Mortes de moradores de rua com a onda de frio em São Paulo

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14 Junho 2016

Créditos da Imagem: Rovena Rosa / Ag. Brasil

O frio intenso da cidade de São Paulo, que essa madrugada registrou uma temperatura média de cerca de 3°C, já fez ao menos quatro vítimas. Além de que são moradores de rua e morreram sozinhos, muito provavelmente em decorrência das baixas temperaturas, pouco se sabe deles. Na última sexta-feira, 10, João Carlos Rodrigues, 55 anos, foi encontrado morto nas imediações da estação Belém do metrô, Zona Leste. No domingo, 12, Adilson Justino, com idade desconhecida, morreu na calçada da Avenida Paulista. Os outros dois casos, relatados pelo padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Povo da Rua, são de um homem e uma mulher, ambos não identificados, que foram encontrados em Santana e nos arredores do Terminal Rodoviário do Tietê. Neste domingo de Dia dos Namorados, enquanto pedestres usavam a Avenida Paulista, fechada para carros, Lancelotti e um grupo de 50 pessoas fez um protesto contra as mortes praticamente anônimas dos moradores de rua.

A reportagem é de André de Oliveira, publicada por El País, 13-06-2016.

Em um momento em que as temperaturas atingem os níveis mais baixos em 22 anos, o padre Lancelotti, uma das principais referências no trabalho de acolhimento e amparo de moradores de rua, e outras entidades, já vinham alertando para a possibilidade de mortes com o frio mesmo antes da situação se intensificar na semana passada - um problema recorrente no inverno paulistano. Os quatro casos intensificaram as críticas de Lancelotti à prefeitura. Ele se diz decepcionado com a Gestão Fernando Haddad (PT). A Prefeitura rebate.

Segundo a Prefeitura, somando-se às 10.000 vagas fixas para acolhimento de moradores de rua, novas 1.437 – 11.437 ao todo – foram abertas emergencialmente neste momento, como parte do programa Operação Baixas Temperaturas. Segundo o censo de 2015, contudo, São Paulo tem hoje 15.905 pessoas vivendo nas ruas, número que excede em alguns milhares as atuais vagas disponíveis para acolhimento. Além disso, o padre Lancelotti acredita que “o problema é que as vagas emergenciais não são bem distribuídas, quem vive na Mooca, por exemplo, não vai sair de lá para ir até a Lapa, onde há disponibilidade de serviço”.

Por meio da assessoria imprensa, a administração da cidade rebate que as vagas emergenciais são abertas de acordo com o tamanho dos centros de acolhida, se a lotação máxima é atingida, as pessoas são encaminhadas para os locais mais próximos possíveis. Contudo, a Prefeitura não soube informar exatamente onde as vagas foram abertas. Segundo Lancelotti, a Zona Leste, segunda área com mais moradores de rua – 842 de acordo com o censo – está pouco coberta pelas vagas emergenciais. “A morte de moradores de rua em decorrência do frio paulistano é caso recorrente na história da cidade e não mostram exatamente descaso, mas uma incapacidade que já se arrasta há anos e não melhorou nada na gestão de Haddad”, diz o padre.

Atuação truculenta da guarda municipal

O momento em que o frio é mais intenso também coincide com denúncias de que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) está agindo de forma truculenta durante ações de zeladoria executadas em conjunto com as subprefeituras. Segundo o padre Lancelotti, ações batizadas de “rapa” têm levado colchões, cobertores e até pertences pessoais (como documentos) de moradores de rua. Entrevistadas por uma reportagem do portal G1, diferentes pessoas relataram terem tido os pertences pessoais e de trabalho, como carroças, levados pela GCM, além de terem sido acordadas de forma truculenta, com uso de água no rosto, tapas e chutes.

A retirada de pertences, como aponta Lancelotti, torna a vida do morador de rua, que por motivos diferentes não é atendido pelo centro de acolhimento, mais difícil. A Prefeitura diz em nota que desde março, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana incorporou uma cartilha relativa à atuação policial na proteção dos direitos humanos e que é expressamente proibido recolher bens pessoais como "documentos, sacolas, medicamento, livros, malas ou mochilas com roupas". Ainda segundo a administração, abusos devem ser apurados e denúncias podem ser encaminhadas para a Corregedoria Geral da GCM.

“O ‘rapa’ é uma ação sistemática, continua existindo como sempre existiu”, comenta Lancelotti. Um dos pontos de descontentamento do padre é justamente a Secretaria Municipal de Assistência Social, comandada por Luciana Temer. A pasta não responde pelas ações da GCM, mas é responsável pela abordagem e encaminhamento dos moradores de rua para os centros de acolhida.

Segundo a Prefeitura da cidade, “desde 16 de maio, mais de 240.000 acolhimentos foram feitos por meio do programa Operação Baixas Temperaturas” e só nesse final de semana 11.000 moradores de rua foram acolhidos e 500 profissionais têm trabalhado na abordagem, identificação e encaminhamento das pessoas. O programa mencionado é acionado imediatamente todas as vezes em que a temperatura na cidade atinge 13° C.

Créditos da imagem: Observatório do Povo da Rua


SP: Moradores de rua mortos de frio

Na tarde de domingo passado (12), a Pastoral do Povo de Rua de SP e ativistas de várias outras entidades realizaram um ato de protesto para alertar a população sobre o descaso da Prefeitura em relação aos moradores de rua, virtualmente abandonados para tentarem sobreviver sozinhos a uma das maiores ondas de frio das últimas décadas.

O protesto ocorreu no centro financeiro da Cidade, na Avenida Paulista, em frente ao número 500, onde, por volta das 4 horas deste domingo, Dia dos Namorados, foi encontrado o corpo sem vida do morador de rua Adílson Roberto Justino, de 53 anos, vítima de hipotermia.

Assim como Adílson, pelos menos outros três moradores de rua morreram de frio na Cidade desde sexta passada. Dois em Santana, Zona Norte, e um outro no Belém, na Zona Leste.

O ato terminou com as cerca de 50 pessoas participantes, deitando-se no chão, em memórias das vítimas do descaso da Cidade para com os mais pobres entre os pobres.

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