Evolução do desmatamento na Amazônia

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18 Julho 2016

Na Amazônia, a matança de agricultores e índios ocorre num território que perdeu, até agora, 20% da cobertura nativa. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a Amazônia Legal perdeu uma área total de 762 mil km², equivalente a 17 Estados do Rio de Janeiro. Estima-se que 42 bilhões de árvores adultas tenham sido cortadas.

A reportagem foi publicada por O Estado de S. Paulo, 15-07-2016.

Imagem: O Estado de S. Paulo/Dados do PRODES mostram a evolução do desmatamento na Amazônia de 1997 a 2015

Numa conta conservadora feita por técnicos do Ibama a pedido do Estado, o crime organizado movimenta R$ 3 bilhões por ano com a queda da floresta, considerando-se apenas a etapa em que o tronco deixa a mata. Há ainda a cadeia de beneficiamento da madeira que vai faturar pesado sobre o negócio. É dinheiro mais do que suficiente para irrigar campanhas políticas em municípios e Estados, patrocinar a expansão da grilagem e, se necessário, executar quem e quantos forem necessários.

Memorial dos mortos

O Estado fez um levantamento de pelo menos 1.309 pessoas assassinadas nos últimos 20 anos em situações associadas a conflitos por terra, madeira e, em algumas ocasiões, garimpos. As informações, que também incluem indígenas, resultam de pesquisas em documentos oficiais, informações públicas e cruzamento de banco de dados de organizações ligadas a direitos humanos. Desde que a série foi publicada, novas informações sobre vítimas passaram a ser incluídas no memorial. Em parte dos casos, só há informações somente parciais, dada a precariedade dos registros.

Árvores com valor comercial ameaçadas de extinção

A pressão do crime organizado sobre as florestas não só tem alterado a vida na mata, mas também eliminado por completo a presença de determinadas espécies em algumas regiões. O avanço indiscriminado sobre a mata já levou o País a criar uma lista de espécies protegidas por lei federal, sendo proibido o seu corte. Nessa lista estão a Castanheira, a Seringueira e o Mogno.

Muitas outras espécies, porém, enfrentam condições críticas de sobrevivência. O Ministério do Meio Ambiente possui uma lista de espécies ameaçadas. A mais recente publicação, de dezembro de 2014, aponta que, 7.880 espécies de árvores catalogadas até agora no País, 2.113 espécies estão na “Lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção”. A partir de informações do Serviço Florestal Brasileiro, a reportagem selecionou 22 espécies que são as mais cobiçadas pelos madeireiros e que estão ameaçadas de extinção. As árvores estão divididas em três categorias: vulnerável, em perigo e criticamente em perigo. Conheça cada uma delas e entenda porque estão na mira dos crimes da floresta.

Nome: Garapeira

Bioma: Amazônia, Caatinga ou Cerrado

Classificação: Vulnerável.

Nomes comuns: Amarelinho, barajuba, garapeira, gema-de-ovo, grapia, jataí, muirajuba, muiratuá, cumararana, sapucajuba.

Características: Madeira pesada, de cor que varia do bege para o amarelo levemente rosado, até o róseo-acastanhado. Tem superfície lustrosa e lisa ao tato. Muito usada na construção civil em estruturas externas, como pontes, ou internas, para acabamentos.

Nome: Mogno

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Acaju, aguano, araputanga, caoba, cedro-aguano, cedro-mogno, cedrorana, Mara.

Características: Sua cor varia do marrom avermelhado ao vermelho. É altamente resistente ao ataque de fungos e insetos, resistindo ainda a cupins de madeira seca. A madeira pode ser trabalhada facilmente com ferramentas manuais ou mecânicas, e o acabamento produz uma superfície lisa e brilhante. O mogno é muito procurado para marcenaria e mobília, acabamento e ornamentos de interiores, e até mesmo construção de barcos e navios, em acabamentos e assoalho.

Nome: Cedro-rosa

Bioma: Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Capiúva, cedrilho, cedrinho, cedro-amargoso, cedro-aromático, cedro-batata, cedro-bordado, cedro-cheiroso, cedro-fêmea, cedro-manso, cedro-pardo, cedro-urana, cedro-verdadeiro.

Características: Árvores de brilho forte, madeira leve e macia. Pode atingir 30 metros de altura. É usado em construções civis, decoração, mobiliário, chapas condensadas, instrumentos musicais ou parte deles. Na medicina, é usado no combate a febre, feridas e úlceras.

Nome: Itaúba

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Taúba-penima, lorê, louro-itaúba, nhambiquara.

Características: Sua cor oscila entre oliva a marrom amarelado. Madeira resistente e uma das espécies mais exploradas na região norte da Amazônia, utilizada para diversas finalidades em construções externas, como pontes, postes, estacas, dormentes e vigas

Nome: Castanheira

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Amendoeira-da-américa, castanha-do-brasil, coz-do-Brasil, tucari.

Características: É uma das espécies mais altas da Amazônia. Normalmente atinge entre 30 metros e 50 metros de altura, com 1 metro a 2 metros de diâmetro. Há registros de castanheiras que alcançaram mais de 50 metros de altura e 5 metros de diâmetro. A vida da castanheira depende de um ambiente intocado para reprodução, porque suas flores só são polinizadas por alguns tipos de insetos atraídos por orquídeas que vivem próximas das árvores. Sem os insetos e orquídeas, a castanheira não dá frutos.

Nome: Jacarandá-da-Bahia

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Caviúna, graúna, jacarandá-cabiúna, pau-preto.

Características: Era encontrada nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, mas, atualmente, só é encontrada no sul da Bahia. Uma das mais valorizadas madeiras brasileiras, é explorada desde a fase colonial. Com altura entre 15 e 25 metros e tronco de 40 a 80 centímetros de diâmetro, tem madeira de cor escura e resistente. Floresce entre setembro e novembro, e os frutos amadurecem em agosto-setembro. É comumente utilizada em obras de marcenaria, construção de instrumentos de corda e na fabricação de pianos.

Nome: Jatobá-pequeno

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Abati, algarobo, burandá, castanheiro-de-bugre, cataqui-iamani, catá, comer-de-arara, copal, corbaril, embiúva, farinheira, guarazema, iaatiba-iu, iataíba, jataizinho, jataí, jataíba, jatel, jaçaí, olho-de-boi, quebra-corrente, quebra-facão, quebra-machado, taici, trabuca.

Características: Madeira pesada, de cor marrom-avermelhada e brilho moderado. É muito procurada para construção de janela, porta maciça, escada, estrutura de cobertura (viga, caibro e ripa), piso residencial (tábua corrida e taco), poste para energia e sauna. Suas cascas ainda são usadas para a produção de chás.

Nome: Angelim-pedra-amarelo

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Mirarema, faveira, sapupira-amarela, angelim-da-mata, angelim-macho.

Características: Muito procurada pela construção civil, para construção de vigas, caibros e portas venezianas. De pouco brilho, também é usada em estruturas internas de decoração, como forros e ripas.

Nome: Braúna

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Árvore-da-chuva, braúna-preta, canela, canela-amarela, coração-de-negro, maria-preta, muiraúna, paravaúna, rabo-de-macaco.

Características: É uma das árvores mais duras e resistentes do Brasil. De cor acastanhada, tende a ficar quase negra nas espécies mais velhas. Sua casca é utilizada para extração de tintura negra, usada pela indústria. A seiva é aplicada na medicina, em remédios para dores intestinais. Alcança de 15 a 20 metros de altura e diâmetro de 80 centímetros a 1 metro.

Nome: Ucuúba

Bioma: Amazônia ou Caatinga

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Bicuíba, andiroba, árvore-do-sebo, noz-moscada, leite-de-mucuíba, m mucuíra.

Características: É comumente encontrada em lugares alagados, geralmente perto de igapós, atingindo uma altura de 25 a 35 metros. Seu nome vem das palavras indígenas ucu (graxa) e yba (árvore). Sua madeira é cobiçada para produção de compensados e laminados. A cinza da madeira é apropriada para fabricar sabão. A casca da árvore é usada como medicamento para úlceras, cicatrização de feridas, cólicas e doenças reumáticas. A seiva é utilizada no tratamento de hemorróidas e aftas. De suas sementes é extraída ainda a trimiristina, utilizada na indústria de cosméticos, perfumaria e confeitaria.

Nome: Cedro-vermelho

Bioma: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Acaiacá, acaiacatinga, acaju, capiúva, cedrinho, iacaiacá.

Características: Produz uma das madeiras mais procuradas no comércio nacional e estrangeiro, porque tem coloração parecida à do mogno. É uma madeira leve, de utilização em diversos tipos de indústria, da construção civil, naval e aeronáutica, até a movelaria, marcenaria e confecção de instrumentos musicais.

Nome: Pau-roxo

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Amarante, coataquiçaua, roxinho, violeta.

Características: Como o próprio nome já diz, trata-se de uma árvore de cor escura. Madeira de alta qualidade e resistência, é muito procurada para construção de mobiliário, móveis decorativos, peças torneadas, tacos de bilhar e cabos de cutelaria.

Nome: Canela-preta

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Canela-prego, canela-massapé, canela-inhaíba , louro-de-casca-preta.

Características: Muito encontrada na região Sul do País, em Santa Catarina. No século passado, foi muito procurada construção de assoalho de casas. É comum encontrar casas antigas com a combinação no piso de canela-preta e peroba (tom amarelado), para dar um aspecto listrado ao assoalho. A árvore que pode atingir até 300 anos de idade. Sua casca tem cheiro agradável. Com o fruto, se produz remédios indicados para sintomas como azia, cólica e diarréia, entre outros.

Nome: Cerejeira

Bioma: Amazônia

Classificação: Vulnerável

Nomes comuns: Amburana, cumaru-de-cheiro, cumaré, Imburana, louro-ingá.

Características: Madeira clara, de tom castanho e amarelo claro. É muito popular na fabricação de móveis e objetos decorativos. Em instrumentos musicais, é aplicada em fundos e laterais de violões. Suas indicações de uso medicinal apontam resultados como broncodilatador, analgésico, antiinflamatório e antireumático.

Nome: Bicuíba

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Bocuva, bocuba, vicuíba.

Características: De tom bege-claro a bege-rosado, é uma árvore de copa larga. Sua madeira é procurada para fabricação de miolos de portas e acabamentos internos, como molduras guarnições, rodapés, forros e sarrafos. É usada para produzir compensados. Como é de fácil deterioração, não é usada em construções externas. No fim do século XIX, seu óleo era usado para combustão e indústria de sabonete e exportado para o Reino Unido. Suas sementes costumam ser usadas como medicamento popular contra diarréias, asma e bronquite, além de expectorante.

Nome: Jequetibá-branco

Bioma: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Estopa, cachimbeiro, pau-de-cachimbo, pau-estopa, mussambê, coatinga.

Características: Árvore alta, chega a ter mais de 50 metros de altura. A madeira, leve, é usada na construção civil em obras internas, porque é pouco resistente ao tempo. Em 1997, o fogo atingiu um jequitibá milenar no município de Carangola, a 404 km de Belo Horizonte. A árvore de 54 metros de altura e 12,5 metros de circunferência queimou internamente, durante 11 dias. À época, o incêndio criminoso foi noticiado em todo o País.

Nome: Canela-sassafrás

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Canela-funcho, casca-cheirosa, louro-cheiroso, casca-preciosa.

Características: De ocorrência natural do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, sua madeira é indicada para mobiliário e, na construção civil, caibros, ripas e rodapés. É usada ainda para a construção artesanal de tonéis para cachaça, repassando aroma e sabor à bebida. Na medicina, é aplicada em sintomas de reumatismo, sífilis e como repelente de mosquitos, além de sífilis e combate da halitose. Índios que vivem na região do Paraná e Santa Catarina usam a casca para tratamento de dores e contusões.

Nome: Imbuia

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Canela-broto, embuia.

Características: Muito procurada pelos madeireiros, dada a sua qualidade para o entalhe e sua longa durabilidade. A cor, em geral, possui veios que vão do amarelo ao marrom, com riscas pretas. Sua espécie pode viver dezenas de séculos. Em Santa Catarina, foi encontrada uma árvore com mais de 2,7 mil anos.

Nome: Pau-brasil

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Arabutã, ibirapiranga, ibirapitá, orabutã, pau-de-pernambuco, pau-de-tinta e pau-pernambuco.

Características: Árvore símbolo do País, é uma madeira pesada, dona de um extrato interno que gera uma tinta vermelha. Por ser de alta qualidade, foi muito usada na fabricação de instrumentos musicais, como violinos, harpas e violas. A exploração predatória viveu seu auge no século XVI, pelas mãos dos portugueses. No dia 3 de maio, é comemorado o Dia Nacional do Pau-brasil.

Nome: Araucária

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Pinheiro-do-paraná, pinheiro-brasileiro, curi.

Características: Sua origem remonta a mais de 200 milhões de anos. Com espécies que podem atingir alturas de 50 metros e diâmetro de tronco de 2,5 metros, sua forma é inconfundível é única na paisagem brasileira, parecendo uma taça. A vida de cada árvore se estende, em média, de 200 a 300 anos,podendo chegar a 500 anos. A cor é branco-amarelada. As sementes precisam de quatro anos para completar o amadurecimento. Suas pinhas maduras caem dos galhos entre maio e agosto. Essas sementes foram base de alimentação de índios e também durante o processo de colonização da região Sul do País, convertida em farinha, pães e massas.

Nome: Ipê-peroba

Bioma: Mata Atlântica

Classificação: Em perigo

Nomes comuns: Ipê-claro, ipê-peroba, ipê-rajado, peroba-branca, perobinha.

Características: De cor amarela-acastanhada, é uma árvore de grande porte, podendo chegar a 40 metros de altura. Mais encontrada na Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro. Madeira de ótima qualidade, é hoje um dos principais alvos dos madeireiros na região norte de Rondônia.

Nome: Pau-amarelo

Bioma: Amazônia

Classificação: Criticamente em perigo

Nomes comuns: Amarelão, amarelinho, amarelo-cetim, cetim, limãorana, muiratana, pau-cetim, piquiá-cetim

Características: Árvore de grande porte, chega a até 40 metros de altura e 1 metro de diâmetro. É uma madeira pesada, procurada pela construção civil (obras internas), para ferramentas e para lenha e carvão. De tom amarelado, produz uma espécie de goma arábica com finalidade terapêutica, sendo um bom remédio contra tosse.

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