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Por: André | 03 Maio 2016

Dar um número é difícil, mas um dado, pelo menos, é irrefutável: cada ano dezenas de milhares de menores entram no fluxo dos refugiados que chega à Europa fugindo da África, da Síria, do Afeganistão, de todo o Oriente Médio. A Europol, entidade que coordena todas as polícias europeias, fala de 10 mil menores refugiados que desapareceram durante o ano de 2015 no “velho continente”. No total, os menores que chegaram à Europa no ano passado (dentre mais de um milhão de refugiados e migrantes) foram 400 mil, dos quais cerca de 260 mil tinham menos de 14 anos. Alguns milhares eram menores não acompanhados e esta é a categoria que corre maiores perigos.

A reportagem é de Francesco Peloso e publicada por Vatican Insider, 02-05-2016. A tradução é de André Langer.

Devemos considerar que nos cálculos totais são tomados em conta também rapazes de 15 anos (foram cerca de 134 mil em 2015), uma idade considerada em muitos dos países que vivem há anos uma situação de grave crise ou de guerra quase adulta. No entanto, ao examinar detidamente os números reunidos pelas instituições internacionais e diferentes organizações não governamentais, o dado permanece: o desaparecimento dos menores é um dos capítulos mais inquietantes dos fluxos migratórios e de refugiados dos últimos anos. Uma situação que já havia sido registrada há mais tempo por numerosas associações comprometidas com a acolhida. Cerca de 20% dos menores que chegam à Grécia desaparecerão.

Também a Comece, a Comissão das Conferências Episcopais da Europa, e o escritório europeu dos jesuítas, através da revista mensal Europeinfos, denunciam, esgrimindo os números e a gravidade do fenômeno. Parte-se desses 10 mil menores não acompanhados que desapareceram. Em alguns casos muitos encontraram as suas famílias ou comunidades, ou simplesmente preferem não ser registrados, dar dados falsos para burlar a vigilância e evitar o risco de serem rejeitados.

Mas o verdadeiro perigo é acabar nas armadilhas do tráfico organizado por redes criminosas que usam os jovens e as crianças para a exploração sexual ou o tráfico de drogas: são os chamados desaparecimentos forçados. E tudo isso sem contar que muitos menores também podem ser utilizados na agricultura ou em outros setores produtivos. Os criminosos aproveitam as dificuldades que as famílias ou as autoridades têm para tratar de encontrá-los, e também agem com ameaças e extorsões.

“O fenômeno dos desaparecimentos de menores refugiados constitui um desafio para as autoridades – lê-se na Europeinfos –, posto que normalmente estes são verificados durante os primeiros dias de sua chegada a um centro de acolhida. Em um relatório de 2010 sobre menores não acompanhados nos processos migratórios, o Frontex (organismo europeu que se ocupa das fronteiras externas da União Europeia) acrescentou a informação prestada pelas autoridades suíças e holandesas sobre as redes de tráfico de seres humanos nigerianas, que normalmente afetam adolescentes mulheres de entre 15 e 17 anos. À sua chegada à União Europeia, as jovens imediatamente pedem asilo e quando se encontram em um dos centros de acolhida para menores, chamam um contato na zona e são tiradas do centro”.

“Este sistema administrado pela criminalidade organizada – prossegue o texto – poderia explicar o desaparecimento, em determinados casos, dos menores não acompanhados: são enviados propositalmente para que peçam asilo, contanto que não sejam presos na fronteira. Em outros casos, os menores não acompanhados são vítimas do tráfico de pessoas quando entram no país de acolhida”.

Muitos deles simplesmente não confiam nas autoridades responsáveis por eles e fogem. “Nas estações ferroviárias os rapazes são interceptados por redes de traficantes que lhes prometem uma moradia e um trabalho, mas muitas vezes são sequestrados e, caso as famílias não puderem pagar o resgate, os menores devem trabalhar vendendo droga ou prostituir-se. Atividades muito lucrativas para a criminalidade”, denunciou em 2014 o Centro Astalli da Catânia ao jornal inglês The Guardian.

Naturalmente, é necessário respeitar as legislações em matéria de proteção da infância, afirma a revista da Comece, e também organizar uma acolhida ad hoc para os menores; trata-se de um caminho árduo no contexto que a Europa está vivendo.

O mesmo tema foi indicado há poucos dias pelos representantes das Conferências Episcopais da França, Reino Unido e Alemanha, que se reuniram em Paris com o secretário da CCEE, o Conselho das Conferências Episcopais da Europa, dom Duarte da Cunha. Também neste caso se enfatizou particularmente a situação dos menores que chegam com os refugiados e migrantes, sobretudo no caso específico da situação em Calais, no norte da França e posto de embarque para a Grã-Bretanha: uma espécie de Lampedusa do norte que viveu não poucas tensões, pois ali se encontram varados milhares e milhares de migrantes.

Entre outras coisas, justamente nestes dias a Grã-Bretanha está travando um duro debate político parlamentar sobre a necessidade de acolher os menores refugiados sírios, mas até agora prevaleceu o “não”, apesar da existência de três mil jovens que pedem asilo. Mas não quer dizer que seja a última palavra.

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