Estudantes são liberados após seis horas detidos e prometem continuar ocupando escolas

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16 Junho 2016

Sem comer desde as 7h da manhã, quando entraram na Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), secundaristas do Comitê de Escolas Independentes (CEI) começaram a retornar para suas casas a partir das 18h desta quarta-feira (15), quando foram liberados do Departamento Estadual da Criança e Adolescente (Deca). Os jovens, que ocuparam a Secretaria por algumas horas, foram reprimidos pela Brigada Militar com spray de pimenta e força física, sendo detidos e levados em camburões. Após seis horas sob custódia policial, foram liberados no fim da tarde.

A reportagem é de Débora Fogliatto, publicada por Sul21, 15-06-2016.

Os pais, familiares, professores e amigos aguardavam os estudantes do lado de fora da instituição. Uma das meninas que saiu do Deca desabou em prantos quando recebeu a notícia de que uma amiga, que é maior de idade, havia sido presa e estava sendo levada para a Penitenciária Madre Pelletier. Cansados, os estudantes rapidamente iam embora ao deixarem o local.

Contrários ao acordo que foi firmado por outro grupo de estudantes, que ocupava a Assembleia Legislativa até esta terça-feira (14), eles se manifestaram para dizer que não se sentem representados e não pretendem desocupar as escolas. “A gente iniciou a ocupação [da Sefaz] às 7h e pouco. Lá dentro houve divergências com funcionários e tentamos dialogar, acalmá-los, alguns se solidarizaram com a nossa causa. Mas sabíamos que a Fazenda é um dos prédios que tem policiamento mais reforçado, depois do Piratini”, contou Bianca Cunha, estudante do colégio Inácio Montanha.

Bianca era uma das estudantes que estavam na “primeira leva” de menores de idade levados para o DML e de volta ao Deca, onde seus pais ou responsáveis foram buscá-los. Por volta das 11h, a polícia entrou na Sefaz e disse querer dialogar, mas sempre de forma truculenta, segundo ela, impondo que eles desocupassem em 10 minutos, sem apresentar propostas e sem contar com a presença de representantes do governo. “A gente disse que não iria partir para a violência, mas íamos ficar lá. Começaram a puxar os alunos um por um e jogar spray de pimenta em todos que estavam ali para não segurarmos uns aos outros. No caminho, descendo as escadas, havia muita repressão, bateram em mim, abusaram de uma companheira”, afirmou a estudante.

O relato de Ana Laura Juk, da escola Padre Reus, é semelhante. “O que eles chamaram de negociação, na verdade, era a exigência de a gente sair. Foram extremamente violentos, tiraram um a um à força, arrastando pelo prédio e jogando muito spray de pimenta em todo mundo, não conseguíamos enxergar. Não fomos violentos, tentamos nos proteger, ficar abraçados, resistindo e um ajudando o outro, mas eles foram muito violentos e nos tiraram à força”, lembra. Neste trajeto, ela destaca que não havia nenhuma policial mulher dentre os que foram retirá-los do prédio e, por isso, as estudantes afirmam que foram tocadas e levadas por homens. “Todas as outras gurias sentiram essa questão. Me puxaram e minha roupa levantou, e não tomaram nenhum cuidado com isso”, completou.

Segundo os relatos das meninas, uma das manifestantes teria sido agredida sexualmente, quando um policial a segurou com força pelos seios. Ao irem para o DML, essa jovem solicitou que a perícia em seu corpo fosse realizada por uma mulher, mas inicialmente seu pedido não foi atendido. “Tinha uma médica mulher, mas não a atendeu. Disseram que ia ficar registrado que ela se recusou a fazer a perícia, mas falamos com advogadas e elas conseguiram fazer com uma médica mulher”, relatou Ana Laura. “Fomos muito mal tratados lá [no DML], nos sentimos reprimidos porque os mesmos policiais que nos agrediram foram lá”, completou Bianca.

Dentro do Deca, os pais e responsáveis não puderam acompanhar seus filhos e só entraram no local para buscá-los quando foram liberados. “Ninguém pode entrar, a gente veio no camburão e não comemos nada até agora. Ficamos muito tempo, foi bem demorado”, disse Ana Laura. Mesmo com a repressão, porém, as duas não têm dúvidas sobre quais serão seus próximos passos. “Vamos continuar ocupando e resistindo, com certeza”, garantem.

Repressão também do lado de fora

A professora Bianca Damacena, que ensina Português na escola Oscar Tollens, era uma das que aguardava os estudantes do lado de fora do Deca. Pela manhã, ela foi à Sefaz tentar acompanhar os alunos, mas não pode entrar no prédio e se uniu com as outras pessoas que protestavam em frente ao local contra a repressão. O Sindicato dos Municipários (Simpa), que realizava um ato próximo ao local, também juntou-se aos professores e apoiadores.

Quando os estudantes começaram a ser retirados do prédio, a repressão também teve início do lado de fora, conforme Bianca. “Logo veio o Choque com escudo, spray de pimenta, reprimiu muito. Eu sou baixinha, três vezes menor que os policiais, e eles me chutaram, jogaram spray de pimenta na minha cara, me empurraram. E a gente resistiu em um escudo com professores, municipários, e denunciamos que a violência era desproporcional”, contou.

Quando foram sair com o camburão cheio de estudantes, os policiais ainda teriam jogado bombas de efeito moral para afastar os manifestantes do entorno. “Foi uma cena de horror”, resume a professora. “Estamos lutando por educação e para receber salário digno como profissionais. Uma comissão que estava ocupando o Centro Administrativo saiu para apoiar a ocupação deles. Não vamos recuar”, garante.

 
A polícia da Argentina tem usado cães farejadores e até escavadeiras para tentar recuperar dinheiro ilícito atribuído à corrupção no país. Isso porque alguns dos "tesouros" foram escondidos em lugares insólitos, como monastérios, ou mesmo enterrados em fazendas de empreiteiros envolvidos em escândalos.
O episódio mais emblemático ocorreu nesta semana, quando o ex-secretário de Obras José López, que participou dos governos de Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015), foi preso pela polícia por esconder US$ 9 milhões (R$ 31 milhões) em um monastério nos arredores de Buenos Aires. O caso foi descoberto graças à insônia de um vizinho, que pouco depois das 3h da manhã de terça-feira viu um homem parar o carro e lançar sacolas de dinheiro por cima do muro para dentro do local. Ele achou a ação suspeita e ligou para a polícia, que fez o flagrante.
A reportagem é de Marcia Carmo, publicada por BBC Brasil, 15-06-2016.
Foram encontradas 165 sacolas repletas de notas de dólares, euros e outras moedas, além de joias e uma arma. A polícia levou 14 horas para contar todo o dinheiro encontrado.
López, atualmente deputado do Parlamento do Mercosul (Parlasul), foi preso na cozinha do monastério e está detido desde então. A advogada dele, Fernanda Herrera, disse que o acusado "não está bem de saúde e não se lembra do que aconteceu".
A monja superiora do monastério, de 95 anos, se disse "surpresa" com a descoberta da quantia milionária. Segundo ela, López costumava frequentar o local e lhes presenteava com café, açúcar e outros alimentos, mas não com dinheiro. Uma das monjas disse à uma emissora de rádio local que, ao ser preso, o político gritava "querem me roubar". Segundo ela, López também citava frases como "roubei para ajudá-las".
Os argentinos ficaram estupefatos com a revelação do caso.
"Uma vergonha, prova pior não existe. Como tentar guardar dinheiro num mosteiro? Não vai ter mentira que consiga esconder esse flagrante", disse uma comerciante no bairro de Palermo, em Buenos Aires.
Para o deputado Diego Bossio, que apoiou o kirchnerismo, o episódio é "pornográfico".
Buscas com escavadeiras
O escândalo do monastério ocorre poucos dias após outro caso semelhante. Um promotor de Justiça determinou que escavadeiras buscassem dólares supostamente enterrados nas fazendas de um empresário de obras públicas preso por corrupção.
Acompanhado por cães farejadores, policiais e operários, o promotor Guillermo Marijuan liderou a operação de caça ao dinheiro diante das câmeras de televisão. A busca foi transmitida ao vivo pelas emissoras locais, mas nada foi encontrado.
Diante do episódio do monastério, alguns formadores de opinião passaram a acreditar que o promotor poderia ter razão na busca pela quantia supostamente enterrada.
Marijuan também determinou que o mesmo tipo de operação fosse realizada nas fazendas uruguaias do empresário investigado Lazaro Báez, atualmente preso. E não se descarta que o promotor mande escavadeiras para o terreno do monastério.
Juristas e membros da oposição afirmam que Baez passou de bancário a multimilionário durante o governo kirchnerista. Ainda no governo de Cristina Kirchner, ele foi acusado de guardar dinheiro em paredes falsas nas adegas de vinho que construiu em suas casas na província de Santa Cruz, reduto político dos Kirchner, no sul do país. Na época, o programa do jornalista Jorge Lanata investigava o que foi batizado de "rota do dinheiro K", em alusão ao kirchnerismo.
Depois das acusações, Báez abriu uma de suas mais de cem propriedades para as câmeras e mostrou sua adega, negando qualquer irregularidade. Mas as investigações continuaram.
No mês passado, quando desembarcava de um jatinho num aeroporto de Buenos Aires, ele foi preso. São atribuídas às empresas de Báez diversas obras públicas, entre elas o mausoléu do ex-presidente Néstor Kirchner, que governou a Argentina entre 2003 e 2007 e morreu em 2010.
Desconfiança dos bancos
Guardar dinheiro em lugares inesperados --no congelador, no aquecedor, na caixa de luz-- não é novidade na Argentina. Traumatizados com a série de bancos que quebraram no passado ou com as seguidas medidas abruptas dos governos, os argentinos estão acostumados a usar a criatividade na hora de esconder o dinheiro. A diferença agora é que a criatividade tem sido mostrada na televisão.
Recentemente foram reveladas imagens de assessores de Báez contando pilhas de dólares no local que ficou conhecido como "La Rosadita", uma financeira à qual são atribuídos negócios duvidosos dele e do poder público, assim chamada em alusão à Casa Rosada, sede do governo argentino. Báez nega os crimes.
"Eu dormia e acordava pensando onde eles estão guardando tanto dinheiro de tanta corrupção", disse nesta terça-feira o ex-promotor da Auditoria Geral da Nação (AGN) Leandro Despouy. "Agora as provas foram materializadas".
Especialistas afirmam ainda que após o episódio conhecido como Panamá Papers, que revelou nomes de personalidades com dinheiro em paraísos fiscais --no caso da Argentina, foi mencionada a família do presidente, Mauricio Macri--, também ficou mais difícil esconder dinheiro não declarado fora do país.

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