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19 Maio 2016

O Concílio Pan-Ortodoxo, mais corretamente chamado de Santo e Grande Sínodo da Igreja Ortodoxa terá a participação de bispos de todas as Igrejas autocéfalas canônicas que compõem atualmente a Igreja Ortodoxa, a saber: Patriarcado Ecumênico, Patriarcado de Alexandria, Patriarcado de Antioquia, Patriarcado de Jerusalém, Patriarcado de Moscou, Patriarcado da Geórgia, Patriarcado da Sérvia, Patriarcado da Romênia, Patriarcado da Bulgária, Igreja do Chipre, Igreja da Grécia, Igreja da Polônia, Igreja da Albânia, Igreja das Terras Tchecas e da Eslováquia.

A reportagem é do sítio da Comunidade de Bose, 17-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois de algumas décadas de preliminares e de auspícios, amadurecidos durante assembleias e congressos pan-ortodoxos, a preparação do Concílio foi oficialmente iniciada em 1961, por vontade do então Patriarca Ecumênico Atenágoras: naquele ano, foi convocada a primeira Conferência Pan-Ortodoxa de Rhodes, que elaborou uma primeira lista de temas que o Sínodo deveria discutir.

Estes compreendiam, desde o início, as relações entre as várias Igrejas ortodoxas, com as espinhosas questões da jurisdição para além dos tradicionais territórios canônicos de pertinência, as relações com as Igrejas não ortodoxas, a atualização de alguns aspectos da vida da Igreja e, mais em geral, o papel da Igreja no mundo contemporâneo.

A convocação do Concílio Pan-Ortodoxo é confiada ao Patriarcado Ecumênico, como Igreja que goza de um estatuto primacial de honra (primus inter pares) e desempenha um ministério de comunhão entre as várias Igrejas ortodoxas.

Pelo mesmo patriarcado também foi assumida a gestão da preparação e da coordenação dos trabalhos. Para esse objetivo, a sede do secretariado para a preparação do Concílio foi estabelecida em Chambésy (Genebra).

Lá, foram organizadas desde 1976 as conferências pré-sinodais e as reuniões da comissão preparatória interortodoxa, que discutiram, elaboraram e, várias vezes, modificaram os documentos relacionados com os temas sinodais estabelecidos.

O fato de o Santo e Grande Sínodo ser a primeira convocação conciliar pan-ortodoxa depois de séculos ou, melhor, depois de mais de um milênio (desde o Concílio de Niceia II em 787), obviamente, não podia deixar de levantar inúmeros problemas de compreensão recíproca, de visão comum, de coordenação, com tensões não resolvidas entre as várias almas da ortodoxia.

Embora as dificuldades crescentes, que arriscaram várias vezes desmoronar o projeto conciliar, no entanto, foi aumentando ao longo dos anos, por parte das mentes mais iluminadas da ortodoxia, a consciência da necessidade inadiável desse evento, para dar um testemunho credível de unidade e comunhão diante do mundo contemporâneo.

Assim, por exemplo, expressaram-se Olivier Clément e Paul Evdokimov em um "Apelo à Igreja", publicado em 1971: "Hoje, cada grande evento é um evento para todos os homens. A Igreja se torna um 'pequeno rebanho', mas a atitude dos homens em relação a ela é ambivalente: desprezam-na, mas também esperam dela gestos e palavras em que se expresse o Sentido (…) Se, portanto, a Ortodoxia se reunir em Concílio, o mundo inteiro vai voltar os olhos para ela à espera de uma palavra de vida, de uma palavra essencial dirigida a todos".

Depois de várias décadas de impasse, apesar do entusiasmo, do empenho e da convicção dos patriarcas ecumênicos Atenágoras e Dimitrios, os trabalhos de preparação passaram por uma aceleração apenas nos últimos anos do patriarcado de Bartolomeu, especialmente graças à instituição de uma nova forma de consulta pan-ortodoxa, a Sinaxe dos primazes das Igrejas ortodoxas autocéfalas.

A convocação de tais reuniões extraordinárias (iniciadas em 1992) foi uma iniciativa do próprio patriarca, a fim de chegar à sintonização entre as Igrejas ortodoxas sobre temas de atualidade ou de interesse intereclesial particular, através de um encontro pessoal e próximo no máximo nível da hierarquia eclesiástica.

De fato, isso permitiu desbloquear a situação de imobilismo: a Sinaxe de 2014 anunciou formalmente a convocação do Concílio para o Pentecostes de 2016 e, no início deste ano, entre os dias 21 e 28 de janeiro, uma nova sinaxe reunida em Chambésy confirmou a mesma decisão (modificando apenas o local da convocação: não mais Istambul, de acordo com o projeto original, mas Chania, na ilha de Creta, junto à Academia Teológica de Creta, situada sob a jurisdição do Patriarcado Ecumênico).

Na mesma ocasião, foram publicados oficialmente os seis documentos que serão submetidos à aprovação do Concílio (a publicação prévia pretende sensibilizar todo o corpo eclesial, abrindo a possibilidade de discussões e de propostas de mais modificações):

  • A missão da Igreja Ortodoxa no mundo contemporâneo;
  • A diáspora ortodoxa;
  • A autonomia [das Igrejas ortodoxas locais individuais] e a modalidade da sua proclamação;
  • O sacramento do matrimônio e os seus impedimentos;
  • A importância do jejum e a sua observância hoje;
  • Relações da Igreja Ortodoxa com todo o mundo cristão restante.

Note-se que, em comparação com a lista original, foram eliminados três temas que não alcançaram a convergência das Igrejas em um documento comum:

  • A "autocefalia" e a sua proclamação (isto é, o modo pelo qual uma Igreja pode ser declarada independente em relação às outras);
  • Os "dípticos" (isto é, a sequência oficial das Igrejas ortodoxas de acordo com o grau de dignidade);
  • A questão do calendário comum (ou seja, a solução da disparidade entre o uso do calendário juliano e do calendário gregoriano).

O processo de convocação foi oficialmente concluído com a publicação da encíclica do Patriarca Bartolomeu do dia 20 de março, "Sobre a convocação do Santo e Grande Sínodo da Igreja Ortodoxa".

Nesse texto, o patriarca salienta a importância da via da sinodalidade como a única via de discernimento entre verdade e mentira: "Sem decisão sinodal, o discernimento entre ortodoxia e heresia não é possível. Todos os dogmas da Igreja e os seus sagrados cânones trazem o selo da sinodalidade. A Ortodoxia é a Igreja da sinodalidade".

A encíclica esclarece que se trata, principalmente, de dar um testemunho de unidade ("Os tempos são críticos, e a unidade da Igreja deve ser o exemplo da unidade para a humanidade dilacerada por divisões e conflitos") e de dar um "primeiro passo" no caminho sinodal, ao qual outros poderão se seguir no futuro próximo.

Do ponto de vista prático, é preciso recordar que, com base no regulamento publicada pela própria Sinaxe dos primazes de janeiro de 2016, o Concílio Pan-Ortodoxo será presidido pelo Patriarca Ecumênico, que abrirá e coordenará os trabalhos.

Estarão representadas no Concílio todas as Igrejas ortodoxas autocéfalas, e cada uma terá uma delegação de 24 bispos, que, no entanto, poderão estar acompanhados de seis consultores (clérigos, monges ou leigos, tanto homens, quanto mulheres) e de três assistentes.

As discussões, na plenária ou nas comissões separadas, poderão se concentrar unicamente nos seis artigos publicados, e as decisões finais serão tomadas por unanimidade: isso significaria que um documento, se não recebesse a aprovação de todas as delegações das várias Igrejas (cada uma terá direito a um voto), não seria aprovado.

As sessões de abertura e de encerramento poderão ser assistidas pelos observadores das outras Igrejas e confissões cristãs (são dois os observadores da Igreja Católica, e um para cada uma das outras Igrejas ou instituições ecumênicas principais), junto com os jornalistas credenciados, enquanto as outras sessões serão todas a portas fechadas. Além dos documentos aprovados, o Concílio irá produzir uma "mensagem final", cuja elaboração será confiada a uma comissão especial.

Estes meses que separam a convocação da celebração do Concílio já viram um grande fervor organizativo, e um vivo debate também foi provocado pela publicação dos documentos preparatórios: em vários países (Grécia, Rússia, Bélgica, Estados Unidos), para esse propósito, foram organizados congressos teológicos sobre os temas conciliares, que elaboraram propostas de melhoria e modificação, contribuindo para a sensibilização da opinião pública e eclesial sobre o significado do evento que está prestes a ser celebrado.

Paralelamente, não faltaram as tensões e as reações negativas: não só as alas conservadoras presentes em quase todas as Igrejas ortodoxas criticaram repetidamente as "aberturas" e as "novidades" presentes nos documentos sobre as relações da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo cristão e sobre a missão da Igreja no mundo contemporâneo, mas também foram registrados posicionamentos negativos dos sínodos de Igrejas inteiras, como a da Igreja Ortodoxa da Geórgia, que, depois de se recusar a aprovar, junto com o Patriarcado de Antioquia, o documento relativo ao sacramento do matrimônio, posteriormente, retirou a sua aprovação também para o documento relativo às relações ecumênicas.

Também não podemos esquecer do desconforto causado pela ruptura da comunhão, que persiste apesar das tentativas de recomposição, entre o Patriarcado de Jerusalém e o Patriarcado de Antioquia, por causa da jurisdição canônica no Qatar.

Apesar de tudo, a determinação do Patriarca Bartolomeu e dos seus colaboradores diretos e, ao mesmo tempo, a convicta adesão de várias outras Igrejas ortodoxas suscitam boas esperanças, no que diz respeito ao fato de que o grande navio do Concílio, que partiu de longe, possa finalmente chegar ao porto: será um momento histórico decisivo, não só para o mundo ortodoxo, mas também para todo o mundo cristão, assim como foi o Concílio Vaticano II, celebrado em âmbito católico há 50 anos.

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