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Por: André | 20 Maio 2016

A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteira pediu, na quarta-feira, uma imediata abertura dos chamados “hostpots” (centros de recepção e triagem de pessoas deslocadas) nas ilhas gregas.

A reportagem é publicada por Página/12, 19-05-2016. A tradução é de André Langer.

Um protesto de refugiados explodiu na ilha grega de Quios e no acampamento de Schisto, em Atenas. Segundo informou a imprensa grega, os migrantes se declararam em greve de fome para forçar a abertura das fronteiras para o centro da Europa. Em Schisto, os grevistas já estão há dois sem se alimentar. “Cruzar as fronteiras e viajar para os países de sua preferência é o que podem fazer aqueles que têm dinheiro. Mas a União Europeia fecha as fronteiras para nós, que buscamos asilo”, diziam os cartazes que os refugiados ostentavam nos acampamentos. Os manifestantes ficaram retratados em uma página na internet de ativistas, com suas bocas tapadas com fita adesiva.

Há uma semana, os moradores do acampamento de Elliniko, em Atenas, já haviam se negado a comer, mas finalmente levantaram o protesto. A imprensa grega informou, além disso, que pessoas ligadas ao crime organizado estão convertendo o campo de refugiados em Idomeni, na fronteira com a Macedônia, em um lugar cada vez mais problemático. O vagão de um trem teria sido transformado em prostíbulo e estaria sendo usado por migrantes procedentes do Marrocos para vender drogas, segundo relatou um repórter do canal de televisão Skai. A imprensa grega afirma que há também traficantes de pessoas que, em troca de muito dinheiro, levam os migrantes para o outro lado da fronteira com a Macedônia, onde geralmente são presos e devolvidos à Grécia.

Kathy Athersuch, representante da Médicos Sem Fronteira, disse que sua organização não conseguiu confirmar a existência de um prostíbulo ou do tráfico de drogas no acampamento, mas sim a presença de traficantes de pessoas. A organização de ajuda humanitária pediu, na quarta-feira, uma imediata abertura dos chamados “hotspots” (centros de recepção e triagem de pessoas deslocadas) nas ilhas gregas. As condições dos centros de registro de migrantes são indignas, humilhantes e desumanas, segundo a Médicos Sem Fronteira.

Por outro lado, a polícia grega não está presente em Idomani, mas bloqueou num amplo raio o acesso de veículos para impedir a entrada de mais pessoas. O governo de Alexis Tsipras não quer desalojar o acampamento à força, porque no local vivem muitas crianças e mulheres; provavelmente, também porque procura por todos os meios não se vincular à difusão de imagens de violência.

De acordo com a comissão para a gestão da crise de refugiados em Atenas, no acampamento de Idomeni permanecem 9.200 refugiados e migrantes, embora alguns meios de comunicação elevem essa cifra para 11 mil. Os refugiados e migrantes não aceitaram até o momento ser transferidos para os acampamentos de acolhida do Estado, na esperança de que a fronteira, finalmente, se abra para que possam prosseguir na sua viagem para o centro da Europa. Dezenas deles bloqueiam, além disso, há mais de cinco semanas, as estradas de ferro em Idomeni.

Segundo a emissora de TV Skai, trata-se em sua maioria de pessoas oriundas do Marrocos, Tunísia, Afeganistão e Paquistão. A passagem ferroviária de Idomeni é de vital importância para a economia exportadora da Grécia. Segundo outros meios de comunicação helenos, algumas empresas de transporte da Alemanha e da Áustria reclamaram o pagamento de indenizações aos seus sócios gregos por causa do bloqueio na fronteira com a Macedônia. De acordo com a emissora de rádio Athina 984, só as perdas para empresas gregas passam dos seis milhões de euros.

Fontes da Guarda Costeira e da Polícia gregas disseram que Atenas devolveu, pela segunda vez, um pequeno grupo de sírios à Turquia desde que entrou em vigor, em princípios de abril, o acordo migratório entre este país e a União Europeia. Os quatro sírios, que não apresentaram pedido de asilo na ilha de Quios, foram levados de volta para a Turquia de avião. Até o momento, 372 migrantes e refugiados, procedentes de diversos países, foram devolvidos à Turquia.

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