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24 Mai 2016

Os 31 mil eleitores que garantiram a vitória de Alexander van der Bellen no segundo turno da eleição presidencial austríaca, no domingo, fizeram muito mais do que evitar a emergência do primeiro governo europeu de extrema-direita desde os anos 1970. Eles mostraram que se pode vencer o racismo e a xenofobia sem ceder terreno ao apelo demagógico ao fechamento de fronteiras, aos muros, ao confinamento e à deportação. Medidas como essas foram, em maior ou menor medida, adotadas por praticamente todos os governos da Europa meridional e central diante da explosão migratória nos últimos dois anos, independentemente de coloração política ou orientação ideológica.

O comentário é de Luís Antônio Araujo, jornalista, publicado por Zero Hora, 24-05-2016.

É o caso do governo do premier austríaco social-democrata Werner Faymann, que começou a construir sua própria cerca na fronteira com a Itália para deter os “indesejáveis”. Esse e outros gestos não impediram o partido de Faymann de afundar nas eleições de maio, e ele próprio teve de renunciar na semana passada diante da avalancha de votos dados ao candidato do Partido pela Liberdade (FPÖ), Norbert Hofer.

Embora Hofer tenha sido detido na undécima hora em sua marcha rumo ao palácio presidencial, ainda assim obteve expressiva votação. Quase um em cada dois eleitores austríacos demonstraram preferir tê-lo como presidente. É, de longe, o melhor resultado eleitoral da extrema-direita em muitas décadas no continente. A Europa evitou mergulhar num pesadelo, mas não terá um sono tranquilo.

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