Espanha. “Se não prevenirmos, oito em cada dez crianças pobres hoje, serão pessoas pobres no futuro”

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Por: Jonas | 08 Abril 2016

Ter filhos, hoje, na Espanha, “é um dos fatores mais importantes de risco de pobreza. Uma pobreza que “se herda” e que se prolonga porque não se investe na família e infância. Esta é uma das principais conclusões do estudo “A transmissão intergeracional da pobreza”, que foi apresentado pela Fundação Foessa, vinculada a Cáritas.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 07-04-2016. A tradução é do Cepat.

“Ter menores sob a responsabilidade é um risco de pobreza, e as políticas públicas estão se esquecendo das famílias”, denunciou o secretário geral da Cáritas, Sebastián Mora, durante a apresentação do relatório. Mora denunciou o atual “modelo social que não trata bem os mais fracos, nem consegue um mínimo de justiça para os que não a têm”.

“A pobreza pode ser herdada, e de fato se herda”, ressaltou Mora, que apontou que oito em cada dez pessoas que nasceram e foram criadas pobres, estão padecendo a pobreza na atualidade. “Se não prevenirmos, oito em cada dez crianças pobres hoje, serão pessoas pobres no futuro”, denunciou. “Podemos e devemos reverter a situação, disse, destacando que “a pobreza das crianças condiciona a pobreza no futuro dos adultos. Mas, podemos mudar, e para isso precisamos reproduzir a solidariedade, não a pobreza”.

Na Espanha, levando em consideração os dados trabalhados pela pesquisa da Foessa, temos uma estrutura social que permite que as realidades de pobreza sejam algo que poder se herdar e que, de fato, se herdam. “A crise não foi igual para todos, nem temos as mesmas oportunidades, mas também os dados nos apontam que é possível construir situações para a igualdade”.

Os dados do relatório são categóricos: 8 em cada 10 pessoas cujos pais não alcançaram o ensino primário, não conseguiram completar os estudos secundários; 4 em cada 10 adultos (41%) que viveram sua adolescência com problemas econômicos muito frequentes, não conseguiram alcançar a educação secundária. Esta situação só afeta 8% dos que nunca tiveram dificuldades econômicas.

Os dados demonstram que 81% das pessoas que tiveram dificuldades, voltaram a padecê-las neste momento, frente os 45% dos que não as tiveram, o que demonstra, segundo o estudo, que “a tendência a herdar a situação econômica se torna mais intensa nos momentos de maior instabilidade econômica”. “A pobreza presente gera pobreza futura”, destaca o estudo da Foessa.

De modo concreto, a taxa de pobreza nos lares sem menores é de 16%, ao passo que aumenta para 28% nos lares em que há menores, para 42% no caso de famílias monoparentais com filhos e para 44% quando as famílias têm três ou mais menores.

Como explica Raúl Flores, coordenador da pesquisa, “a lacuna na taxa de pobreza entre os lares sem menores e com menores, na Espanha, é três vezes superior à UE27”. A pobreza infantil relativa na Espanha é 1,5 vez maior que na UE (30% frente aos 21%), enquanto que a pobreza severa dobra a taxa (16% frente a 8%). E ainda que a pobreza e a exclusão das famílias com menores são prévias à crise econômica, estas se tornaram mais extensas e mais intensas nos últimos anos.

O estudo também denuncia como, comparado com a medida da UE, a Espanha investe muito pouco em família e infância. A parte do PIB que a Espanha destina à infância e a família é de 1,3%, frente aos 2,2% da média da UE27. O gasto com infância e família representa 5,3% do total de gasto com proteção social, sendo que na UE27 o gasto com infância e família supõe 7,5%.

“Estamos diante de um modelo que gera a transmissão intergeracional da pobreza”, ressaltou o autor do relatório, que também apontou várias propostas para reverter esta situação. Entre elas, o investimento em educação, a atenção psicoeducativa, a garantia e um sistema de saúde universal e gratuito; promover “o investimento em políticas sociais e políticas redistributivas”, políticas de moradia e urbanismo que superem as situações de exclusão, o apoio direto às famílias em seu trabalho parental, e uma “ação coordenada de cada um dos serviços e prestações proporcionadas pelos diferentes organismos públicos às famílias, que assegure a qualidade da intervenção e também sua eficiência, sem duplicar esforços e ações”.

Sebastián Mora começou sua intervenção fazendo “uma denúncia clara, contundente e consistente sobre a situação que estão vivendo milhares de irmãos e irmãs nossas em diversas fronteiras do mundo e, especialmente, nas europeias”. “A Europa e a Espanha como membro da União – afirmou – estão fracassando intensamente na gestão desta crise humanitária. A União está se colocando como um espaço vazio de densidade ética e altura política. Mais que uma crise de refugiados, estamos visualizando uma profunda crise de solidariedade que perdeu seu papel de liderança na vida pública”.

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