Pequenos sinais positivos no horizonte e o fator Meirelles

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03 Maio 2016

Nos jornais, a informação de que a futura área econômica de Michel Temer acredita que, com a apresentação da sua estratégia fiscal, haverá queda nas taxas de juros de mercado.

Desde o final do ano os bons departamentos econômicos já trabalhavam com a queda da inflação para o segundo trimestre, assim que fossem expurgadas da inflação anual os choques tarifários do ano passado. E a queda de juros seria consequência.

Aliás, esta é a explicação para o fato da conspiração ter se acelerado no começo do ano, com a série de operações da Lava Jato.

O comentário é de Luís Nassif, jornalista, publicado por Jornal GGN, 03-05-2016.

No fim do ano, tinha-se o seguinte:

  1. Refluxo das manifestações de rua.
  2. A presidente voltando a se abrir para o setor privado, através do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).
  3. Perspectivas claras de queda da inflação a partir do segundo trimestre.
  4. Alguns sinais iniciais de que o fundo do poço estaria próximo. E a área econômica acreditando que, com a queda da inflação, haveria o início da queda dos juros ajudando na reativação da economia.

Os sinais no horizonte

O Departamento Econômico do Bradesco foi o primeiro a prever a queda acentuada nas previsões de inflação.

Agora, um trabalho do seu economista Igor Velecico levanta sinais consistentes de estabilização da atividade econômica, da economia já ter batido no fundo do poço.

Os sinais de estabilização começaram a surgir a partir de fevereiro/março. No começo, apenas refletindo melhora nos preços dos ativos.

Depois, gradativamente passaram a surgir indícios mais fortes.

  • a estabilidade, desde outubro do ano passado, do quantum importado de bens de capital;
  • o crescimento pelo segundo mês consecutivo da importação de bens intermediários,
  • a melhora do NUCI (nível de utilização de capacidade instalada), que atingiu seu mínimo em fevereiro e já apresenta dois resultados positivos;
  • os dados de emplacamento de veículos da Fenabrave, estáveis desde janeiro;
  • o hiato entre produção e vendas da Anfavea, agora claramente ajustada para diminuir os estoques nos próximos meses (o que significa que o próximo movimento, se a demanda final (Fenabrave) continuar estável, será de alta da produção);
  • a confiança da indústria, que atingiu seu mínimo em agosto de 2015 e tem melhorado desde então, conforme destacamos anteriormente1;
  • a estabilidade da proxy mensal de investimentos nos últimos quatro meses.

Mesmo assim, o economista não acredita que esses indicadores possam ainda se refletir nos dados do PIB. A estimativa é de contração de 0,8% no primeiro trimestre e 0,5% no segundo, estabilizando-se no segundo semestre.

Um dos fatores é ainda uma propensão menor ao consumo devido aos níveis de incerteza. Por isso mesmo, acredita-se que apenas pela diminuição da incerteza possa haver alguma recuperação cíclica.

No entanto, o trabalho salienta que ainda há um ajuste “nada desprezível” no nível de emprego. O impulso externo (PIB puxado pela aceleração do PIB global ou dos preços das commodities) é negativo. E o impulso interno (política monetária ou fiscal) é inexistente.

Os impasses de Temer

E aí se entram nos impasses de um futuro governo Michel Temer. A base de apoio é fluida e a legitimação escassa.

A palavra do Ministro sempre é relevante, mas desde que acompanhada de ação eficaz.

O candidato a super-Ministro da Fazenda Henrique Meirelles é um homem de marketing – uma característica até positiva para um Ministro da Fazenda. Retomará o diálogo com o setor privado, rompido na era Dilma. Mas está muito, mas muito longe de ser um articulador da área econômica, com conhecimento e prática do uso dos instrumentos de política econômica.

Na grande reação à crise de 2008, na presidência do Banco Central Meirelles foi um autêntico “roda presa”. Em fins do ano, com a economia despencando, falava em atividade robusta para justificar elevação de taxa de juros.

Enquanto a Fazenda e o Banco do Brasil mapeavam as crises de liquidez para injetar crédito, o BC de Meirelles não denotava o menor conhecimento da economia real. Mesmos nos contatos com o sistema financeiro, a solidez técnica do então Secretário do Tesouro Joaquim Levy era muito melhor recebida do que as intervenções de Meirelles.

O novo Ministro receberá alguns sinais positivos da economia, mas o orçamento continuará restringindo pela crise. E não parece que o BC irá abrir espaço com uma redução mais responsável dos juros. De onde virão os recursos para a estabilização da relação dívida-PIB?

Mexidas na Previdência são medidas de impacto no longo prazo. Sugira-se a Temer que coloque Meirelles explicando a proposta de nova idade mínima em uma assembleia da Força Sindical, do grande aliado Paulinho. Ou para aqueles brilhantes parlamentares que ofereceram o impeachment, à mãe, à esposa, aos filhos e às amantes.

Em suma, haverá algum respiro inicial na economia. Mas dificilmente Temer conseguirá produzir mudanças de monta na economia.

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