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Por: Jonas | 27 Mai 2016

A Espanha está outra vez em pré-campanha eleitoral. Quase seis meses após os candidatos apresentarem o seu melhor sorriso para conquistar um eleitorado sumamente fragmentado, os principais líderes políticos do país voltam às praças para convencer os cidadãos que ainda é possível confiar neles. Repetem-se as caras, repete-se a maioria das propostas, mas na corrida para as eleições gerais de 26 de junho, além dos cortes orçamentários nas campanhas – todos os partidos se comprometeram, por exemplo, a não voltar a pegar cartazes nas ruas como medida de austeridade –, outras mudanças se avizinham em relação às eleições do último dia 20 de dezembro.

A reportagem é de Flor Ragucci, publicada por Página/12, 25-05-2016. A tradução é do Cepat.

A primeira grande diferença é a fusão entre Podemos e Esquerda Unida na plataforma Unidos Podemos, cujos secretários gerais a formalizaram, na semana passada, após ratificar o acordo com o voto de seus respectivos simpatizantes. A coalizão de esquerdas poderia reconfigurar o mapa político espanhol se, como pressagiam as últimas sondagens, conseguisse passar o Partido Socialista (PSOE) e se colocar na segunda posição, atrás do Partido Popular (PP). Segundo a pesquisa realizada por Metroscopia para o jornal El País deste domingo, Unidos Podemos conseguiria o desejado “sorpasso” – termo italiano que significa “adiantar” e que a Espanha adotou nas últimas semanas como nome para a possibilidade de que as esquerdas ultrapassem o PSOE – se amanhã mesmo fosse às urnas.

A pesquisa atribui à coalizão liderada por Iglesias uma estimativa de voto de 23,2%, ou seja, um ponto e dois décimos a menos que a soma obtida pelas duas formações, em separado, no último 20 de dezembro, mas – em razão das arbitrariedades da lei eleitoral espanhola – essa queda percentual não evitaria que ao ir juntos somem mais cadeiras que nas últimas eleições. Além do que, se for confirmado estes resultados, seriam desmontadas as expectativas que apontavam que a união de Podemos e Esquerda Unida não iria manter os votos que obtiveram em separado.

O candidato do PP e ainda presidente em funções, Mariano Rajoy, gritou ao céu desde as primeiras horas da nova confluência e alertou seus possíveis eleitores, em um vídeo de pré-campanha, que seu partido é “a esperança da Espanha moderada”, frente a uma “alternativa extremista” que descreve como “um dissolvente de todo o bem”. Mais além ainda foi Rafael Hernando, porta-voz do PP no Congresso, com um tuíte emitido antes de se conhecer o apoio das bases da Esquerda Unida à união com Podemos, em que afirmava que, “por fim, Podemos retira a máscara e se une com a Esquerda Unida para se retratar como o que são: os velhos comunistas de sempre”.

Apesar do evidente mal-estar que ocasiona à formação conservadora a nova coalizão de esquerdas, entre as fileiras do PP não se perde a calma, dado que as últimas pesquisas seguem lhes concedendo a vitória. A pesquisa de Metroscopia prognostica que Mariano Rajoy consolidaria sua primeira posição com um apoio de 29,9%, um ponto e dois décimos a mais que o apoio que obteve nas últimas eleições de dezembro, saindo vencedor – com uma maioria muito ajustada – e se repetiria a complexa conjuntura que impediu, após meses de negociações, a formação de um governo.

Aqueles que, sim, têm maiores motivos para estar preocupados são os socialistas. Não está fácil para o seu candidato, Pedro Sánchez, caso se cumpram os prognósticos das pesquisas. Segundo a pesquisa publicada por El País, o PSOE retrocede quase dois pontos (1,8) em relação ao resultado de 20 de dezembro, enquanto vê, além disso, como o seu principal adversário na esquerda lhe ultrapassa. Possivelmente, desgastado pelo fracasso de sua “missão” de formar governo, o partido socialista enfrenta, agora, sua segunda oportunidade nas urnas, já se opondo frontalmente ao grupo de Pablo Iglesias e reforçando sua aposta pelo centro do arco político.

Ontem, Pedro Sánchez afirmou, em uma conferência realizada em Madri, que o líder de Unidos Podemos não conseguiria a prenunciada ultrapassagem e que, assim como após as eleições realizadas em dezembro, não utilizaria suas cadeiras para desalojar a Mariano Rajoy, permitindo a volta do PSOE ao Palácio da Moncloa. “Se o PSOE não vencer as eleições, não haverá mudança. Se dependo dos votos de Iglesias, estou convencido de que nunca apostará em um presidente socialista”, previu Sánchez, em um novo chamado ao voto útil que pretende concentrar em torno do PSOE grande parte do apoio daqueles que querem que Rajoy não seja reeleito. A direção socialista considera que muitos daqueles que votaram em Iglesias, em dezembro, fizeram isto para que o mesmo impedisse a continuidade do PP, coisa que não fez ao rejeitar se somar ao pacto que Sánchez assinou com Cidadãos.

Por sua parte, aí segue a formação de Albert Rivera, firme em sua proposta de centro-direita, em férrea oposição ao Podemos e Esquerda Unida, capaz de pactuar tanto com o PSOE como com o PP e, sem ter feito nenhum giro estratégico, com um resultado levemente melhor que nas eleições anteriores, de acordo com a pesquisa de Metroscopia. Cidadãos obteria um apoio de 15,5%, ou seja, 1,6 ponto a mais que no último mês de dezembro e poderia voltar a ter um papel determinante se, junto ao partido de Rajoy, somasse maioria absoluta.

Porém, se as urnas de junho têm muitas possibilidades de ser diferentes das anteriores pelo surgimento de um novo bloco de esquerdas, também as têm pela alta porcentagem de abstenção que se prognostica. As pesquisas estimam uma expectativa de participação de 68%, cinco pontos a menos que a do último dia 20 de dezembro e seis a menos que a média histórica, desde que existe democracia. Em parte, este descenso se deve ao descrédito que os partidos sofreram após o fracasso das negociações para formar o governo. Junto ao cansaço dos cidadãos, soma-se a coincidência destas novas eleições com um feriado muito importante na maioria do Estado, o da noite de São João.

A baixa participação poderá favorecer o PP se, como ocorre em cada encontro com as urnas, aqueles que “não falham” forem os eleitores conservadores que, animados pelas promessas de seu líder, não deixarão passar a oportunidade de frear “o extremismo de esquerdas” que para eles a confluência de Esquerda Unida e Podemos significa.

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