Escândalo na Argentina por supostas irregularidades na ONG do Papa Francisco

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Por: André | 05 Julho 2016

O maior programa investigativo da Argentina, Periodismo Para Todos, revela que a organização do Papa, a Scholas Occurrentes, recebeu uma contribuição milionária do governo kirchnerista por obras que nunca foram terminadas.

A reportagem é de Josefina G. Stegmann e publicada por ABC, 04-07-2016. A tradução é de André Langer.

Educação, encontro, paz, convivência inter-religiosa, jovens, união, Papa Francisco. Estas são as bandeiras da Scholas Occurrentes, a organização criada pelo Santo Padre em 2013 para “refazer de forma harmoniosa o pacto educativo”.

É difícil, para não dizer impossível, associar estes conceitos a milhões de pesos sem declarar, a terrenos públicos cedidos para a construção de sedes que nunca foram terminadas, a vínculos com sindicalistas denunciados por desvio, a financiamento K...

Estas e outras ásperas questões foram abordadas no Periodismo Para Todos (PPT), o maior programa investigativo da Argentina, que, no dia do seu retorno à tela (no domingo às 21h30, horário local), dedicou o primeiro programa a uma investigação sobre a Scholas Occurrentes. No programa, conduzido pelo jornalista Jorge Lanata, pôs em evidência uma das questões mais controversas da Scholas: o financiamento por parte do governo kirchnerista para obras que não foram terminadas.

A contribuição, segundo o programa, foi realizada através do programa Enamorar, subordinado ao Ministério do Planejamento durante o governo de Cristina Kirchner. O Governo “K” assinou vários convênios com diversas Ongs totalizando 200 milhões de pesos (cerca de 11 milhões de euros). A Scholas recebeu exatamente $18.427.246 (mais de um milhão de euros) para a construção de uma sede mundial em Buenos Aires.

No programa, pode-se ver imagens desta sede, que, na realidade, é um terreno vazio (apenas 40% da obra está erguida, embora tenha que ter sido concluída em 9 meses) e pelo qual foram pagos cerca de 10 milhões de pesos (quase 600 mil euros). No entanto, Palmeyro e Del Corral dizem, à equipe do PPT, desconhecer essa construção. “Nunca nos deram nem sequer uma documentação sobre o terreno”, garante Del Corral.

Através do Ministério do Planejamento, cujo titular era Julio De Vido, investigado por vários casos de corrupção, também foi organizado um concerto no Vaticano. Este concerto foi promovido pela Scholas. Durante a apresentação, foram projetados spots do governo de Cristina Kirchner. Ambos os diretores negaram que o concerto tivesse sido financiado com dinheiro do citado Ministério.

O financiamento kirchnerista produz ainda mais perplexidade quando se tem em conta que recentemente o Papa Francisco pediu aos diretores da Scholas para que não aceitassem o dinheiro solicitado ao governo de Macri (mais de um milhão de euros), chamando a atenção de ambos os diretores: “Tenho medo de que vocês comecem a escorregar pelo caminho da corrupção”.

Dinheiro de um sindicato

Mas não foi a única via pela qual a Scholas recebeu dinheiro. De acordo com o que foi veiculado no programa, também foram assinados convênios com a Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), da qual Enrique Palmeyro é membro, e através dos quais obtiveram mais de oito milhões de pesos (cerca de 500 mil euros) para a construção de imóveis para a entidade. Embora 25% tenham sido pagos, nunca se rendeu nada pelo avanço desta obra. Outro dado não menos importante é que este pagamento foi feito através da subsecretaria de Habitação que, por sua vez, dependia, da Secretaria de Obras Públicas, a cargo de nada menos que José Lopez, que foi flagrado, em um dos episódios que mais comoveu a Argentina, enterrando, em um mosteiro, cerca de 10 milhões de dólares.

Outro vínculo não menos surpreendente é o de José Del Corral, apontaram no programa investigativo, com o sindicalista “K”, Omar Caballo Suárez, denunciado por desvio de deinheiro, e que teve que renunciar recentemente ao Sindicato Operários Marítimos Unidos pela intervenção solicitada por um juiz que o investiga por denúncias de fraude.

O programa, intitulado “Em nome do Pai”, não afirmou em nenhum momento que o Papa estivesse a par destes escândalos.

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