Documentos do Panamá revelam conexões revoltantes entre poder político e dinheiro

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07 Abril 2016

Aproximadamente um quarto das 4 milhões de pessoas que vivem no Panamá encontram-se abaixo da linha de pobreza, sofrendo de diarreia e desnutrição. Enquanto isso, um escritório de advocacia gigante panamenho administra o maior negócio de lavagem de dinheiro e evasão fiscal do mundo para a parcela rica do país.

A reportagem é de Phyllis Zagano, publicada por National Catholic Reporter, 06-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa

Pense nesse assunto enquanto se prepara para declarar o imposto de renda deste ano e enquanto o mundo fica sabendo como os ricos e poderosos vêm escondendo dinheiro nas as últimas quatro décadas.

As revelações recentes vindas do Panamá já custaram o emprego do primeiro-ministro da Islândia – eles relevaram um negócio aparentemente engraçado relativo a bancos islandeses falidos. Só o tempo dirá se os líderes mundiais irão ruir junto de suas empresas de fachada e dos ativos escondidos.

Quando o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e uma centena de outras organizações noticiosas começaram a analisar os 11,5 milhões de registros vazados do escritório de advocacia com sede no Panamá chamado Mossack Fonseca, eles sabiam que estavam diante de algo grande. Ou melhor, podemos dizer: eles estavam diante de algo enorme. A quantidade de registros encontrados no banco de dados tinha em torno de 2,6 terabytes, o suficiente para encher cerca de 3 mil CDs. Mais de 370 jornalistas de 76 países revisaram os documentos. Eles encontram muita coisa.

Os arquivos listam mais de 15 mil empresas de fachada controladas por líderes mundiais e outros, incluindo o ex-primeiro ministro da Islândia, o primeiro-ministro do Paquistão e o rei da Arábia Saudita. Os presidentes da China e Ucrânia estão na berlinda também. Os tentáculos da corrupção alcançam igualmente o presidente russo Vladimir Putin e aproximadamente 140 políticos e autoridades públicas do mundo todo.

A equipe de jornalistas contabilizou 214,488 “entidades” de fachada – contas bancárias, empresas e outras propriedades – ocultando bilhões de dólares de ativos, a maior parte em grandes bancos em Luxemburgo, Suíça, Mônaco e nas Ilhas do Canal. Descobriram 14,153 proprietários ao redor do mundo.

Trata-se de dinheiro e poder, mas é sempre sobre o dinheiro.

As conexões entre o poder político e o dinheiro são repugnantes. Os políticos ao redor do globo anunciam um cuidado pelos pobres, um interesse em educação gratuita e assistência à saúde, um interesse profundo ter em cidades e áreas rurais melhores, mais limpas, agora devastadas pela pobreza. Eles esfregam as mãos e proferem discursos, alegando essa ou aquela solução para a doença e morte que aflige os empobrecidos.

Enquanto isso, fazem festa com suas contas bancárias protegidos por esquemas jurídicos que os isenta de pagar impostos. Em outras palavras, o que dizem e o que fazem entram em colisão numa barulhenta contradição. Os impostos devem ajudar os pobres, entoam eles. Desde que não sejam os seus impostos, pensam consigo próprios.

Tal é o auge após entrar na cabine de primeira classe, onde vinho e uísque jorram e filé mignon se torna coisa mediana. “Senhor, gostaria de um pouco de molho béarnaise? Sim, usamos vinagre de champagne”.

Odeio dizer isto, mas Donald Trump tem razão. Os meios legais de burlar os impostos estão ruindo não só a economia dos EUA, mas o sistema econômico mundial também. Os líderes mundiais poderosos já sabem disso. Os grandes atores do caso Documentos do Panamá parecem estar na China e na Rússia, embora vários países parecem ter, pelo menos, um cliente da Mossack Fonseca desviando-se dos impostos. E todos os países possuem indivíduos com bolsos grandes que apoiam os seus políticos.

Ah, os super-ricos pagam impostos, certamente o suficiente para manter os burocratas de nível médio acomodados e longe de si. Mas são os membros da esforçada classe média nas diversas economias que preenchem os formulários de imposto de renda, ano após ano, e são eles que sustentam verdadeiramente os governos e seus programas. Os perigosamente pobres contribuem com impostos, aqui e ali, quando compram gasolina ou outros bens e serviços necessários. Eles podem ter ou não acesso aos programas governamentais, dependendo de seus esforços em tê-lo ao dispor e funcionando.

Há algo profundamente errado com o que está acontecendo no Panamá, onde a metade dos pobres rurais sofrem com uma pobreza dolorosa, diante de uma visão metafórica de bilhões de dólares, euros e rublos correndo de suas terras. Há algo profundamente errado em toda parte.

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