Equador: drama sem fim

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Por: Jonas | 22 Abril 2016

“Aí está o necrotério”. Muitos chegavam, ontem, em busca de entes queridos ao estádio de futebol de Pedernales, epicentro do potente terremoto no Equador, onde caixões amontoados sob o sol abrasador e barracas para atender feridos evidenciavam a dimensão da catástrofe, que já deixou 480 mortos, 2.560 feridos e cerca de 1700 desaparecidos.

A reportagem é publicada por Página/12, 20-04-2016. A tradução é do Cepat.

Onde antes se gritavam gols, agora funciona o Centro de Operações de Emergências (COE) deste balneário, no norte do Pacífico equatoriano, o lugar mais atingido pelo terremoto de magnitude 7,8 que no sábado sacudiu o país andino.

No improvisado depósito de cadáveres, especialistas de criminalística e da promotoria, de uniforme branco, identificavam os corpos recuperados entre os escombros de moradias e hotéis desta localidade de 60.000 habitantes e com um fluxo de turistas que pode chegar a 40.000 na alta temporada. Socorristas e auxiliares de enfermagem também atendem os feridos, neste local. “Aqui, recebemos os feridos porque no subcentro há apenas três leitos e não é para hospitalização. Não há sala de cirurgia”, explica um médico do ministério da Saúde.

As primeiras 24 horas após o terremoto foram as mais caóticas para o pessoal da saúde, que precisou colocar os pacientes sobre o gramado e, inclusive,  montou um heliporto na metade da quadra para transportar os casos mais graves para hospitais próximos. Aqueles que procuravam por familiares desaparecidos chegavam com a esperança de encontrá-los vivos. Mas, com o passar das horas, aproximavam-se para reivindicar os corpos.

Três dias após o devastador terremoto, caixões vazios, recebidos de doações, eram empilhados em uma esquina. Havia caixões grandes e pequenos, de diversas cores, com e sem alças, e até personalizados para apaixonados por futebol: um azul do Emelec, outro amarelo do Barcelona, outro da Liga.

Os corpos de 154 pessoas que morreram em Pedernales foram identificados e entregues desde sábado, entre eles, os de sete estrangeiros: três cubanos, dois colombianos, um inglês e um dominicano.

Enquanto isso, a raiva e a impotência crescem entre os sobreviventes por causa da lentidão na chegada dos socorristas nas áreas destruídas. “O resgate foi muito lento e foram perdidas vidas valiosas. Nós, os familiares, estamos aqui desde sábado à noite”, exclama Pedro Merro, perto do mercado municipal de Manta, na golpeada província de Manabí.

Sua prima desapareceu ao entrar em colapso a estrutura de três pisos junto ao mar nesta cidade. Sob um sol abrasador, o cheiro dos corpos em decomposição se torna mais forte na medida em que os dias vão passando nesta localidade de 253.000 habitantes. Uma centena de corpos foram retirados dos escombros, mas, se desconhece o número de desaparecidos.

Luis Felipe Navarro, proprietário de um edifício em ruínas perto do mercado, está convencido de que há pessoas vivas entre o amontoado de concreto e ferro. “Recebi mensagens em meu telefone. Dizem-me que há dez em uma espécie de cavidade. No entanto, as equipes de resgate não me ouvem”.

O terremoto deixou 805 edifícios reduzidos a escombros, estradas arrebentadas e infraestruturas danificadas em áreas de alta concentração de turistas. Sob os escombros ainda restam muitas pessoas presas.

Além disso, quase 3.000 pessoas foram transferidas para albergues.

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