Siemens ignora apelo de mais de 1 milhão de pessoas para não destruir a Amazônia

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26 Julho 2016

Protestos do Greenpeace aconteceram ao redor do mundo

Protesto na Siemens realizado na Bélgica (© Philip Wilson/Greenpeace)

Ativistas do Greenpeace de 19 países ao redor do mundo protestaram esta semana para pedir que a Siemens não se envolva com a construção de uma mega hidrelétrica no rio Tapajós, no coração da Amazônia.

A reportagem foi publicada por Greenpeace, 22-07-2016.

Se construída, São Luiz do Tapajós poderá alagar cerca de 400 km² de floresta e provocar mais de 2.200 km² de desmatamento. A barragem poderá impactar também o povo Munduruku, que vive no rio Tapajós há gerações.

Essa não é uma demanda só do Greenpeace. Mais de 1 milhão de pessoas se juntaram à campanha online e milhares mandaram mensagens ao CEO da Siemens, Joe Kaeser, postando mensagens nas redes sociais da empresa.

Kaeser anunciou anteriormente que a Siemens se posicionaria com relação ao envolvimento na construção de São Luiz do Tapajós, mas até agora não foi feito nenhum anúncio”, diz Jannes Stoppel, da campanha de florestas do Greenpeace. “A empresa deveria aprender com seu passado de envolvimento em hidrelétricas destrutivas na Amazônia e ouvir mais de 1 milhão de pessoas que querem ver o rio Tapajós correndo livre. Em vez disso, perde a oportunidade de mostrar responsabilidade e se comprometer com as pessoas, a biodiversidade e o clima”.

A Siemens se envolveu nas últimas quatro grandes hidrelétricas construídas na Amazônia (Teles Pires, Jirau, Santo Antonio e Belo Monte), todas elas acusadas de terem violado direitos humanos. “A Siemens deve agir de acordo com as suas políticas e promessas de ser uma empresa verde e recusar-se publicamente a participar da destruição de uma das últimas grandes áreas de floresta tropical no mundo”.

Consequências irreversíveis

Se construída, a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós terá enorme impacto social e ambiental. Irá alagar grandes áreas de terras pertencentes a mais de 12 mil indígenas Munduruku e comunidades ribeirinhas que vivem na área desde o século 19. Além disso, a saúde dessas populações seria severamente impactada.

A morte em massa de peixes e problemas de saúde aparentemente ligados à contaminação da água já foram relatados em outras barragens na bacia do Tapajós, bem como na parcialmente concluída hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, a última grande construção de barragem na Amazônia, com envolvimento Siemens. “Nós vimos toda a destruição em Belo Monte e nós não queremos o mesmo acontecendo aqui”, disse Arnaldo Kaba Munduruku, cacique-geral do povo.

Além dos enormes impactos socioambientais, Belo Monte é também um dos projetos sendo investigado pelas autoridades brasileiras por suspeitas de corrupção, colocando em risco a reputação das empresas envolvidas.

Um relatório recente do Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e os Direitos Humanos sobre sua visita oficial ao Brasil, em Dezembro de 2015, recomenda que as empresas respeitem os direitos humanos internacionais e garantam a consulta às comunidades e indivíduos potencialmente afetados.
Atualmente, o licenciamento para o projeto no Tapajós está suspenso pelo Ibama. Isso aconteceu depois que a Funai publicou relatório reconhecendo que parte da área que seria inundada pela barragem está dentro de território tradicional Munduruku, o que resultaria na remoção forçada do povo para que o projeto seja viabilizado, indo contra a Constituição brasileira.

Uma análise produzida pelo Greenpeace Brasil mostra que uma combinação de energias renováveis – solar e eólica – poderia substituir o projeto de São Luiz do Tapajós. Em vez de destruir a Amazônia, a Siemens poderia investir em outras alternativas de energia no Brasil.

A empresa francesa de energia Engie anunciou publicamente seu distanciamento de mega-projetos hidrelétricos na Amazônia e acrescentou que o futuro energético do Brasil está no desenvolvimento de energia solar e eólica.

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