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Por: Jonas | 18 Março 2016

“Nós, que atuamos na luta por uma sociedade plural, onde o reconhecimento à diferença e a justiça social são pressupostos básicos, temos a convicção de que qualquer ruptura com o frágil e ainda pouco eficaz processo democrático, atingirá de forma mais grave o conjunto dos povos tradicionais. Por fim, somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nossos povos”, manifesta-se um conjunto de representantes de Povos e Comunidades Tradicionais do Sul do País, reunidos na Casa do Trabalhador, entre os dias 16 e 18 de março, na primeira etapa do Curso de Operadores de Direitos Étnicos e Coletivos - Formação de Lideranças de Povos e Comunidades Tradicionais.

 
Fonte: CJCIAS/CEPAT  

Eis a carta.

Nós, Movimentos Sociais Populares do Sul do País, representantes dos povos Guarani, Laklãnõ/Xokleng, Religiões de Matriz Africana, Faxinalenses, Ciganos, Quilombolas, Pescadores Artesanais, Ilhéus do Rio Paraná, Benzedeiras e Atingidos pelo Deserto Verde, reunidos em Curitiba, no Curso de Operadores de Direitos Étnicos e Coletivos - Formação de Lideranças de Povos e Comunidades Tradicionais, vimos por meio desta nota repudiar a tentativa de Golpe contra a Democracia em nosso País.

Lembramos que em nossos movimentos de luta por direitos, também somos constantemente caluniados, difamados e alvos da discriminação e preconceito dessa mesma mídia golpista, manipuladora e antidemocrática que, agora, investe contra um governo democraticamente eleito, com a intenção de derrotar conquistas populares, bem como violar princípios e garantias constitucionais dos cidadãos, abrindo, assim, precedentes gravíssimos contra o Estado Democrático de Direito.

Na história recente de nosso País sabemos o que significa um Estado autoritário, que se impõe através de mentiras e ilusões geradas pela mídia, apoiadas pelo mercado e a repressão armada. Muitos de nossos povos sofreram perseguições, tiveram seus territórios usurpados, foram violentados e assassinados durante a ditadura militar, bem como as liberdades democráticas foram suspensas – e tudo isto em nome de um governo controlado pelo poder das elites. Muitos anos se passaram, gradualmente lutamos e resistimos para que nossos direito a participação retornasse e a democracia se reestabelecesse.

 
Fonte: CJCIAS/CEPAT  

Denunciamos a repetição dessa história, mas dessa vez apoiados por parcela menor do Judiciário, que cria armadilhas para criminalizar, de maneira seletiva, apenas as forças de esquerda, que ainda sustentam um precário projeto de justiça social, pondo em risco os direitos duramente conquistados e a soberania da Nação.

Sabemos das intenções dessa elite que busca a ascensão ao poder pelo golpe: sendo suas marcas o ódio e o ressentimento, mostram-se incapazes de formular uma alternativa à política atual, em especial porque são eles próprios os responsáveis pela cultura da corrupção, dos privilégios e beneficiários das desigualdades sociais. Os setores que estão à frente desta tentativa golpista, historicamente defendem propostas contra as bandeiras de luta dos movimentos indígena, quilombola e dos povos e comunidades tradicionais: são contra a demarcação dos territórios tradicionais; são contra as cotas e as ações afirmativas; atuam para retirar nossos direitos e impedir as perspectivas da diversidade racial, étnica e de gênero; praticam a intolerância e a violência religiosa; promovem ameaças e assassinatos de lideranças populares; desqualificam a mulher e apoiam o extermínio dos menos favorecidos.

Nós, que atuamos na luta por uma sociedade plural, onde o reconhecimento à diferença e a justiça social são pressupostos básicos, temos a convicção de que qualquer ruptura com o frágil e ainda pouco eficaz processo democrático, atingirá de forma mais grave o conjunto dos povos tradicionais. Por fim, somos a favor da investigação de todos os casos de corrupção, mas não ao uso oportunista disso para impor uma agenda antipopular que penalize ainda mais nossos povos.

Curitiba, Paraná, 17 de março de 2016.

Articulação Puxirão dos Povos Faxinalenses

Federação das Comunidades Quilombolas do Paraná

Associação dos Ciganos Itinerantes do RS

Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana

Povo Guarani Nhadewa PR

Povo Laklano/Xocleng SC

Movimento dos Ilhéus do Rio Paraná

Comissão Regional dos Atingidos pelo Deserto Verde

Movimento Aprendizes da Sabedoria

Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Litoral do PR

Associação de Ogans de Londrina e Região