Amoris Laetitia. A nota 351

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Por: Jonas | 12 Abril 2016

Comentando a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, Jesús Bastante destaca uma nota de rodapé importantíssima, em sua opinião, “uma das poucas onde há uma frase que não pertence a nenhum documento, mas que sai da letra do próprio Papa”. Seu artigo é publicado por Religión Digital, 09-04-2016. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A exortação pós-sinodal “Amoris Laetitia” é um hino ao amor, ao matrimônio e à família. Um hino à vida, e à missão da Igreja frente a ela. É que a vida se compõe de alegrias, penas, tristezas, desafios e problemas.

Também de rupturas e erros, alguns deles insuperáveis. A presente exortação é um compêndio de tudo isso. Um clamor de humanidade em meio a tanto ruído, que dará muito o que falar e que supõe um golpe na linha de flutuação dos “controladores da graça” que, assim como os maus defesas centrais, ainda estão olhando ao redor procurando a bola.

A maior parte das críticas que o documento está recebendo vem justamente desses setores. E do tema que o próprio Papa prognosticava em que “todos se vejam muito interpelados”. “O Papa não disse em nenhum lugar que se pode dar comunhão aos divorciados”. “É adultério, e comungar assim, supõe pecado mortal”, e outras ‘lindezas’ foram ditas e escritas.

O texto é suficientemente claro para que todos possamos entender o que o Papa quis dizer. Contudo, de qualquer modo, o próprio Bergoglio guardou um ás na manga. Não no documento estritamente falando, mas em uma das notas, concretamente a 351. Curiosamente, uma das poucas onde há uma frase que não pertence a nenhum documento, mas que sai da letra do próprio Papa.

Vamos explicar. No ponto 305, Francisco diz o seguinte: “Um pastor não pode se sentir satisfeito apenas aplicando leis morais para aqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem rochas que são atiradas contra a vida das pessoas. É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por trás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas’. Na mesma linha, pronunciou-se a Comissão Teológica Internacional: ‘A lei natural não pode ser apresentada como um conjunto já constituído de regras que se impõem a priori ao sujeito moral, mas é uma fonte de inspiração objetiva para seu processo, eminentemente pessoal, de tomada de decisão”. Por causa dos condicionamentos ou fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objetiva de pecado – mas que não seja subjetivamente culpável ou que não o seja plenamente – possa viver na graça de Deus, possa amar e também possa crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja”.

E a nota 351, diz isto, precisamente isto:

“Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso, ‘aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma sala de torturas, mas o lugar da misericórdia do Senhor’ [Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (24 de novembro de 2013), 44: AAS 105 (2013), 1038]. E de igual modo destaco que a Eucaristia ‘não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos’ [Ibid, 47: 1039]”.

Quem tiver olhos, que leia. O resto, que continuem procurando a bola.

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Amoris Laetitia. A nota 351 - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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