Hebe de Bonafini pediu perdão ao Papa e fez duras críticas ao macrismo

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Por: André | 30 Mai 2016

“Fomos felizes durante 12 anos e em cinco meses destruíram tudo”, disse no encontro com o Papa Francisco.

 
Fonte: http://bit.ly/25n6MRh  

A reportagem é de Elisabetta Piqué e publicada por La Nación, 27-05-2016. A tradução é de André Langer.

“Em cinco meses, este Governo destruiu o que fizemos em 12 anos”. Durante o encontro de “duas horas” com o Papa, que a recebeu em uma audiência privada na Residência de Santa Marta, Hebe de Bonafini criticou duramente o governo de Mauricio Macri.

Ela denunciou a situação de “violência institucional” vivida pelo país e pediu ajuda ao Papa para reverter a situação para que a população não necessite assaltar novamente os supermercados, como aconteceu em 2001. Além disso, admitiu que no encontro, que segundo ela durou duas horas – segundo outros cálculos durou pouco mais de uma hora –, pediu-lhe desculpas por “ter se equivocado com ele”.

Críticas a Macri

Além da desculpa por erros passados, a coletiva de imprensa que concedeu após seu encontro com o Papa resultou em um duríssimo ataque ao governo.

“Estamos muito aflitos, querem obrigar o povo a passar novamente pelo que aconteceu em 2001, para que tenhamos que sair às ruas para assaltar os supermercados. Não vim para contar fantasias ao Papa. Vim para lhe contar o que está acontecendo. Somos um povo que fomos felizes durante 12 anos e em cinco meses destruíram tudo”, clamou.

“Nenhum dos planos de Cristina tem continuidade; todos foram cortados, não há mais planos para ajudar as mulheres grávidas e as crianças. Fecharam os comedores para os pobres. Não estamos dispostos a ficar calados, a ficar com os braços cruzados. Falei sobre isso com o Papa; disse-lhe que precisamos de sua ajuda, que queríamos que venha, suas palavras podem ser muito importantes. Santo Padre, você impediu o bombardeio da OTAN, o que está acontecendo na Argentina é mais fácil. Oxalá possa parar o que está acontecendo aqui”, disse-lhe.

Como foi o encontro

Bonafini, de 87 anos, apresentou-se em cadeiras de rodas no Vaticano, onde chegou acompanhada por Marta Cascales, a esposa do ex-secretário de Comércio, Guillermo Moreno, sua médica, Silvina, sua secretária, Sofia, o companheiro López e pessoas da associação italiana Kabawil. De acordo com a presidenta das Mães da Praça de Maio, que foi a única porta-voz do encontro – já que do Vaticano não houve comunicados de imprensa –, este durou duas horas. Bonafini esteve então a sós com o Pontífice, que mais tarde saudou os demais componentes da delegação.

“Ele me escutou com muita atenção durante as duas horas e disse que já sabia de muitas coisas, mas outras não. Disse-me que tinha que vir este ano, mas não pode vir. Disse-me que não me conhecia assim como estava lhe falando e foi muito carinhoso comigo, me tratou com muito afeto”, contou.

Bonafini, que deu um lenço branco das Mães da Praça de Maio ao Papa e que, por sua vez, recebeu do Papa um terço e uma medalha com a Virgem e o Menino Jesus, manifestou-se “comovida” pelo encontro.

Mas não deixou de disparar chumbo grosso contra o governo de Macri, que “mente”, aumentou brutalmente as tarifas, deixou milhares de pessoas sem trabalho e que através de uma “justiça corrupta quer levar Cristina à prisão”.

“Macri traz à Casa do Governo bruxos para exorcizá-la da maldade de Cristina”, disparou Bonafini que também acusou o governo pela volta de um inaceitável “capitalismo selvagem”, que também preocupa em outros países da região. “Os yankees vêm com tudo”, disse.

Diante de perguntas, uma e outra vez Bonafini disse que não veio para falar sobre os desaparecidos ou das Mães da Praça de Maio, mas do sofrimento atual do povo argentino, que não tem trabalho. “Os trabalhadores de hoje são os desaparecidos”, sentenciou.

O que o Papa disse antes do encontro

O certo é que, na falta de uma versão por parte do Vaticano, nos últimos dias, consciente das polêmicas que explodiram na Argentina sobre o encontro, o próprio Papa encarregou-se de contextualizar o encontro com Bonafini.

“Parece que a pedra de escândalo é que eu receba a senhora Bonafini. Sei bem quem ela é, mas minha obrigação de pastor é compreender com mansidão”, escreveu Francisco em um correio eletrônico a um amigo argentino que preferiu conservar o anonimato. “Esta senhora, da praça (de Maio), me insultou várias vezes com artilharia pesada, mas não fecho a porta a uma mulher a quem sequestraram os filhos e não sabe como e quanto tempo os torturaram, quando os mataram e onde os enterraram. O que vejo ali é a dor de uma mãe. Se ela me usa ou não, isso não é problema meu. Meu problema seria não tratá-la com a mansidão de pastor”, acrescentou, na mensagem, à qual teve acesso a agência Télam.

 
Fonte: http://bit.ly/25u1zdS  

O Papa disse algo muito parecido com o que disse o padre Fabián Báez, pároco de Villa Urquiza que ganhou fama quando o Papa o convidou para subir no papamóvel. Em um telefonema que lhe deu para dar-lhe os pêsames por um familiar falecido, perguntado sobre o tema, Francisco disse: “Perante uma mãe a quem mataram o filho, ponho-me de joelhos, não pergunto nada”.

Nessa mesma conversa, diante de outra pergunta, o Papa esclareceu que nunca tomou conhecimento da presença de Margarita Barrientos no Vaticano, há três anos, quando a dirigente social foi afastada indevidamente da audiência geral, segundo veio à tona agora.

O mesmo disse o Papa ao seu amigo judeu, Luis Liberman, diretor da Cátedra do Diálogo e da Cultura do Encontro, em outra conversa telefônica na qual, falando da presidenta das Mães da Praça de Maio, disse: “Eu não tenho mais que misericórdia por Bonafini”.

Pessoas próximas ao Papa, por outro lado, destacaram como falsa a versão que indica que durante uma tomada da catedral por parte das Mães da Praça de Maio, no final dos anos 90, o altar teria sido usado como banheiro. Dessa vez, ao contrário, Bergoglio ordenou que os banheiros fossem abertos.

Em novembro de 2014, Francisco recebeu em uma audiência privada a presidenta das Avós da Praça de Maio, Estela Carlotto, junto com seu neto recuperado, Ignacio Urban, e outros membros de sua família. Nessa ocasião, Carlotto admitiu ter cometido um erro ao acusar, em outra época, Bergoglio de ter sido cúmplice da ditadura. Por vontade do Papa, o Vaticano decidiu abrir os arquivos que conserva sobre a ditadura, que estão sendo reordenados.

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