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Por: André | 17 Maio 2016

Em Madri e em cerca de 50 cidades espanholas, recordou-se a eclosão da grande mobilização de 2011 contra as políticas de ajuste e os partidos tradicionais. Em outros 25 países do mundo também houve marchas.

A reportagem é publicada por Página/12, 16-05-2016. A tradução é de André Langer.

As manifestações populares que eclodiram há cinco anos na Espanha foram recordadas no último domingo na capital ibérica e em outras cidades europeias. Ao grito de “Sim se pode!”, milhares de indignados voltaram, no domingo, à Puerta del Sol de Madri, epicentro do nascimento do 15-M, para celebrar o quinto aniversário da grande mobilização cidadã que agitou a Espanha em 2011 em protesto contra os políticos e o sistema. A manifestação de Madri foi o maior protesto de todos os que aconteceram em cerca de 50 cidades espanholas, ao lado de cerca de outras 500 manifestações convocadas em outros 25 países do mundo, entre elas a da Nuit Debout, em Paris.

O quinto aniversário do 15-M esteve marcado pela proximidade da campanha para as eleições gerais de 26 de junho na Espanha, encontro nas urnas que não se repete desde as eleições de dezembro, depois que não se conseguiu formar governo, e com acusações lançadas desta vez contra o Podemos por querer se apropriar da marca do movimento com finalidades eleitorais. A manifestação do domingo foi numerosa, mas com espaços vazios no quilômetro zero da capital espanhola que mostraram que a mobilização cidadã ficou longe daqueles dias de maio de 2011.

Desde o seu nascimento, em 2014, propiciado pelos protestos do 15-M, o Podemos soube canalizar a indignação que manteve em ponto culminante durante meses a mobilização contra o sistema econômico e político, pedindo a radicalização da democracia e denunciando a corrupção na Espanha. “De norte a sul, de leste a oeste, a luta continua, custe o que custar”, voltaram a gritar no domingo os indignados em Madri. Cinco anos depois, o descontentamento dos espanhóis com a política não apenas não se reduziu, mas parece ter aumentado.

De acordo com o estatal Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), das 67% das pessoas que em 2011 consideravam ruim ou muito ruim a situação política espanhola, passou-se para 82% na atualidade. Soma-se a esse cenário de descontentamento social um cenário de impasse político sem precedentes: o governo de Mariano Rajoy segue em funções desde as eleições de 20 de dezembro porque não se conseguiu formar um novo Executivo.

Sob o ritmo da batucada, a manifestação festiva começou na conhecida Praça de Cibeles, em frente à prefeitura de Madri, em que, há um ano, governa a ex-juíza Manuela Carmena, que chegou a ocupar esse cargo graças ao acordo alcançado entre a força que a fez sai candidata, Agora Madri, e o partido liderado por Pablo Iglesias. “O 15-M foi um movimento maravilhoso”, disse no domingo a prefeita. Jorge Fernández Díaz, ministro do Interior em exercício, foi seu contraponto: “O 15-M – disse o funcionário – tinha iniciativas que não são próprias de uma sociedade democrática”.

Uma hora e meia depois de iniciada, a marcha entrou na Puerta del Sol ao grito de “Sim se pode!”, uma das palavras de ordem que depois seria assumida pelo Podemos. Voltou-se a escutar também: “Eles não nos representam!”, contra os políticos. “Ninguém pode representar um movimento e, no entanto, o 15-M representou um novo país. Feliz aniversário”, escreveu no Twitter o líder do Podemos. Embora o partido não tenha participado organicamente da marcha, foi possível ver a participação de líderes conhecidos.

Como um gesto para o legado da Puerta del Sol, Iglesias e o líder da Esquerda Unida (IU), Alberto Garzón, anunciaram ali o acordo alcançado na semana passada para se coligarem em vista das próximas eleições. Dois dos coletivos cidadãos que continuam trabalhando na esteira do 15-M exigiram que não se utilize o movimento para finalidades eleitorais.

A IU e o Podemos procuram desbancar o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) como referência da esquerda, com o objetivo maior de formar um governo que expulse do Palácio de Moncloa o Partido Popular (PP) de Rajoy. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Jaime Miquel e Associados publicada na última sexta-feira pelo jornal espanhol Público, o PP, no governo, alcançaria o primeiro lugar, com 27,8% dos votos, seguido pelo Unidos Podemos, com 24,5%, e o PSOE, com 20,3%.

Na França, no entanto, o aniversário encontrou os indignados, agrupados na Nuit Debout (Noite em pé), reunidos na Praça da República em Paris, quartel general da iniciativa francesa há um mês e meio. A manifestação foi acompanhada com concertos, assembleias e uma conexão virtual com o resto dos protestos globais.

O 15-M também chegou a Bruxelas, coração político da Europa. “Nos sentaremos no Monte das Artes (uma explanada próxima à Grand Place de Bruxelas) para reivindicar que as vozes da população, que tem muito a dizer, sejam ouvidas”, assinalou uma das integrantes da Assembleia 15-M, Lidia Brun. A estudante espanhola, que terminou seu doutorado em Economia na Universidade Livre de Bruxelas, explicou que o objetivo do protesto foi reunir o maior número de pessoas possível no máximo possível de praças de cidades de todo o mundo para insistir na ideia de que é preciso fazer uma reforma do espaço público.

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