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Por: Cesar Sanson | 28 Abril 2016

"Acho que é uma leitura rasa e uma associação simplista atribuir a tal onda conservadora e fascista, bem com o golpe em curso às manifestações de junho de 2013. É como se o PT precisasse se eximir de fazer qualquer auto-crítica e assumir suas responsabilidades no processo em curso para poder voltar triunfante à oposição ao governo Temer". O comentário é de Marcelo Castañeda em artigo publicado por Lida Diária, 27-04-2016.

Eis o artigo.

As manifestações de junho de 2013 são fundamentais para entender o momento atual em função da variedade de sentidos e significados que lhes são atribuídos nos dias que correm, em especial um que repudio, ou seja, de que aquele momento foi a porta para a ascenção do fascismo que hoje grassa livre e faceiro entre nós. Existe um outro que o Moysés Pinto Neto trouxe num post de hoje no facebook:

"Acho totalmente incrível, mas ainda tem gente que insiste em dizer que foram as ‘Jornadas de Junho’ as responsáveis pelo golpismo e crescimento de perspectivas conservadoras que atualmente proliferam na sociedade brasileira. A tese é nitidamente inconsistente e provém de uma defesa cega, beirando ao autoritarismo, do Governo, mas mesmo assim há quem insista que a principal janela — aberta pelos próprios sucessos do lulismo — para mudanças estruturais no Brasil representou o ‘embrião do golpe’'.

Discordo veementemente destas afirmações simplistas que circulam como se fossem uma luva para quem quer se acomodar e se recusa a analisar criticamente a derrocada do PT e do governismo petista no jogo da política maior.

Na minha visão junho de 2013 foi enterrado nas eleições de 2014, que após a morte de Santiago Andrade, repressão e a Copa de 2014 encerraram um ciclo breve de abertura democrática, exatamente o oposto da versão que afirma que junho trazia os germes do fascismo. Este artigo de Fernando Bastos faz uma boa retrospectiva de junho: https://goo.gl/WcJelX.

Para começo de conversa, o fascismo, mas muito mais o conservadorismo e o reacionarismo sempre foram fortes na sociedade brasileira. Vejo junho de 2013 como um ponto fora da curva tendo em vista que conseguiu reunir diferentes singularidades para reverter um aumento de passagens em várias cidades brasileiras, fora o fato de denunciar a violência policial e modificar a narrativa da grande mídia, ainda que tenha sido influenciado e impulsionado por esta entre os dias 17 e 20, quando teriam aparecido os tais “germes do fascismo”, e realmente haviam elementos que podem ser classificados de direita num momento em que houve uma explosão de pautas para muito além dos vinte centavos.

A todos que enxergam que houve a porta aberta para o fascismo lembro do contexto do Rio de Janeiro, que foi o que vivi e senti. Pergunto por outubro de 2013, quando manifestações massivas entre 100 mil (7/10) e 50 mil pessoas (15/10) com viés de esquerda claro se constituíram em defesa dos professores que estavam sendo massacrados na Cinelândia em defesa de um Plano de Cargos e Salários. Outubro de 2013 é parte do processo que ganha visibilidade em junho de 2013. Como explicar o viés de esquerda?

As pessoas que atribuem às manifestações de junho de 2013 a responsabilidade pelo momento atual parecem esquecer da repressão capitaneada pelo governo federal, especialmente o então Ministro da Justiça Cardozo, em conjunto com os governos estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro, os principais pontos.

Não quero com esse post fazer uma defesa intransigente de junho de 2013. Não se trata disso e não posso deixar de tecer críticas ao processo, em especial em relação a incapacidade de organização de caráter autônomo, a estética do conflito encarnada nos black blocs e a radicalização de certos segmentos que acabou por contribuir para o afastamento de bases sociais. Mas nada disso foi comparado à repressão estatal e a sanha do governismo petista em estancar aquilo que lhe fugia do controle. Os movimentos deviam estar alinhados ao comando do aparelho central como manda o script estalinista.

A partir da morte do cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro de 2014 esse processo se consumou, sendo que a Copa e a prisão de 23 ativistas no Rio de Janeiro, bem como as eleições de 2014 vieram enterrar junho de 2013.

Então, o que vejo é que, ainda que tudo possa ser tido como parte de um processo único, e junho de 2013 não pode ser separado das lutas que se teciam antes de ser deflagrado, após as eleições de 2014 nós temos um outro momento em termos de manifestações que pode ser resumido assim:

(1) no primeiro semestre, começam as manifestações anti-Dilma com viés direitista e as reações governistas como contraponto, que deflagraram no apoio e contestação ao processo de impeachment de Dilma e que me parecem ser o oposto de junho de 2013 ainda que com diversos elementos apropriados;

(2) no segundo semestre se configuram manifestações diferenciadas como o #ForaCunha protagonizado pelas mulheres e as ocupações de escolas pelos estudantes secundaristas de São Paulo, estas também com apropriações de junho de 2013 mas em outro momento, sendo que a luta dos estudantes contagiou Goiás e agora o Rio de Janeiro.

Portanto, acho que é uma leitura rasa e uma associação simplista atribuir a tal onda conservadora e fascista, bem com o golpe em curso às manifestações de junho de 2013. É como se o PT precisasse se eximir de fazer qualquer auto-crítica e assumir suas responsabilidades no processo em curso para poder voltar triunfante à oposição ao governo Temer. É como se enterrassem o defunto e atribuíssem a ele coisas pelas quais ele não pode se responsabilizar mas não tem como contestar pois está morto. Mas ainda bem vivo na memória de quem viveu esse processo. Outras narrativas virão.

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