Guia de leitura do Vaticano diz que documento de Francisco sobre a família põe a doutrina “a serviço da missão pastoral”

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07 Abril 2016

Um guia de leitura vaticano enviado os bispos na dianteira da publicação do tão esperado documento do Papa Francisco sobre a família diz que o pontífice quer que a Igreja adote uma nova postura de inclusão na sociedade e certifique-se de que as suas doutrinas estão “a serviço da missão pastoral”.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 06-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O guia – enviado pela secretaria do Sínodo dos Bispos em preparação para o lançamento, nesta sexta-feira, de “Amoris Laetitia; Sobre o amor na família” – explica que Francisco “encoraja não só uma ‘renovação’, mas, mais que isso, uma verdadeira ‘conversão’ de linguagem”.

“O Evangelho não deve ser meramente teórico, distanciado das vidas as pessoas”, afirma o texto. “Para falar sobre as famílias e a elas, o desafio não é alterar a doutrina, e sim inculturar os princípios gerais de modo que possam ser compreendidos e praticados”.

“A nossa linguagem deveria encorajar e reassegurar cada passo positivo tomado pelas famílias”, lê-se.

Amoris Laetitia”, expressão latina que significa “A alegria do amor”, é o nome do documento escrito pelo papa após dois encontros dos bispos ocorridos no Vaticano em 2014 e 2015 focado na família.

Sabe-se que os encontros, conhecidos como Sínodos dos Bispos, por vezes se centraram em questões polêmicas como o divórcio e o segundo casamento, além do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O novo documento, chamado formalmente de Exortação Apostólica, está sendo bastante aguardado por aquilo que Francisco pode dizer sobre os encontros e quais decisões ele poderá tomar a respeito de temas difíceis.

O guia de leitura do Vaticano foi enviado aos bispos juntamente com uma carta assinada pelo Cardeal Lorenzo Baldiserri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos. A carta do cardeal diz aos bispos que a exortação é “antes de tudo um ensino pastoral”.

A missiva esteve acompanhada de um resumo das várias audiências gerais de Francisco realizadas nos últimos três anos, muitas das quais estiveram focadas sobre temas relacionados à vida em família. Este material também inclui um breve resumo das palestras do Papa João Paulo II sobre a “Teologia do Corpo”, que, segundo se lê, constitui uma “referência importante” para o novo documento.

O National Catholic Reporter obteve cópias dos materiais que foram enviados aos bispos, os quais haviam sido divulgados pela imprensa italiana anteriormente.

O guia de leitura diz que Francisco “quer se expressar numa linguagem que alcance verdadeiramente o público – e isso implica discernimento e diálogo”.

O discernimento “evita tomar verdades e escolhas como fatos consumados; ele nos leva a analisar e a adotar conscientemente as nossas formulações de verdade e de escolhas que fazemos”.

“Como os seus antecessores, o Papa Francisco pede que, como pastores, façamos um discernimento entre as várias situações vividas pelos nossos fiéis e por todas as pessoas, famílias, indivíduos”, afirma o documento.

“O discernimento (...) encoraja-nos a ir do bom para o mais bom. Uma das características do discernimento, segundo Santo Inácio de Loyola, é a insistência não só em levar em consideração a verdade objetiva, mas também em expressar essa verdade com um espírito bom, construtivo”.

“O discernimento é o diálogo dos pastores com o Bom Pastor no intuito de sempre buscar a salvação das ovelhas”, diz o texto.
O guia de leitura afirma ainda que diálogo “significa que não devemos (...) aceitar sem discutir aquilo que pensamos, nem aquilo que as outras pessoas pensam”.

O documento também dá a entender que Francisco pode invocar, na exortação, duas velhas heresias para criticar aqueles que têm medo do diálogo.

Francisco mostra-nos dois tipos de pessoas para as quais o diálogo não é possível porque ambos ‘resumem-se’ ou reduzem-se a si mesmos”, lê-se. “Alguns reduzem o seu próprio ser àquilo que sabem ou sentem (ele chama isso de ‘gnosticismo’); os outros reduzem o seu próprio ser aos seus pontos fortes (ele chama isso de ‘neopelagianismo’)”.

“Para a cultura do diálogo, é essencial a inclusão de todos”, continua o documento.

“O papa sugere que vivamos explicitamente este jeito de entender a Igreja, como o povo fiel de Deus”, afirma. “A visão de sociedade do papa é inclusiva. Tal inclusão envolve o esforço de aceitar a diversidade, dialogar com os que pensam de forma diferente, encorajar a participação daqueles com habilidades diferentes”.

Mais adiante, o documento diz: “Uma preocupação pastoral não deve ser interpretada como estando oposta à lei”.

“Pelo contrário: o amor pela verdade é o fundamento básico do encontro entre a lei e o acompanhamento pastoral. A verdade não é abstrata; ela integra-se na caminhada humana e cristã de cada crente”.

“O acompanhamento pastoral também não é apenas a aplicação prática contingente da teologia”, afirma o documento. “Não devemos encaixar o acompanhamento pastoral à doutrina, mas preservar o selo original, constitutivo, pastoral da doutrina”.

Ao concluir, o guia de leitura afirma: “A linguagem da misericórdia incorpora a verdade na vida”.

“A preocupação do papa é, pois, recontextualizar a doutrina à serviço da missão pastoral da Igreja”, lê-se.

Empregando uma palavra grega para a proclamação da salvação através de Jesus, afirma-se: “A doutrina deveria ser interpretada em relação ao núcleo do kerygma cristão e à luz do contexto pastoral em que ele será aplicado”.

O guia de leitura termina com uma citação tirada do Código de Direito Canônico: “observada a equidade canônica e tendo-se sempre diante dos olhos a salvação das almas, que deve ser sempre a lei suprema na Igreja”.

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