram neutros na guerra, que todos esperamos que se damos os outros como alimento aos crocodilos, estes nos comerão ao final?”, disse o conservador Ben Howlett.

O torvelinho Trump coincidiu com a reunião que Theresa May manteve na capital de Gales, Cardiff, com os líderes da Escócia, Irlanda do Norte e Gales para tentar apaziguá-los a respeito de sua estratégia negociadora pelo Brexit. A primeira-ministra foi recebida por uma centena de pessoas que, sob uma chuva torrencial, a vaiaram por sua cordialidade com Trump. Em conversa com o The Guardian, a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, destacou que em seu encontro face a face com May lhe disse que todos compreendiam o desejo de ter uma relação construtiva com os Estados Unidos, mas que esta deveria se basear em valores morais. “Temos que ser claros a respeito de quais são os nossos valores fundamentais. Muita gente acredita que proibir o ingresso em um país com base na fé que professam é fundamentalmente equivocado e com toda probabilidade contraproducente na guerra conjunta contra o extremismo e terrorismo”, disse Sturgeon. Não foi o único desacordo. Assim como Gales e Irlanda do Norte, Sturgeon advertiu May que o atual Brexit que parece buscar com a União Europeia é inaceitável. O desacordo por Trump serviu para esticar muito mais a corda de um Reino Unido que se aproxima aos tropeços da negociação com a União Europeia.

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