Para analistas, desembarque do PMDB mostra que sistema político faliu

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Por: Cesar Sanson | 30 Março 2016

O desembarque do PMDB do governo, oficializado na tarde dessa terça-feira, e todo o processo que culminou com esse ato, mostra, acima de tudo, que o sistema político brasileiro faliu, segundo analistas. O partido do vice-presidente da República, Michel Temer, que agora de fato assume a posição oposicionista já conhecida dos corredores e articulações, assumiu a posição concreta de apostar na crise e saciar seu interminável apetite pelo poder. O grande problema é que não há perspectivas de fim da crise.

A reportagem é de Eduardo Maretti e publicada por Rede Brasil Atual - RBA, 29-03-2016.

"Tudo isso mostra que é o nosso sistema político-partidário que está falido. Ele foi corrompido pela mercantilização que tomou conta das campanhas eleitorais", diz Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). "O que acho é que está se criando uma outra forma de crise, a crise dentro da crise, cujo desfecho é mais crise, e assim o país vai indo."

Para Grzybowski, não é novidade que o PMDB se tornou um partido que mantém o poder pelo poder e não é mais nem sombra da legenda de Ulysses Guimarães, que subsistiu até a Constituição de 1988. A crise ganhou, com a decisão do PMDB de sair do governo, um novo ingrediente: a presidenta Dilma Rousseff tem agora um vice de oposição. A Constituição prevê esse quadro. Segundo a Carta Magna, Temer continua no posto sendo parte do governo ou oposição.

Mas, como lembra Humberto Dantas, coordenador do curso de pós-graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política (Fespsp), se a situação é inusitada, ela não é nova. No período pós-democratização houve o desembarque de Itamar Franco do partido de Fernando Collor (o PRN). "Quando Itamar percebeu que a coisa degringolava, ele voltou para o PMDB." Dantas cita também "um Marco Maciel (vice de Fernando Henrique Cardoso) discreto, um José Alencar (vice de Lula) com certo discurso de oposição, embora nunca a ponto de se desligar".

Segundo Dantas, poderiam ser mencionados ainda os vices do período anterior ao golpe de 1964, mas existem diferenças fundamentais entre aquele momento e o atual. "Não podemos usar períodos anteriores como comparação porque o vice era eleito separadamente. Efetivamente, o vice podia ser de oposição. Jango não era da chapa do Jânio Quadros, embora tenham feito campanhas juntos em alguns estados."

Seja como for, o professor não acha que um vice de oposição seja algo tão incomum no atual quadro institucional brasileiro, pelo menos no que diz respeito a estados e municípios. Em 2010, por exemplo, Robinson Faria (então pelo PMN) elegeu-se vice-governador do Rio Grande do Norte na chapa com Rosalba Ciarlini (DEM). Mas, sete meses depois de eleitos, Faria se tornou duro opositor da governadora.

O exemplo não tem a dimensão do que se passa entre Dilma e Temer, mas mostra que no Brasil isso é possível. "Claro que tem uma dimensão maior de crise entre Temer e Dilma, porque estamos falando de um país gigantesco, de um eleitorado enorme, de uma economia importante no mundo. A crise é algo como um navio à deriva ou um trem desgovernado", diz Dantas.

O grande problema do governo Dilma, que hoje, no Congresso, principalmente com o desembarque do PMDB, enfrenta um processo de impeachment cada vez mais possível, tem um nome: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente da Câmara dos Deputados. "O maior erro de articulação política do governo foi ter lançado candidato do próprio PT (Arlindo Chinaglia), em fevereiro de 2015. Está pagando um preço caríssimo por ter Eduardo Cunha na presidência da Câmara. Ele é um das figuras mais estranhas que já existiram na política brasileira, apesar de ser um político bem comum. Mas é o presidente da Câmara, eleito pelos pares", avalia Dantas.

A aliança do governo com o PMDB, fechada ainda pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conseguir governar no presidencialismo de coalizão, é considerada por muitos o erro primordial dos governos petistas. Mas, para Cândido Grzybowski, o problema ainda é o sistema político do país. "Na nossa realidade política não tinha outra saída. Mas o sistema transformou as campanhas políticas em campanhas de imagem, de disputa de mercado, de marqueteiros, com dinheiro dos quem não querem perder nada."

Para ele, esse quadro permite criar partido "às pencas, por quem quiser, mas não acabou com o cerne do sistema eleitoral criado por João Figueiredo, no fim da ditadura".

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