Mulheres lançam comitê e denunciam teor machista de manifestações contra Dilma

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30 Março 2016

Cerca de 70 mulheres de diversos movimentos, sindicatos, partidos, coletivos e profissões se organizam, a partir desta terça-feira (29) em um comitê ligado a pautas feministas em defesa da democracia e contra o golpe. O lançamento da entidade aconteceu no auditório do Sindicato dos Bancários, onde as mulheres elaboraram um manifesto, definiram que irão organizar mobilizações permanentes e devem construir uma ala feminina que irá se reunir antes e durante o ato marcado para esta quinta-feira (31), na Esquina Democrática.

A reportagem é de Débora Fogliatto, publicada por Sul21, 29-03-2016.

A iniciativa surgiu no contexto da manifestação da Organização das Nações Unidas (ONU) em relação à violência de gênero contra a presidenta Dilma Rousseff, mas já estava sendo pensada bem antes disso, segundo explicou Maria do Carmo Bittencourt, militante da Marcha Mundial das Mulheres. Ela citou ainda o episódio acontecido com Ariane Leitão, ativista e secretária de Políticas para Mulheres durante o governo de Tarso Genro (PT), que teve atendimento médico negado a seu filho de um ano de idade. A pediatra do menino justificou que não poderia continuar com o atendimento pelo fato da mãe da criança ser petista. “Ela sofreu isso por ser uma mulher de partido, por ter opinião. Estamos todas sofrendo esse tipo de manifestações de uma forma ou de outra”, apontou Maria.

Emocionada, Ariane relatou que a última semana, desde que fez uma postagem no Facebook sobre o ocorrido, tem sido muito difícil e que a repercussão foi maior do que o imaginado. “O que falta é a capacidade de empatia. Os golpistas estão dispostos a nos atacar de qualquer maneira, inclusive utilizando nossos filhos, nossas crianças. Estamos aqui para dizer que queremos um país livre de preconceitos”, afirmou.

A coordenadora do Coletivo Feminino Plural, Télia Negrão, contou que a Rede Feminista de Saúde lançou uma nota destacando a importância da democracia para a saúde das mulheres e seus direitos sexuais e reprodutivos. “Não achávamos que nesse ponto da história sofreríamos uma ameaça à democracia. Nós temos que estar unidas, fortes e firmes para barrar o fascismo na política”, apontou.

Algumas das falas durante o ato destacaram o fato de os programas sociais e direitos trabalhistas estarem ameaçados com a iminência do golpe. “Temos que denunciar que o PMDB quer acabar com os programas sociais, com o Bolsa Família, com a Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Luciane Fernandes, do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios. A deputada Stela Farias (PT) concordou e falou do papel da imprensa, especialmente a Rede Globo, nas manifestações a favor do impeachment. “Alguns dizem que o golpe já está dado, com a votação do impeachment marcada para o dia 17, que terá transmissão ao vivo pela televisão. Transformaram em um espetáculo”, afirmou.

Ela também mencionou o fato de que muitos dos protestos acontecem como parte de um “projeto de liquidação dos partidos”, que será seguido por ataques aos movimentos sociais. Ariane Leitão destacou que, caso ocorra a destituição da presidenta, é preciso pensar em ações para o próximo período, pois “eles querem acabar também com o feminismo”.

Da mesma forma, Leila Thomassim, do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, mencionou que ela, assim como outras que viveram o processo de Constituinte, sabe que “o que está em jogo é a desconstrução de todo esse processo”. Integrante do PSOL, Leila lembrou que nacionalmente o partido está apoiando a manutenção da democracia neste momento e destacou a importância de “construir pontos de unidade”. “O ataque à esquerda e à democracia é o que está colocado. Temos que ampliar esse debate na cidade e denunciar o fascismo de determinados setores”, defendeu. A militante da Liga Brasileira de Lésbicas e do PCdoB Silvana Conti também mencionou a necessidade de “focar na nossa amplitude e unidade”.

Para a vereadora Jussara Cony (PCdoB), trata-se de uma “questão de classe”. “Sabemos quem são os primeiros a serem prejudicados caso eles voltem ao poder”, lamentou, referindo-se aos mais pobres e vulneráveis. Ela propôs que haja movimentos todos os dias desta semana na Esquina Democrática ao meio-dia e no final da tarde, para panfletar e conversar com a população.

Além de integrantes destes três partidos, também esteve presente Miguelina Vecchio, vice-presidente nacional do PDT e presidente da Ação da Mulher Trabalhista (AMT), que apontou a necessidade de haver mais mulheres nos cargos políticos no país. “Já participei de reuniões com a diretoria de vários partidos e eram apenas homens. Na hora das grandes decisões, chamam só os homens”, relatou, garantindo que as mulheres da Executiva Nacional do PDT são contra o golpe.

Ela também citou a importância de usar uma linguagem que seja facilmente compreensível para todas as classes sociais e níveis de alfabetização ao se explicar o momento histórico pelo qual o país está passando. “Temos sim que explicar o que está acontecendo para a população. Minha mãe, que tem até a quarta série, me perguntou o que era fascismo recentemente. Quando explicarmos para os trabalhadores o que eles vão perder, eles vão entender o que está acontecendo. Esse governo tem sim muitos equívocos, mas agora não é o momento de falar disso, e sim de retomar o Movimento da Legalidade”, disse, citando a mobilização comandada por Leonel Brizola, fundador de seu partido, que tentou impedir a instalação da ditadura militar.

Algumas mulheres destacaram ainda o fato de o impeachment ser baseado no argumento das pedaladas fiscais. Para Misiara Oliveira, quando se explica para a população do que se tratam as pedaladas e que Dilma não está acusada na Lava Jato, as opiniões podem mudar. “As pessoas ficam surpresas com a questão da pedalada quando explicamos que ela [Dilma] priorizou os programas sociais e ficou devendo para os bancos públicos”, apontou.

O manifesto lido no ato, que condena a misoginia que Dilma vem sofrendo por ser uma mulher no posto mais alto do país politicamente, será finalizado em conjunto a partir das redes sociais até o dia 31, para quando estão marcados atos a favor da democracia em diversas cidades brasileiras. Em Porto Alegre, a manifestação acontece na Esquina Democrática a partir das 17h, mas o comitê de mulheres promete estar lá desde as 16h para unificar suas bandeiras.

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