Santos apresentou data para ratificar a paz

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Por: Jonas | 23 Junho 2016

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, procura acelerar o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), razão pela qual instruiu seus negociadores para que apurem a busca do entendimento definitivo. Além disso, mostrou-se confiante que no dia 20 de julho, Dia da Independência Nacional, poderá selar o acordo, ainda que a guerrilha tenha se manifestado mais cautelosa e advertido que fixar datas provoca prejuízos ao processo.

A reportagem é publicada por Página/12, 22-06-2016. A tradução é do Cepat.

“Eu acredito que para o dia 20 de julho poderemos encerrar as negociações em Havana e, a partir daí, iniciará uma nova etapa para o país”, confiou o mandatário em um discurso que proferiu na Casa de Nariño, sede do Executivo, após um encontro com representantes dos partidos que apoiam o processo. Santos aproveitou para fazer um chamado à Corte Constitucional para que aprove o plebiscito pela paz que seu inflamado opositor, o senador Álvaro Uribe, considerou uma chantagem para intimidar a população. “Tomara que a Corte aprove logo o plesbicito (mecanismo com o qual o governo busca referendar os acordos), de maneira que aí teremos um desafio muito, muito importante”, acrescentou o chefe de Estado.

Santos havia colocado altas expectativas na consulta quando, dias atrás, afirmou que sua aprovação popular dependia do êxito da conquista da paz, após mais de meio século de conflito armado, e que se fracassasse, as FARC estariam prontas para protagonizar uma guerra urbana, que seria mais demolidora que a rural. Nessa intenção de acelerar o processo, Santos revelou que ordenou aos negociadores em Havana – onde desde novembro de 2012 se discute o acordo – que avancem no debate. “Dei instruções precisas a Equipe de Paz do Governo que viaja a Havana para que procurem concluir o ponto sobre o fim do conflito e o cessar-fogo”, escreveu o presidente em sua conta na rede social Twitter. Esse último ponto, que segundo os meios de comunicação colombianos poderia ser acordado nesta quinta-feira, inclui o desarmamento e a desmobilização dos guerrilheiros.

O último anúncio das partes foi a blindagem jurídica do acordo final de paz e a saída de menores de idade das fileiras das FARC. Também o que está concluído são os itens de desenvolvimento agrário, a participação política dos guerrilheiros que se desmobilizarem, a luta conjunta contra o narcotráfico, a atenção a vítimas do conflito e a aplicação de um sistema de justiça transicional, entre outros pontos. Esta é a segunda vez que se apresenta data estimada para assinar a paz com as FARC, depois que as duas partes fixaram o último dia 23 de março como a data em que chegariam a um acordo final, algo que não se conseguiu por desacordos em relação ao desarmamento.

Tanto o procurador geral Alejandro Ordóñez, como o ex-presidente e senador opositor Uribe, acusaram Santos de tentar chantagear e intimidar os cidadãos. “É indubitável que isto é uma guerra psicológica a qual a sociedade colombiana está submetida: ou o terror ou o medo para conseguir determinados propósitos políticos”, destacou Ordóñez, em declarações difundidas pelo jornal El Espectador. Por sua parte, Uribe questionou as afirmações de Santos e considerou um grande erro pedagógico que o presidente não veja outro caminho a não ser intimidar os colombianos.

A sensação geral é que se ingressou na reta final das negociações, e alguns meios de comunicação até especularam com a chance de uma viagem de Santos a Havana, na quinta ou sexta-feira, para apresentar o último ponto de entendimento. E isso apesar das FARC ter saído, através de seu máximo chefe, Rodrigo Londoño Echeverri, de codinome Timochenko, apresentando distância do otimismo de Santos. “A prática demonstrou que fixar datas provoca prejuízo ao processo”, escreveu Timochenko em sua conta da rede social Twitter.

O presidente já esteve na ilha quando se oficializou outro dos avanços importantes das negociações: o acordo de justiça transicional que será aplicado no pós-conflito, apresentado no último dia 23 de setembro. Naquela ocasião, Santos e Timochenko deram um histórico aperto de mãos diante de Raúl Castro, algo que no momento não se sabe se será repetido. Por sua vez, há 11 meses, as FARC declararam um cessar-fogo unilateral, o que reduziu notavelmente a intensidade do conflito armado. E o governo se negou a cessar a ofensiva terrestre contra o grupo guerrilheiro, ainda que tenha suspendido os bombardeios aéreos.

Para eliminar eventuais dúvidas em torno do conversado em Havana, os negociadores governamentais se reuniram em Bogotá, por mais de duas horas, com os integrantes da Corte Suprema de Justiça, aqueles que haviam manifestado alguns reparos a respeito da chamada “justiça especial para a paz”. Pelo Executivo, esteve presente o chefe de equipe, Humberto de la Calle, o alto comissariado para a paz, Sergio Jaramillo, e o ministro de Justiça, Jorge Londoño.

O conflito armado colombiano deixou ao menos 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados.

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