“Escutemos o sofrimento da Amazônia, que é maltratada, excluída e explorada, junto com os povos”. Entrevista com Rafael Cob

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Por: André | 09 Março 2016

Dom Rafael Cob é bispo do Vicariato Apostólico de Puyo, circunscrição eclesiástica situada em plena selva amazônica equatoriana. Este burgalês [Burgos, Espanha] acompanha a vida dos povos indígenas da região desde 1990, primeiro como padre e depois como bispo. Trata-se de uma região de difícil acesso, onde o isolamento dificulta o conhecimento e, em consequência, a denúncia de muitos crimes que ali são cometidos contra a natureza e contra os povos que habitam a região.

Como muitos bispos da Pan-Amazônia, dom Cob faz parte da REPAM, a Rede Eclesial Pan-Amazônica que, com o impulso do Papa Francisco, quer ajudar para que todos tomem consciência da necessidade de cuidar da região onde se encontram os órgãos vitais da nossa Casa Comum.

Nesta entrevista, conta-nos como a REPAM está se articulando em nível internacional e os passos que devem ser dados para que esta região, fundamental para a sobrevivência do planeta Terra, possa ser melhor cuidada.

A entrevista é de Luis Miguel Modino e publicada por Religión Digital, 06-03-2016. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

O que é a REPAM?

É a Rede de Comunicação Eclesial da Igreja da Amazônia, em defesa da vida e dos povos que ali vivem.

Qual é o trabalho que a REPAM realizou até agora?

Há um programa. Nós, em nível de Equador, envolvendo a Caritas e a Conferência Episcopal, trabalhamos com os vicariatos que pertencem à Amazônia em um processo de formação para conscientizar as comunidades sobre os direitos humanos. Também sobre os efeitos das ameaças às quais a Amazônia se vê submetida e das consequências da exploração petroleira e mineral das transnacionais que ameaçam destruir a floresta com o desmatamento.

Acredito que é preocupante a formação de nossas comunidades nesse sentido. Assim mesmo, que conheçam as leis que protegem as comunidades dos governos para que não se deixem manipular ou, pior ainda, para impedir a entrada da corrupção e deixem comprar sua consciência, o que isso seria o mais grave.

Quais são os países que fazem parte desta rede?

Todos os países que fazem parte da AmazôniaVenezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru Brasil e Guianas. O Brasil é o que tem a maior extensão – 63%. É um bom número de países amazônicos que, graças a Deus, tiveram essa visão de que a união faz a força e que juntos podem atingir metas e objetivos que isoladamente nunca alcançariam.

Parece que o Papa Francisco está bastante a par de tudo o que está acontecendo nesta rede.

É verdade, e já desde o seu início, dado que sua origem se dá no Departamento de Justiça e Paz do CELAM, onde dom Pedro Barreto é quem assume com força e começa a apoiar as iniciativas que vêm neste sentido para defender os povos de uma exploração selvagem. É por isso que a Caritas do Equador começa a unir forças com todos os vicariatos da Amazônia e se lança uma mensagem, não apenas em nível nacional, mas também internacional.

Em Puyo, em 2013, houve um encontro amazônico da rede no qual já não apenas os vicariatos do Equador se reuniram para refletir, mas foram convidados os meios de comunicação internacionais e representantes outros países, todos com o objetivo de defender a Amazônia, pois sabemos que é uma referência essencial para tudo o que representa a preservação do meio ambiente e do clima do planeta Terra.

Dali já começa e se chega, no ano seguinte, em Brasília onde se daria a fundação oficial. Ali, as jurisdições eclesiásticas representadas nessa reunião – pois não estavam ainda todos os países amazônicos, embora a grande maioria – elaboraram a carta fundamental, com o lema “A Amazônia é o coração deste planeta Terra”. O encontro termina com uma Declaração Fundacional enviado ao Papa Francisco.

O Papa aprova e anima a rede, sobretudo com a influência do cardeal Hummes, que do Brasil faz tempo anima este temática tão importante da defesa da vida na Amazônia e de suas populações. O cardeal sempre foi uma pedra base para que isto possa sair em frente.

Com isto se chega, em 2015, à reunião em Bogotá, onde estiveram presentes representantes de todos os países amazônicos. O CELAM a assumiu como uma parte ainda mais importante, dentro do Departamento de Justiça e Paz, cujo trabalho vai ser coordenado a partir desta área. Existem também outras forças importantes que entraram, como a Caritas Internationalis e a CLAR (Conferência Latino-Americana de Religiosos), que vão ajudar para que esta tomada de consciência se amplie e, ao mesmo tempo, também se aprofunde.

E a população da Amazônia, como é vista a partir desta rede?

Ela vê na Igreja um apoio muito forte. Precisamente em Bogotá houve representantes de algumas etnias indígenas da Venezuela e do Equador, onde manifestaram seus pontos de vista frente a estes processos que a Amazônia está sofrendo, mostrando uma mensagem de escutar os prantos e o sofrimento da Amazônia, que é maltratada, excluída e explorada, junto com seus povos. Creio que viram na Igreja uma grande aliada para juntos defender os direitos da vida na Amazônia. Cabe agora a nós continuar estendendo esta mensagem a todas as comunidades.

No Equador está se trabalhando na REPAM com estas jurisdições eclesiásticas que pertencem à Amazônia. Há um programa de formação em que vão se assumindo certos compromissos.

É possível ainda salvar a Amazônia?

Acredito que sim, apesar de que já tem feridas profundas que são difíceis de curar, mas, logicamente, nesta terra que sofre, nós devemos ser os primeiros a defender a vida. Ainda estamos a tempo de poder fazer com que essa Amazônia, que é o pulmão da nossa Casa Comum, como disse o Papa, seja habitável e que a população que aí vive possa não apenas ser respeitada em seus direitos para viver nesse ambiente onde nasceu e trabalha, mas também as consequências em nível global. Em uma sociedade globalizada como a nossa, temos que ver isso a partir desta atitude integral de que, na Laudato si’, o Papa Francisco nos fala de uma forma tão clara, o que aprofundamos no encontro de Bogotá.

O que significa recuperar a espiritualidade do Bem Viver, que é um aspecto muito presente na vida dos povos indígenas.

Certamente. Esta filosofia do Sumak Kawsay, como eles a chamam, ou o Bem Viver, faz parte da sua cosmologia, da sua forma de pensar e está muito de acordo com o que nós propomos sobre a defesa da vida, não somente da natureza, mas também das pessoas que ali vivem, que, em consequência do pouco cuidado do habitat, se veem também prejudicadas.

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