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14 Julho 2016

“Enquanto em várias capitais e regiões do pais, as sede da Funai agonizante estão sendo ocupadas para denunciar a agressiva política anti indígena desencadeada pelos ruralistas e outros setores do Congresso e endossados e ampliados pelo atual governo Temer, importantes espaços de debate e mobilização vão sendo realizados em Brasilia e em diversas regiões do país. A guerra de conquista continua com todas as suas expressões de violência, principalmente com os Guarani Kaiowá no genocida Mato Grosso do Sul. Neste fim de semana estaremos nos unindo a milhares de caminhantes na Romaria dos Mártires que acontece há cada 5 anos em Ribeirão Cascalheira, na Prelazia de São Felix do Araguaia”, escreve Egon Heck, do secretariado nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, ao enviar o artigo que publicamos a seguir.

Eis o artigo.

 

Foto: Laila/Cimi

O país das raízes, da pluralidade, dos diferentes matizes, culturas, organização social, da economia coletiva e solidária, do uso coletivo do território, da convivência harmônica com a natureza e todas as formas de vida, da não acumulação, da sobriedade e simplicidade.

No Centro de Formação Vicente Cañas, estiveram reunidos 60 professores indígenas e aliados de todo o país, para avaliar a caminhada dos movimentos de articulação dos professores indígenas, preparar o 2º Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena. Foi também um momento de manter diálogo com representantes de instituições dos poderes Executivo e Legislativo, além de participar de mobilização de lideranças dos povos Pataxó, Tupinambá e Guarani-Kaiowá, denunciando as violências e tentativas de subtrair direitos constitucionais dos povos indígenas.

Participaram de atos públicos e caminhadas, de entrega de documentos nas embaixadas, chamando a atenção destas sobre as origens de muitos produtos do agronegócio produzidos em terras indígenas.

Foto: Laila/Cimi

Conforme Gersen Baniwa, um dos coordenadores do Fórum de Educação Escolar Indígena, “é momento de somar e unir as forças do movimento indígena, ainda bastante fragmentado, e dar visibilidade às raízes profundas e plurais do nosso país, através de um processo intensivo de interação e valorização da diversidade cultural, espiritual, ritual e de luta articulada pelos territórios e direitos dos povos indígenas, sofrendo pressões e ameaças de retrocessos”.

Ao ministro da Educação expuseram suas preocupações e exigiram “respeito aos direitos dos povos indígenas na gestão dos territórios etno-educacionais” e a realização da 2ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, no próximo ano. Houve a promessa de que não haverá descontinuidade nos programas e atividades em andamento, bem como não haverá a extinção, conforme rumores, de instituições que representaram um avanço, como a SECADI.

Mobilização e visibilidade

O 2º Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena se propõe a ser um amplo espaço com mais de 500 indígenas de todo o país, propiciando intensa relação da população com o diversidade de culturas e povos. O encontro será na UnB, em Brasília, nos dias 24 e 28 de outubro. Será uma oportunidade de mobilizar a opinião pública mediante apresentações e mostras culturais de jovens e crianças indígenas, oferecendo às crianças e jovens estudantes da educação básica e universitários, a oportunidade de interagir com a diversidade cultural indígena brasileira. O processo se dará através da realização de diversas oficinas (pintura corporal, fotografia, literatura indígena, rituais, cerimoniais em diversos espaços. Também estão propostos quatro seminários temáticos, com o intuito de aprofundar determinados temas relacionados aos direitos indígenas, valorização da diversidade cultural, educação diferenciada e de qualidade.

Foto: Laila/Cimi

Curso de histórias e culturas indígenas

Teve início no dia de ontem, um sonho alimentado há três décadas pelo Cimi: propiciar a compreensão da pluralidade dos povos indígenas no país, suas lutas de resistência e afirmação de seus projetos de bem viver. Mais de 50 participantes de todo o país, de várias áreas do conhecimento e atuação, particularmente de movimentos e pastorais sociais, professores de educação básica, pedagogos. O curso, com duração de 20 dias, tem como finalidade formar multiplicadores na qualificação para a abordagem das temáticas das culturas e das histórias dos povos.

O curso é realizado pelo Cimi, em parceria com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), que tem sede em Foz do Iguaçu, criada em 2011 no governo Lula, em resposta aos questionamentos de que o Brasil estaria virado de costas para a América Latina. Conforme o professor Clóvis Briguenti, que conduziu o processo de aprovação do curso pela UNILA, essa é uma experiência muito importante de integração latino-americana, mas que está seriamente ameaçada com recentes atitudes do governo brasileiro, especialmente no campo financeiro (corte de recursos).

Na apresentação dos participantes, ficou evidenciada uma grande expectativa e até ansiedade em ter um momento privilegiado de troca de experiências e saberes, na perspectiva de contribuir com a luta dos povos indígenas pelos seus direitos, num processo de transformação de nossa sociedade.

Diante da constatação de que ainda somos uma sociedade altamente preconceituosa e racista para com os povos originários do nosso país, este curso será mais uma ferramenta para sensibilizar a sociedade com relação às realidades, lutas e direitos indígenas, dando visibilidade a essa realidade.

Fotos: Laila/Cimi

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