Estudantes ocupam Escola Estadual Emílio Massot em Porto Alegre

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12 Mai 2016

A quarta-feira (11) começou diferente na Escola Estadual Emílio Massot, no bairro Azenha, em Porto Alegre. No horário de início das aulas, estudantes do Grêmio Estudantil conversaram com a direção para avisar que tinham a intenção de ocupar a escola, e receberam o aval da diretora, que considerou legítimo o movimento. Em seguida, passaram nas salas de aula, conversando com professores e alunos para explicar a iniciativa. Essa é a primeira vez que uma escola pública é ocupada no Rio Grande do Sul.

A reportagem é de Débora Fogliatto, publicada por Sul21, 12-05-2016.

O portão da escola permanece fechado, mas os estudantes podem entrar e sair livremente. Já apoiadores, visitantes e jornalistas precisam fornecer seus dados para poderem ingressar no local. No pátio do colégio, duas grandes faixas contêm as palavras “na luta pela educação” e “fora Sartori”, rodeadas por fotos de protestos feitos por estudantes e professores do ensino estadual desde 2015.

Dentre as principais reivindicações está a falta de repasse de verbas, que só foram recebidas em um mês deste ano, conforme o presidente do Grêmio Estudantil, Marcos Anderson da Silva Mano. “Além disso, estamos sem professor de Geografia para o Ensino Médio, sem professor de Ciências à tarde, sem uma merendeira e com falta de monitor. O ‘seu Paulo’, que fica no portão, é funcionário da limpeza e tem que fazer as duas funções”, relata.

Ele também explica que os estudantes querem apoiar os professores, cujos salários foram parcelados diversas vezes. “Percebemos que o parcelamento afeta eles, prejudica as aulas. Porque os professores chegam à escola preocupados em pagar suas contas, estão sobrecarregados”, afirma Marcos. Ele disse que não há previsão de quanto tempo a ocupação irá durar.

Os alunos do turno da tarde, que são do Ensino Fundamental, chegaram à escola por volta das 13h e aguardaram para entender o que estava acontecendo. A decisão tomada pelo Grêmio e pela direção da escola foi de que os estudantes de 8º e 9º ano poderiam ser liberados das aulas para participar, enquanto para os mais novos a decisão caberia aos professores. “É uma alteração na rotina, a escola não decretou que as aulas seriam suspensas, mas eles estão se organizando com autonomia”, afirmou a vice-diretora Neiva Lazzaroto. Ela contou que os professores irão apoiar a ocupação organizando debates, palestras e oficinas, e que a cada noite dois ficarão com os alunos para dormir no local.

Duas salas de aula — uma para os meninos e outra para as meninas — foram esvaziadas para receber os integrantes da ocupação que irão passar a noite na escola. As refeições serão preparadas no refeitório, com utensílios dos próprios alunos, sem utilizar a cozinha da escola. O Grêmio estima que durmam na Emílio entre 40 e 45 alunos na primeira noite. “Não podemos usar os alimentos das merendas, então arrecadamos um pouco, mas estamos aceitando doações”, afirmou Henrique Malet, estudante do 1º ano e integrante do Grêmio.

A decisão de ocupar a escola foi tomada quando os estudantes perceberam que apenas os protestos de professores não estavam fazendo efeito para que as reivindicações fossem atendidas. “Pensamos que precisava dos alunos, pais, da sociedade em geral participando. Queremos mostrar que sabemos o que está acontecendo, que a educação está sendo precarizada”, destacou Henrique.

A Secretaria da Educação emitiu nota informando que no final do ano passado houve troca de diretores e, em alguns casos, como o do Colégio Emílio Massot, a entrega dos documentos e a atualização dos cadastros demoraram além do previsto. “Os repasses para estes estabelecimentos de ensino já estão na programação da Secretaria da Fazenda e devem ser feitos nos próximos dias, visto que a folha do funcionalismo foi quitada ontem (10)”, afirmou a secretaria, por meio da assessoria de imprensa. O secretário também tem planos de ir até o local ao longo desta quarta-feira (11).

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